Um apelo

Jovem, trabalhas na PT, especificamente no quinto piso, em Picoas?

És programador, engenheiro, comercial, designer, quiça gestor? Enfim, tens uma carreira profissional, responsabilidades, competências, capacidades e até mesmo, quem sabe, alguma inteligência?

Então…

POR FAVOR PíRA DE MIJAR NA PORRA DO ASSENTO DA SANITA!

Obrigado.

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Tiálogos XVI. Dezoito meses.

Dezoito meses, puto… sim, ainda se mede em meses, mas basicamente é ano e meio, feito ontem, dia 11 de Setembro.

Terminas hoje a tua segunda semana de infantário e as coisas parecem estar a correr bem: já te integras mais com os outros miúdos, dormes bem e comes bem. No sweat.

Continuas a desenvolver-te em todas as frentes, sempre com especial detalhe para a destreza manual, o teu forte desde muito cedo. Gostas de montar e desmontar coisas, fazer pilhas e torres com vários objectos e começaste a divertir-te a tentar combinações diferentes para um look mais eclético.

Ao fim e ao cabo, um gajo tem que ter algum orgulho artí­stico, mesmo que seja apenas na construção de uma torre de brinquedos prestes a ser destruida ao pontapé.

A última surpresa foi ver-te fazer escalas e tentar tocar melodias simples nos teus brinquedos musicais. Ficámos um bocado aparvalhados porque, sinceramente, não estavamos í  espera, mas tu pegaste num autocarro que tem oito notas em botões coloridos e começaste a tocar, metodicamente, com o dedinho espetado: dó, si, lá, sol, fá, mi, ré, dó. E depois ascendendo, sempre com muito cuidado.

Depois de brincar um bocado com escalas – se calhar estavas só a aquecer – começaste a tocar pequenas melodias; talvez ao acaso, talvez não – não cheguei a perceber – mas lá que é fantástico ver-te fazer estas experiências… é.

Falar é que não é contigo!

Como ainda por cima nós não somos daqueles pais que interpretam todas as sí­labas como palavras – “papapapapap” – Ele disse papa! Ele disse papa! – continuamos pacientemente í  espera que o teu repertório se expanda para lá de “dá!” e “bó!”. A maneira como já compreendes tudo o que te dizemos, mesmo algumas coisas mais retorcidas, faz-nos pensar que só não falas… porque não te apetece.

Mas nós somos pacientes, leva o tempo que precisares.

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Cristiano, chega para lá

A Inglaterra foi ontem jogar í  casa da Croácia e ganhar por expressivos 4-1. Três dos golos ingleses foram marcados por um só jogador, a lembrar: Theo Walcott. Cheira-me que a bota de ouro do Cristiano vai para as mãos deste rapazinho que por um ano não nascia já nos anos 90, dentro em breve.

E não era o Benfica que precisava de avançados…?

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Já está!

Os primeiros disparos do LHC foram feitos hoje de manhã. Por enquanto ainda não foram feitas colisões, mas podemos esperar coisas interessantes durante o próximo ano. E um pouco por todo o lado, geeks estão excitadí­ssimos: uns percebem de fí­sica e compreendem a razão da sua própria excitação… outros estão apenas a preparar o bloco castelo para pedir um autógrafo ao Marty McFly.

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O mito da cabeça partida

Durante muitos anos senti-me algo excluí­do: sempre fui um dos poucos que nunca partiu a cabeça.

Todos os miúdos contavam as suas histórias sobre partir a cabeça: fiz isto e aquilo e parti a cabeça, caí­ da bicicleta e parti a cabeça, já parti a cabeça três vezes.

E eu espantadí­ssimo… porra, é que a cabeça é rija! E como se não bastasse, uma fractura no crâneo não é uma brincadeira, lá está, de crianças. O que andavam a fazer todos estes putos para rachar a moleira a torto e a direito?

Depois de crescer, deixaram de ser as crianças com as histórias de cabeças partidas e passaram a ser os adultos: uns que contavam as suas próprias histórias e outros que falavam dos filhos: O Vicentinho lá partiu a cabeça, a Maria partiu a cabeça outra vez, aquela miúda põe-me doida!

Evidentemente, o ingénuo era eu. E fui-o durante muitos anos e só ao presenciar uma cabeça partida, há uns tempos atrás, me apercebi da verdade.

Pumba, lá foi o puto, de testa ao chão! “Já partiste a cabeça, Cristiano!”, exclamou o papá.

Era, como é evidente, um arranhão, uma ferida. Por vezes um lanho, quem sabe necessitando de alguns pontos, mas nunca, como é evidente, uma cabeça partida. Aprendi então, recentemente, que em Portugal, qualquer ferida ou golpe no corpo é… uma ferida ou um corte; mas na cabeça é uma fractura.

E assim sendo, com a cicatriz na sobrancelha para o provar e tudo… EU Jí PARTI A CABEí‡A!

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