Actifry

Já há algum tempo que andava com vontade de experimentar uma Actifry que me tinha sido aconselhada vivamente. Depois de ter uma Bimby emprestada e ter feito uns testes e uma review, ocorreu-me que ninguém melhor para me emprestar uma Actifry do que a própria Tefal.

Enviei então um e-mail para o fabricante solicitando um aparelho para testar.

Vários meses depois recebi a – esperada – resposta negativa. Agradeci, com sinceridade e compreendo a posição da Tefal. Em contrapartida, não posso deixar de pensar que se eu tivesse dito que era jornalista da Visão a querer escrever uma peça sobre a fritadeira, ter-me-iam facultado um exemplar de cada um dos modelos no mercado.

Avançando.

Uma das triagens que foi necessário fazer na mudança de casa foi a das panelas: as que serviam para indução vieram, as que não serviam, ficaram.

A nossa fritadeira não servia, pelo que foi para o lixo. Criou-se assim a oportunidade ideal para trocar uma fritadeira de imersão por uma Actifry.

Comprei-a pouco depois da mudança, a meio de Outubro e agora que já a tenho há quase dois meses, já coleccionei experiências (e respectivas fotos), suficientes para escrever sobre este aparelho.

A Actifry existe em três modelos: a normal, a gourmand e a family. O preço é ascendente: a primeira custa 229 euros, a segunda, 249 e a terceira custa 279.

As diferenças são as seguintes: a Actifry normal faz 1 kg de batatas fritas, a Actifry Gourmand faz 1 kg de batatas fritas… mas é preta e a Actifry Family faz 1,5 kg de batatas fritas.

A única outra diferença da normal para a gourmand, além da cor, é o livro de receitas que traz mais variedade de pratos. Tirando isso, que se arranja facilmente na net, a Tefal cobra mais 20 euros pela cor.

A preta até ficava melhor na minha cozinha, mas este tipo de manobra irrita-me de tal forma que comprei a branca.

O que é, afinal, a Actifry?

A Actifry é uma fritadeira que cozinha com uma fracção quase insignificante do óleo normalmente usado para fritar por imersão.

Para fritadeira, a Actifry é cara; a própria Tefal tem uma por 80 euros, a Philips, uma por 100 e há outras marcas com fritadeiras í  volta dos 50 euros.

No entanto, todas estas fritam por imersão em óleo, que é onde a Actifry decididamente marca a diferença.

A Actifry frita fazendo circular ar quente enquanto remexe lentamente os alimentos, usando apenas uma colher de óleo (vem com uma colher-medida, mas digamos que é uma colher de sopa).

Esta forma de cozinhar permite fazer alimentos que normalmente seriam cozinhados por imersão, bem como fritos usualmente feitos na frigideira, ou salteados. Evidentemente, as fritadeiras eléctricas concorrentes apenas permitem fritar por imersão.

Vêem-se muitas comparações da Actifry com a Bimby, mas são aparelhos essencialmente diferentes e não se pode dizer que a primeira custa um quinto da segunda sem se ter em conta que a Actifry não tem balança, não tem picadora, não tem múltiplos acessórios, etc.

No entanto posso desde já adiantar que gostei de toda a comida que fiz na Actifry até agora e o mesmo não pode ser dito da minha experiência com a Bimby.

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A máquina

A Actifry é ampla e parece bem construí­da, excepto a grelha de ventilação atrás que vinha partida quando a comprei (claro que troquei por uma nova), e que é de um plástico diferente do resto do aparelho.

É uma máquina simples e os componentes principais desmontam-se e lavam-se na máquina, incluindo a tampa.

Os dois botões centrais abrem a tampa (são dois que têm que ser pressionados simultaneamente por uma questão de segurança), a pega da cuba principal é retráctil e a pá que remexe os alimentos desencaixa.

No topo, está uma das partes menos bem conseguidas da fritadeira: o temporizador. A máquina não arranca se não seleccionarmos um tempo de cozedura – o que me parece sensato, para quem tem tendência a deixar as máquinas ligadas e esquecer-se delas, queimando a comida – mas quando o tempo chega ao fim, a Actifry não se desliga.

