Dezoito meses, puto… sim, ainda se mede em meses, mas basicamente é ano e meio, feito ontem, dia 11 de Setembro.
Terminas hoje a tua segunda semana de infantário e as coisas parecem estar a correr bem: já te integras mais com os outros miúdos, dormes bem e comes bem. No sweat.
Continuas a desenvolver-te em todas as frentes, sempre com especial detalhe para a destreza manual, o teu forte desde muito cedo. Gostas de montar e desmontar coisas, fazer pilhas e torres com vários objectos e começaste a divertir-te a tentar combinações diferentes para um look mais eclético.
Ao fim e ao cabo, um gajo tem que ter algum orgulho artístico, mesmo que seja apenas na construção de uma torre de brinquedos prestes a ser destruida ao pontapé.
A última surpresa foi ver-te fazer escalas e tentar tocar melodias simples nos teus brinquedos musicais. Ficámos um bocado aparvalhados porque, sinceramente, não estavamos í espera, mas tu pegaste num autocarro que tem oito notas em botões coloridos e começaste a tocar, metodicamente, com o dedinho espetado: dó, si, lá, sol, fá, mi, ré, dó. E depois ascendendo, sempre com muito cuidado.
Depois de brincar um bocado com escalas – se calhar estavas só a aquecer – começaste a tocar pequenas melodias; talvez ao acaso, talvez não – não cheguei a perceber – mas lá que é fantástico ver-te fazer estas experiências… é.
Falar é que não é contigo!
Como ainda por cima nós não somos daqueles pais que interpretam todas as sílabas como palavras – “papapapapap” – Ele disse papa! Ele disse papa! – continuamos pacientemente í espera que o teu repertório se expanda para lá de “dá!” e “bó!”. A maneira como já compreendes tudo o que te dizemos, mesmo algumas coisas mais retorcidas, faz-nos pensar que só não falas… porque não te apetece.
Mas nós somos pacientes, leva o tempo que precisares.