Momentos SXSW – Humongous Burgers

O Casino El Camino é um bar na 6th Street de Austin, depois de uma verificação de ID e uma revista às malas, o ambiente é escuro e calmo, a música “alternativa” toca alta, uma TV passa episódios do Batman dos anos 60.

Assentámos arraial no andar de cima, onde a iluminação era vermelha e a Taylor serviu-nos umas cervejas; a colega dela, a quem não cheguei a perguntar o nome, tinha um longo cabelo liso que lhe descia até abaixo das nádegas.

A cozinha era no piso inferior e tinha um guichet onde se faziam os pedidos e se pagava, depois o nome de cada um era anunciado pelo PA, para irmos buscar a comida. Optámos todos por hamburgers.

A carne picada vinha metida dentro de enormes “salsichas” de plástico, abertas com uma faca, de onde eram retiradas bolas de carne não muito menores que uma bola de handball. As ditas eram espalmadas em hamburgers que deviam ter à volta de 2,5 – 3 cm de altura e que iam para o fogo grelhar.

Eram tão grandes que ficámos na dúvida sobre qual a melhor técnica para comer aquelas bisarmas. No fim lá nos safámos sem deslocar o maxilar.

O Gustavo tirou estas duas fotos, que me parecem exemplificativas:

Humongous burger

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Momentos SXSW – Jalapeño hotdog

Ná última noite, para nos despedirmos de 6th Street, parámos numa barraca de hot dogs, algo que a ASAE nunca permitira, certamente. Creio que escolhemos todos um jalapeño hot dog com sauerkraut, cebola e mostarda e foi aquilo a que normalmente se chama “epic win”.

Awesome dogs

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Marcos

Ontem í  noite, pela primeira vez, senti a minha filha mexer, na barriga da mãe.

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Quem é que ainda se lembra?

Alguém por aí­ ainda se lembra que ia comprar uma casa nova?

Pois é.

Já não aguento ouvir mais pessoas dizer-me que “ah isso agora é muito rápido!”. Ao que parece, os velhos 4 meses que se esperava desde que se decidia comprar uma casa até se ter a chave são coisa do passado, hoje em dia, em menos de um mês a casa é nossa.

Quando ouvi estas histórias vindas de vários lados disse í  Dee: vais ver que connosco vai levar 4 meses na mesma.

No dia 6 de Janeiro fizemos a reserva da casa e no dia 22 de Março ainda não a temos. Felizmente não demos sinal, pelo que não estou preocupado com o lado financeiro da coisa, mas este atraso significativo já deitou por terra os vários planos que tí­nhamos feito em relação í  casa, í s obras e ao nascimento da nossa filha em Julho.

O que se passa é que a fantástica e famosa Justiça Portuguesa foi metida ao barulho. No nosso caso, não é vida ou morte, é uma questão de esperar e pronto… imagino como será a vida das pessoas que têm a sua “sobrevivência” nas mãos da nossa Justiça.

A casa estava penhorada e, embora o actual proprietário devesse ter resolvido o problema antes de por a casa a venda, a verdade é que só foi tratar do assunto depois de nos termos disposto a comprá-la.

Já temos um recibo que comprova que ele de facto pagou a dí­vida, mas é necessária uma certidão do Tribunal para fazer os registos e proceder í  escritura. Ora, a certidão foi pedida em Janeiro e nunca mais chega.

Ao que parece, alguém que o proprietário conhece e que trabalha no Tribunal foi investigar e percebeu que “o papel”, não estava no sí­tio certo. Só esta parte já me deixa completamente estupefacto. Ao que parece, o papel andava perdido e sem uma cunha dentro do Tribunal, perdido continuaria.

Essa tal pessoa terá colocado o papel na secretária da Juí­za.

A Juí­za foi duas semanas de férias, pelo que o papel ficou por assinar.

Entretanto, o papel lá foi assinado, suponho que a muito custo, pela Senhora Doutora Juí­za – compreendo que tenha mais trabalho para fazer, o que não compreendo é porque é que estas coisas se processam desta forma absolutamente arcaica.

Então o ainda proprietário da nossa nova casa foi buscar o papel.

Mas não podia. O papel tem que ser levantado pelo advogado do senhor.

Então o advogado foi lá levantar o papel.

Mas não podia! O advogado tem que ir para o seu escritório, sentar-se e esperar até ser notificado pelo Tribunal para ir levantar o papel.

E o papel está lá, passado e assinado, í  espera de ser levantado. E passaram-se já quase três meses desde que reservámos a casa.

As pessoas envolvidas neste processo não querem saber. Não é a vida deles, não lhes interessa. Continuamos a viver no paí­s do Espera Porco.

Espera Porco!

E o porco.. espera.

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Tiálogos XXVI. Três anos.

Quando fizeste três anos, o teu pai estava em Austin, Texas, a participar no South by Southwest Interactive de 2010. Antes de partir, combinámos uma festa de aniversário com a famí­lia toda, bolo, prendas e etc mas infelizmente isso não me fez sentir particularmente melhor por não estar cá no teu dia de anos “a sério”.

Estas coisas de fazer anos podem não significar nada de especial e ser quando um homem quiser, como o natal, mas a verdade é que acabam por ter o significado que lhes damos e é inegável que me custou um bocado não estar presente nesse dia em particular.

De resto, o que dizer de ti, agora com três anos?

Acho que a minha memória de como costumavas ser está a esfumar-se um pouco e portanto custa-me imaginar uma altura em que não eras como és agora, o que é estranho, porque ainda há pouco tempo eras completamente diferente.

Agora parece-me completamente natural que contes como a roda do Lightning McQueen rebentou e ele precisou que o Guido lhe montasse uma nova, do teu filme favorito do momento, o “Cars”, enquanto que há uns meses me contorcia para que dissesses as tuas primeiras palavras.

Acho normal que subas para um banco e me tires um café na máquina Nespresso e que corras desvairadamente pela casa, quando há apenas dois anos atrás desesperava porque nunca mais começavas a andar.

Já nem penso duas vezes quando vais satisfeití­ssimo para a escola, com um dos teus brinquedos preferidos na mão (geralmente um Lightning McQueen), ou quando í  noite me contas que a Inês agarrou o bebé (o teu urso de peluche inseparável), quando há ano e meio estava preocupadí­ssimo que não te adaptassesÂ í  creche.

Birras? Sem dúvida. Ainda ontem… fomos jantar com os teus avós e fizeste uma berraria incompreensí­vel porque não querias lá estar… até te passar, claro; duas horas depois foi berraria porque não querias voltar para casa.

Mas as tuas birras são normais, não são nem mais nem menos do que esperávamos e não são o fim do mundo – pelo menos tento convencer-me que durante os próximos dois ou três anos vão acabar.

E como os teus pais não estavam bem contigo a crescer, a ficar mais independente, a precisar de menos atenção e vigilância constante, a tua mãe está grávida de cinco meses. Por agora as tuas reacções ao facto são de quase indiferença, tirando o ocasional mimo na barriga ou a ocasional necessidade de reafirmação de que o “Tiago é bebé”, portanto vamos ver como, daqui a quatro meses, dás as boas vindas í  tua irmã…

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