Isto é, no mí­nimo, estranho. A máquina apita, mas continua a cozinhar.

Funções

Bom, a Actifry não tem um manancial de funções como a Bimby, o que não é de espantar porque, como já disse, não é o mesmo tipo de máquina.

No entanto, é aqui que acho que a comparação de valores pode fazer algum sentido. A Bimby tem inúmeras funções, sim e é um aparelho mais complexo, sem dúvida e que custa cinco vezes mais, já sabemos. Mas, com a sua simplicidade e função única, a Actifry já me proporcionou mais refeições saborosas do que a Bimby, no tempo em que a tive em casa.

A comida

Como a Actifry é primordialmente uma fritadeira de batatas, digo-vos já o que acho das batatas. São fantásticas.

Tendo em conta que ainda não tive tempo, nem paciência para ir comprar batatinhas, descascar batatinhas, cortar batatinhas e fritar batatinhas, apenas usei batatas congeladas (btw, McCain), mas como congeladas é o que costumamos comer cá em casa, foi muito fácil fazer uma comparação.

As batatas congeladas são pré-fritas, pelo que podem fazer-se na Actifry sem adicionar óleo. Podem, mas não devem. Ficam comestí­veis, mas com um sabor estranho que creio ter a ver com o óleo onde são pré-fritas. Com a colherinha de óleo Fula ficam muito melhores e também muito melhores do que fritas por imersão.

Os tempos de fritura da Actifry assustam qualquer um: 45 minutos para fritar batatas. Ouch! Mas o que não se percebe logo é que são precisos 45 minutos para fritar 1 kg de batatas!

Uma dose suficiente para três, cá em casa (para depois o Tiago deixar as dele todas já que deve ser a única criança de 3 anos do Universo que não come batatas fritas), fica pronta em cerca de 20 minutos.

Se fizermos as contas a quanto tempo demora a aquecer o óleo a 180 graus e depois a fritar as batatas, se calhar a Actifry ainda assim demora mais, mas não muito mais e o resultado é compensador.

As batatas ficam tostadinhas nas pontas, molinhas no meio, mesmo como eu gosto e quando se mordem, em vez de estarem ensopadas em óleo, estão sequinhas.

Mas nem só de batatas fritas vive o homem e a Actifry vem com um pequeno livro de receitas (o tal que é maior na edição gourmand), das mais variadas comidas e na net encontram-se muitas mais, geralmente escritas por senhoras que também têm uma Bimby, como esta.

Para confirmar que a Actifry serve, efectivamente, para fazer outras coisas, decidi experimentar vários pratos. Ao contrário da Bimby, em que segui o livro oficial, com resultados desastrosos, tudo o que fiz na Actifry foi improvisado por mim.

Fiz castanhas, camarões com Martini e azeitonas, almí´ndegas e perninhas de frango com sementes de sésamo, bifes de peru recheados e Texas cheese fries – embora isso sejam apenas mais batatas fritas :-)

Correu tudo bem e os resultados foram mesmo por vezes surpreendentes. As perninhas de frango, por exemplo, pensei que tivessem ficado uma porcaria, mas fiquei espantado quando vi o Tiago, que mal costuma jantar, a devorar duas, sem parar para respirar.

Cozinhar com a Actifry é simples: basta colocar os ingredientes, decidir se se acrescenta gordura ou não, programar o tempo e ligar. Em qualquer altura, é possí­vel abrir a fritadeira, mexer nas coisas, acrescentar algo e voltar a fechar para terminar a fritura.

Uma das coisas que gosto na Actifry é que mistura muito bem os alimentos com os temperos, provavelmente por demorar algum tempo e ir mexendo lentamente as coisas. Uma das coisas que menos gosto, porém, é que a pá, apesar de curva e suave, desfaz alguns alimentos.

