Na passada sexta-feira, foi lançado na Europa um dos jogos mais antecipados dos últimos cinco anos: a nova criação de Will Wright, o “inventor” do Sim City e Sims. Chama-se Spore.
Anunciado há anos, o jogo tem todos os ingredientes típicos dos jogos de Wright com um tempero extra: praticamente tudo pode ser criado pelos jogadores e depois partilhado online.
Começamos como uma célula que, viajando num meteoro, aterra num novo planeta onde irá evoluir. A cada estágio de evolução, podemos remodelar o corpo da nossa criatura e acrescentar-lhe membros e orgãos para a tornar mais eficaz no papel que queiramos que desempenhe.
A evolução da célula vai ao extremo: da poça de água para a terra, de selvagem a social, de primitivo a explorador espacial. O jogo tem tudo para ser mais um estrondoso sucesso como SimCity e The Sims atrás de si.
Excepto um pormenor chamado DRM.
A editora e distribuidora do jogo, a nefasta, “aqui não há sangue”, Electronic Arts decidiu equipar o jogo com SecuROM, uma forma de Digital Rights Management particularmente castigadora, tratando, mais uma vez, os seus clientes como criminosos.
Pelo que tenho lido, o DRM impede a instalação em mais do que três PCs, sendo que qualquer mudança de hardware num PC conta como um novo PC, requerendo re-activação do jogo. Tendo em conta a velocidade com que alguns gamers trocam de placa gráfica hoje em dia, esta limitação torna a vida útil do jogo muito curta.
Como se não bastasse o DRM é praticamente inútil, porque o jogo já estava disponível em torresmos 4 dias antes do lançamento, com a única desvantagem de não se ter acesso í componente online.
Por causa desta “protecção” instalada pela EA, centenas de pessoas estão a ir í Amazon dar uma estrela ao jogo. Na altura em que escrevo isto, já ia em 1227 votos, sempre acompanhados de um comentário do género: “o jogo é óptimo, o DRM é péssimo”.
Pesquisando pela net, não consegui encontrar nenhum movimento concertado de boicote ao DRM do Spore que motivasse tantas centenas de pessoas a dar-se ao trabalho de ir í Amazon deixar o seu protesto. Será possível que este seja um movimento de massas espontâneo?
Será que é desta que as editoras apanham a dica de que o DRM é mau?
Enquanto espero para ver, vou ver como está a desenvolver-se a minha aldeiazinha de 12 habitantes…