Também não aconselho a que se cozinhe coisas com queijo, como os bifes de peru recheados que eu fiz e cujo queijo derreteu e ficou por todo o lado. Foi chato lavar aquilo, se bem que, verdade seja dita, pudesse ter ido í  máquina.

Finalmente, existe um risco das coisas na Actifry ficarem um bocadinho secas. Foi o que aconteceu com as almí´ndegas, portanto convém ter isso em atenção e compensar devidamente, na receita.

Almí´ndegas na Actifry
As almí´ndegas, temperadas com sal, pimenta, alho e óregãos, dentro da Actifry
Temporizador da Actifry
A parte mais fracota da Actifry, o temporizador
Almí´ndegas na Actifry
As almí´ndegas a cozinhar, são revolvidas pela pá da Actifry que desfez uma ou duas, mas a maioria ficou intacta
Almí´ndegas na Actifry
As 28 almí´ndegas ficaram prontas em 15 minutos
Molho de tomate para almí´ndegas feitas na Actifry
Entretanto, fiz um molho de tomate í  parte.
Almí´ndegas feitas na Actifry colocadas no molho
As almí´ndegas ainda passaram pelo molho mais cinco minutos
Resultado final das almí´ndegas feitas na Actifry
On top of spaghetti, All covered with cheese, I lost my poor meatball, When somebody sneezed!

As almí´ndegas ficaram boas, mas um pouco secas, coisa que o molho ajudou a compensar.

Para fazer frango, comprei umas pernas a que tirei a pele e temperei com alho, molho de soja, óregãos, sal, pimenta e sementes de sésamo que se agarraram facilmente í  carne.

Pernas de frango prontas para ir para a Actifry
As perninhas, temperadinhas
Perna de frango frito na Actifry
O resultado final, acompanhado de macarrão com mozzarella

Ficou óptimo e não acrescentei qualquer gordura ao frango, assim como já tinha acontecido com as almí´ndegas.

E finalmente, tenho fotos das Texas Cheese Fries, uma entrada deliciosa que costumo comer no Chili’s e que tentei emular em casa com sucesso considerável.

Para as fazer, comprei batatas congeladas ‘steakhouse’ do Pingo Doce, que temperei com sal grosso, pimenta preta e alho em pó e fritei na Actifry durante 25 minutos.

Nos últimos 5 minutos, aqueci o forno a 300 graus e grelhei tirinhas de bacon.

Depois de prontas as batatas, transferi-as para um tabuleiro, deitei o bacon por cima e cobri com mozzarella ralado. Meti no forno até o queijo derreter e depois adicionei jalapeños í s rodelas e comi. Estava bom.

Os jalapeños também podem ir antes e entrar também no forno, para ficarem mais sequinhos.

Batatas na Actifry
As batatas vão para dentro da Actifry com sal grosso, alho em pó e pimenta preta
Batatas feitas na Actifry
Ao fim de 25 minutos, saltaram para um tabuleiro de ir ao forno
Batatas feitas na Actifry
O bacon, ingrediente que torna tudo melhor
Batatas feitas na Actifry
O resultado final, ainda sem jalapeños

Conclusão

A Actifry parece-me ter sido uma boa compra, mesmo que apenas a use para fritar batatas. O facto de usar quase óleo nenhum pode parecer quase insignificante í  medida que a usamos e nos esquecemos como costumávamos fazer fritos.

A fritura por imersão é chata, o óleo queima rapidamente, ou fica cheio de detritos, não é fácil de deitar fora, as fritadeiras são extremamente difí­ceis de lavar e muitas delas acabam mesmo por ficar incrustadas de gordura que simplesmente não sai, a comida fica muito gordurosa, etc.

Mas a comida frita sabe bem e com a Actifry continua a saber bem, mas pode cozinhar-se apenas com uma colher de óleo que nunca é reutilizado.

Além disso, a Actifry permite fritar outros alimentos sem a vigilância constante que este tipo de confecção normalmente implica e com resultados bastante aceitáveis.

Não gosto particularmente do preço, creio que a Tefal devia apontar aos 199 euros, quebrando a barreira mental dos 200 e provavelmente venderia Actifries como pãezinhos quentes (ou batatas fritas), aqueles 29 euros a mais no preço criam alguma hesitação e os 20 que separam a normal da gourmand chegam a ser ridí­culos, mas pronto, isso já é a lei do mercado.

A máquina é um pouco grande, ocupando praticamente “uma unidade” de bancada, isto é, quase tanto como uma placa, portanto convém ter espaço para ela, mas isto é normal em qualquer fritadeira eléctrica.

Não vejo a Actifry como um aparelho que me poupe tempo, nem sequer um que me ajudasse a cozinhar se eu não soubesse, aliás, basta ver que tudo o que lá fiz saiu da minha cabeça e não de livros de receitas.

Vejo-a como uma máquina que me simplifica um bocadinho a vida, permitindo-me fritar coisas sem as vigiar muito de perto e também como um aparelho que me dá o prazer de comer fritos, sem todas as implicações de saúde que as fritadeiras tradicionais apresentam.

Portanto, eu diria que vale a pena ter uma, embora aconselhasse vivamente a Tefal a descer o preço apenas 30 euros. A menos, claro, que a objectivo da marca seja outro.

Vantagens:

  • Fácil de usar
  • Lava-se toda na máquina
  • A comida fica saborosa e mais saudável (do que métodos alternativos)
  • Não deita vapores nem cheiros desagradáveis
  • Frita com quantidades mí­nimas de gordura
  • Razoavelmente versátil

Desvantagens:

  • O preço podia ser um nadinha mais convidativo
  • Faz algum ruí­do (ventilador), mas nada do outro mundo
  • Não se podem adicionar lí­quidos em quantidade (tipo sopa)
  • Para maiores quantidades de alimentos, os tempos de confecção são longos

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Deixem-me em paz!

Nove da noite, os putos a dormir e eu a preparar-me para deitar as unhas ao GT5 quando tocam í  porta.

Era a polí­cia.

Parece que um útil membro da nossa sociedade decidiu escaqueirar-me um vidro do carro, remexer as minhas coisas e ir-se embora sem levar nada.

Na altura praticamente nem reagi. Fui a casa buscar os documento e segui os agentes até í  esquadra do Pragal para apresentar queixa.

“Serve de alguma coisa?”, perguntei eu.

“Pelo menos serve para não dizerem que Portugal é um paí­s de brandos costumes…”, respondeu o polí­cia. E só com isso convenceu-me.

A PSP foi impecável, sugeriram-me que deixasse o carro í  porta da esquadra durante a noite, para minorar as hipóteses de acontecer mais alguma coisa. Foram simpáticos, úteis, prestáveis e no fim, depois da papelada preenchida, ainda me deram boleia para casa.

Nunca me tinham assaltado o carro antes, se bem que, verdade seja dita, dantes eu tinha garagem.

Como um mal nunca vem só, claro, desatou a chover e choveu a noite toda. Dentro do carro, obviamente.

De manhã, tive que levar o Tiago í  escola a pé, í  chuva, antes de ir ao Pragal buscar o carro.

Seguiu-se uma visita í  Sulcarvidro, na zona industrial do Feijó para encomendar um novo vidro que chegará amanhã.

Por causa de um anormal que provavelmente tem a capacidade intelectual de um quadrado de queijo e que merece passar o resto dos dias a comer trinca de arroz do chão de uma estrebaria, foi o meu filho para a escola a apanhar chuva, fui eu para a esquadra passar duas horas em vez de estar em casa calmamente a divertir-me que bem preciso, vou ter que pagar um vidro novo, gastando pelo menos duas manhãs com o processo (e dinheiro, claro, porque a seguradora só cobre vidros partidos por alterações térmicas, acidentes cósmicos ou telequinese).

Esse espécime sub-humano, indigno de sequer andar na mesma rua que eu, quando mais viver no mesmo paí­s, deve ter satisfeito uma qualquer necessidade primária (suspeito que masculina, mas não quero discriminar í  toa); terá ficado muito satisfeito por perceber que não havia nada de valor no meu carro – dois pares de óculos escuros razoavelmente antigos, uns carregadores de isqueiro, umas chaves de bocas -  nada que valesse sequer perto dos 80 e tal euros que vou pagar por um vidro novo.

Bom, havia as cadeiras dos miúdos, mas isso não é coisa que se roube nem, aliás, deve ser nada com que a aventesma consiga sequer relacionar-se já que, não tenho dúvidas, que não sabe sequer o que é uma criança, quando mais uma cadeira automóvel para as transportar.

Estes parasitas só não são completamente inúteis para a sociedade porque acredito que dariam excelente estrume para alimentar colheitas ou mesmo canteiros em jardins públicos. E eu, que sou um gajo moderado, fico completamente alterado com coisas destas, com estes consumidores de oxigénio com pernas que interferem na vida dos outros, que agem impunes, causando danos, transtornos, incómodos com um acto simples e completamente inútil mostrando uma estupidez assoberbante e convencendo-me que, de facto, eu, como muita gente, me levanto de manhã e vou trabalhar todos os dias, para pagar os impostos que servem para pagar subsí­dios e rendimentos a estes animais.

Dá-me uma extrema-direitite aguda, aqui nos rins  – porque violaram aquilo que é meu, porque invadiram o que me pertence, o carro – apenas uma carcaça – mas onde transporto a minha famí­lia, os meus filhos e que acaba por ser uma extensão móvel da minha casa; e pior ainda porque nunca vão ser apanhados e se fossem, nunca seriam, como deviam, fechados numa sala sozinhos com o Mr. Blonde.

"Ever listen to K Billy's 'Super Sounds of the 70s'?... It's my personal favorite."

E sim, eu sei que é um contra-senso usar um criminoso psicopata ficcional para ilustrar a ideia do vingador do criminoso, ranhoso, manhoso, merdoso da vida real que me partiu um vidro e sim, é só um vidro e sim, há milhares de militares nas favelas do Rio e gente com fome em ífrica e provavelmente muitos considerandos e atenuantes e muitas facetas e vertentes e variantes í  Nacional 10, mas a verdade é que eu… só quero… QUE ME DEIXEM EM PAZ!

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Fim de semana cheio

Este foi um fim de semana em cheio, sobretudo para o Tiago que há muito tempo que anda a passar os ditos fechado em casa a aturar os pais.

No Sábado, já estava ele a apagar, com sono, saí­mos para ir í  festa de aniversário do seu maior amigo lá da escola, o Eddie.

O Eddie e o Tiago são uma instituição, neste momento, sempre que alguém se aproxima gritam-lhe “Eddietiago!”, pumba, marca registada. Nos dias em que o Eddie não aparece na escola, o Tiago fica preocupado e é a primeira coisa que me diz quando o vou buscar.

O Tiago protestou, foi complicado vesti-lo e adormeceu nos 5 minutos de viagem de carro até í  festa, mas depois, assim que viu o amigo, tudo se dissipou e esteve duas horas imparável a brincar.

Depois, seguimos para casa da minha tia Bela para festejar o seu aniversário. A Joana demorou um bocadinho a aceitar que não ia para a caminha í s sete da tarde como gosta, mas lá acabou por adormecer e ainda ficámos um bocado, com o Tiago no sofá a ver um filme enquanto os crescidos jantavam.

No dia seguinte, foi a vez dos avós maternos levarem o Tiago para dar uma volta e brincar lá em casa. Mais uma vez, voltou exausto, já praticamente não jantou, limitou-se a lavar os dentes, tomar banho e adormecer quase assim que caiu í  cama.

Ele fica quase insuportável quando está com sono, mas é bom vê-lo cansado por uma boa causa. Ando a planear levá-lo ao cimo do Cristo Rei para ver a ponte, duas coisas que ele vê aqui da janela e que provavelmente nem imagina que se podem ver de perto.

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Hoje fiz chili outra vez

Por incrí­vel que pareça, quando procuro no blog pela minha primeira receita de ‘chili con carne‘, reparo que a dita foi escrita há mais de seis anos, em Julho de 2004. Como o tempo passa.

Depois de andar a fazer experiências cientí­ficas para fazer recheio de tacos para o Codebits (a história toda há-de aparecer cá no blog em português, mas aqui está o que escrevi para o blog do CB, em inglês), e de ter cozinhado Nuclear Tacos para cento e tal pessoas, fiquei com vontade de fazer uma boa e velha panela de chili.

O chili e o recheio de tacos que faço é diferente, embora seja mais ou menos a mesma coisa, o chili é lentamente cozido numa panela com Guinness, enquanto a carne para os tacos foi apenas rapidamente frita e depois comida com queijo e vegetais frescos.

Desta vez queria fazer um chili mais soft, a puxar mais pelo sabor e menos pelo picante. Já me é um bocadinho difí­cil escrever uma receita daquilo porque basicamente vou fazendo e provando até estar bom e é tudo feito a olho.

No entanto, como algumas pessoas pediram, aqui vai uma espécie de receita:

Ingredientes:

  • Carne picada
  • Óleo
  • 4 dentes de alho
  • 1 cebola
  • Sal
  • Pimenta preta
  • Meio pimento vermelho
  • 4 malaguetas grandes
  • 1 Guinness
  • 1 lata pequena de tomate pelado em pedaços
  • Uns pezinhos de salsa
  • Paprika
  • Cominhos
  • Pimenta Cayenne
  • Piri-piri em pó
  • Vinagre de sidra
  • 1 lata pequena de feijão encarnado

Isto não tem ciência nenhuma: a carne é frita antes de ser cozida. Para isso, deita-se numa frigideira com um bocadinho de óleo quente (ou azeite, se preferirem, ou manteiga, ou até mesmo gordura de bacon… hum, para a próxima já sei), e alho picado.

Deita-se sal na carne, claro e mói-se um bocado de pimenta preta lá para cima também. Frita-se bem a carne, até estar bem solta e castanha, depois deita-se numa panela e junta-se a cebola cortada em bocados, fatias ou o que preferirem – eu gosto de pedaços grandes de cebola, portanto não a corto muito.

Deita-se lá para dentro o tomate e respectiva polpa e mistura-se bem. Juntam-se as malaguetas cortadinhas (sem desperdiçar sementes), o meio pimento í s tiras, salsa picada, os cominhos (eu prefiro comprar sementes e esmagar com uma colher, deitam muito mais cheiro do que os que se compram já moí­dos) e um bocado de paprika por cima para avermelhar a coisa.

Depois, como não quis fazer uma coisa demasiado picante e já lá tinha as quatro malaguetas, pus uma colher de sobremesa de pimenta Cayenne e outra de piri-piri em pó, apenas, mas aqui é com cada um e o ideal para obter sabores interessantes é misturar picantes diferentes. Depois de tudo muito bem misturado, prova-se para ver se está equilibradinho ou se precisa de mais alguma coisa – eu adicionei mais sal e um bocado simpático de vinagre de sidra.

Agora está pronto para o ingrediente mágico: Guinness lá para dentro e segue-se a parte fácil: deixar cozer, tapado, durante o tempo que vos apetecer. Uma hora, mí­nimo. Duas, três ou quatro… conforme a paciência que tiverem. Quanto mais tempo, mais apurado. O meu cozeu duas horas.

No final, deita-se a lata de feijão lá para dentro e cozinha-se mais quinze minutos.

Aconselho a comer com ‘chips’ de milho mexicanas – há diversas marcas e variantes nos super-mercados e arroz branco.

Ficou tão bom que a minha mulher poderá confirmar que no final do jantar lhe perguntei se seria ilegal casar-me comigo mesmo.

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É preciso é calma

Há 37 anos que Almada é governada por comunistas. É o Concelho vermelho. Desde o 25 de Abril que Maria Emí­lia de Sousa é Presidente da Câmara.

Claro que o PCP nunca vai a votos. É, aliás, algo que nunca percebi: o PC parece precisar de se esconder em coligações e alianças – a boa e velha APU e a mais recente CDU. Ah e tal, os Verdes.

Mas adiante. Que Almada é um Concelho comuna, toda a gente sabe e eu agradeço. Agradeço porque a par da União Soviética, Almada é um grande exemplo de como o comunismo não funciona.

Uma vez alguém me disse que a corrupção não era muito grave nas Autarquias, que apenas existia nas Câmaras com departamentos de planeamento urbano. Claro que era um comentário sardónico: todas as Câmaras têm um departamento de planeamento urbano.

Acrescento agora eu que esse departamento poderá cair fora de moda com a criação dessas magní­ficas entidades que são as empresas de estacionamento.

Os Lisboetas e quem trabalha na Capital já há muito que se habituaram í  EMEL, mas os Almadenses apenas há pouco tempo começaram a ter que lidar com a sua congénere da Margem Sul: a ECALMA.

A Câmara de Almada montou na cidade (talvez no Concelho, não conheço a realidade das outras cidades), uma das melhores golpadas da História, nos últimos cinco anos.

Comunistas, preocupadí­ssimos com o Povo e com os trabalhadores, espalhando pelo Concelho cartazes que acusam que o Orçamento do Estado é “um roubo!” do Governo, os Autarcas de Almada conseguiram, efectivamente, privatizar a grande maioria do espaço público da cidade, pondo todos os habitantes de Almada de joelhos perante a todo-poderosa ECALMA.

Com a grandiosa obra do Metro de Superfí­cie, eliminou-se uma quantidade tão grande de lugares de estacionamento na cidade, que me é difí­cil fazer contas de cabeça para tentar dar uma estimativa da percentagem que desapareceu.

A esmagadora maioria das zonas de estacionamento que sobraram, foram convertidas em zonas de estacionamento exclusivas para residentes ou zonas de parquí­metro.

A ECALMA “construiu” ainda parques e explora outros que já existiam. Pagos, claro.

Como eu disse, isto é perfeitamente comparável a uma enorme privatização de praticamente todo o estacionamento existente nas ruas de Almada.

Circular em Almada ficou extremamente dificultado com a introdução do Metro, qualquer Almadense poderá atestar isso mesmo; além disso, é também extremamente difí­cil estacionar.

O que me leva ao ponto seguinte: o dí­stico de residente.

Como recentemente me mudei e deixei de ter garagem por perto, chegou a hora de obter um cartão de residente para estacionar na minha zona. Bom, na verdade, deveria dizer na minha UOGEC. Sim, UOGEC – Unidade Operativa de Gestão do Estacionamento e da Circulação.

Sim, meus amigos, a Câmara de Almada chama Unidade Operativa de Gestão do Estacionamento e da Circulação a uma porcaria de um conjunto de ruas e bairros onde se passa e estacionam carros. Esta é apenas a ponta do iceberg que é a burocracia impenetrável da ECALMA uma empresa que existe, não tenho dúvidas, para nada mais do que sugar dinheiro aos Almadenses e aumentar a receita da CMA.

Fui um destes dias de manhã a Lisboa renovar a minha carta de condução para que dela constasse a minha nova morada e depois dirigi-me í  ECALMA para obter um dí­stico de residente.

Levei o Cartão de Cidadão – um método de identificação com assinatura digital que prova a minha morada e a minha identidade – a minha carta de condução, que prova que estou habilitado a conduzir um veí­culo automóvel e o registo do automóvel, que prova que o mesmo me pertence.

Parece-me suficiente. Até me parece excessivo – não precisaria da carta de condução, já que o veí­culo poderia pertencer-me, mas ser conduzido por outrém.

Assim, o tí­tulo de propriedade do veí­culo provaria que ele existe e está em meu nome e o meu cartão de cidadão identifica-me e contém a minha morada.

Dois documentos.

Sabem quantos documentos são precisos?

Oito.

O cartão de cidadão ou BI, o tí­tulo de propriedade do carro, o seguro do carro, o selo do carro, o certificado de inspecção do carro, uma carta das finanças ou declaração de domí­cilio fiscal, cartão de eleitor e a carta de condução.

Oito.

Todos os documentos devem ter a nova morada. Eu repito: todos.

O meu pedido foi imediatamente recusado porque o tí­tulo de propriedade do carro não tem ainda a morada certa. Embora o Cartão de Cidadão tenha a morada certa, a ECALMA não dispõe de leitor de cartões. Eu tenho um, comprei-o, nem foi caro. Mas a ECALMA não tem um. O mesmo se aplica ao cartão de eleitor, claro.

Conveniente.

A carta de condução tem a morada actualizada, a carta das finanças tem a morada actualizada, mas isso não chega. Ah e, claro, não levei o selo, o seguro, nem o certificado de inspecção porque não consigo conceber sequer em que situação qualquer desses documentos seria necessário para eu obter um cartão para poder estacionar perto de casa.

Pedi í  senhora da ECALMA que então me passasse uma declaração provisória que me permitisse estacionar (lembrem-se, fiz prova da morada e de titularidade do veí­culo, não era um pedido í  toa), o que me foi negado.

Pedi então que me sugerissem onde estacionar. “Fora da zona de residentes”.

Repeti: então onde sugerem que estacione?

É que com a cidade completamente loteada pela ECALMA, estacionar fora da zona de residentes significa pagar para estacionar numa zona  de parquí­metros – explorados pela ECALMA – ou num de vários parques explorados (nem todos, mas…), pela ECALMA, claro.

Para ter um lugar para estacionar perto da minha casa – e eu nem sou dos paranóicos que tem que ter o carro í  porta, não me importo de andar um bocadinho a pé – tenho que apresentar sete documentos, em condições de actualização especí­ficas e, claro, pagar.

O cartão é renovável, mediante pagamento, todos os anos.

A ECALMA não me fornece um dí­stico temporário enquanto trato da papelada depois de ter acabado de me mudar, mas certamente que para me multar, não hesitarão, í  primeira oportunidade. Como tratar de actualizar os documentos leva tempo tenho três hipóteses apenas: vendo o carro e passo a andar exclusivamente a pé, servindo-me do Metro do qual já fui passageiro e que tem um serviço tão execrável, que desisti; estaciono no parque do Pingo Doce, pagando 70 euros por mês desnecessariamente porque na zona onde vivo até há lugares para estacionar; ou estaciono ilegalmente.

Passando na minha rua, percebe-se bem a realidade: apenas cerca de 50% dos carros tem dí­stico de residente. De vez em quando alguém é multado (eu como até agora saio de manhã cedo e volto í  noite, ainda não fui), mas é de vez em quando e ao acaso.

A ECALMA não ajuda a melhorar a circulação na cidade, nem a eliminar estacionamento abusivo. São capazes de multar malta perfeitamente bem estacionada, porque estão numa zona de residentes sem dí­stico (e olhem, se calhar até vivem ali í  frente!), mas na zona onde vivia, em Cacilhas, diariamente vários carros bloqueavam a passagem em várias pracetas sem qualquer intervenção deste magní­fico orgão regulador.

No escritório da ECALMA vi pessoas a agir como se de vassalos se tratassem. Pedem desculpa, solicitam esclarecimento, dizem que já colocaram no tablier o papel X com a as alí­neas A e B sublinhadas a vermelho, lamentam não saber que o dí­stico tem que estar a 15 cm da margem inferior do pára-brisas e sacam da carteira para pagar a multinha.

Quando percebi que não ia ter direito ao meu dí­stico, olhei para a senhora que estava a ser atendida ao meu lado e que percebi já não ser a primeira vez que lá ia, que me devolveu um sorriso e um encolher de ombros resignado.

They say jump. We ask: “how high?”

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