A Lelo é uma companhia Sueca de sex-toys (existe alguma expressão para isto em Português que não soe envergonhada?), que já ando a namorar há uns anos. Os brinquedos deles sempre me pareceram uns furos acima daquilo que a generalidade do mercado tem para oferecer: objectos bem desenhados, com a anatomia em causa em mente e não coisas dantescas com ondas e protuberâncias e saliências de plástico que sempre me pareceram mais dolorosas que outra coisa.
Mas adiante… nunca me cheguei a decidir encomendar nada de lá, porque não calhou, embora de vez em quando lá fosse passar os olhos no catálogo. Mas conversa puxa conversa (hoje em dia, no Twitter), e, pouco antes do Natal, a Ana ofereceu-se para me mandar um Bo para review.
Já o tenho, portanto, há uns tempos, mas não tenho tido o tempo necessário para fazer a review que o pequeno aparelho merece… e se merece.
Antes de mais nada, salta imediatamente í vista que os gadgets da Lelo não são iguais aos outros. Em vez de uma embalagem rude e boçal, amplamente ilustrada com pornstars exibindo colossais mamas de silicone, os Lelo vêm em embalagens dignas de qualquer produto de electrónica de gama alta.
Para quem aprecia e se diverte com este tipo de brinquedos para adultos, a sua automática ligação í mais óbvia e obscena pornografia não é necessariamente agradável. E atenção: eu não tenho nada contra pornografia, embora seja mais apreciador dos clássicos dos anos 70/80 do que das cenas chapa-7 que começam e acabam sempre da mesma maneira, com poucas variações no seu conteúdo e sem qualquer tentativa de história ou diálogos bacocos que faziam do porno a diversão que era quando eu tinha 14 anos.
Portanto a apresentação do Bo é imediatamente um dos seus pontos fortes: uma caixa preta, com as letras prateadas gravadas e no seu interior uma caixa de cartão rígida que permite manter tudo guardado sem confusões.
Mas a embalagem ainda melhora: é que o próprio brinquedo tem a sua caixinha de plástico, í medida, fácil de abrir (não muito fácil de fechar, mas não há azar, geralmente a pressa é para abrir, depois há tempo para arrumações…) e que permite transportá-lo para qualquer lado, levá-lo em viagem ou simplesmente tê-lo na gaveta da cómoda.
Bom, já expliquei que a embalagem é fantástica, mas afinal o que é que vem lá dentro?
O Bo é um anel vibratório peniano, ou seja, um cockring. E serve para transformar qualquer orgulhosa pila num vibrador, basicamente. Digo que serve para isso, porque o Bo serve realmente para isso. Outros produtos no mercado não fazem o que este faz… é um bocadinho difícil de explicar, mas aquilo está desenhado de tal forma que a vibração vai por ali fora e chega a dar vontade de rir.
Honestamente, se a vossa pila nunca vibrou de uma ponta í outra, ainda não viveram.
O que, num brinquedo, é óptimo. Isto porque estas coisas são mesmo para rir, para um gajo e uma gaja (ou outro gajo, ou duas gajas, ou três anões e um bezerro), se divertirem, de preferência í grande e í francesa.
Tendo já usado outros produtos semelhantes, posso afirmar sem qualquer sombra de dúvida que o Bo está completamente numa classe í parte. Não é só a apresentação da magnífica embalagem, nem a discrição da sua cor (neste caso, o azul escuro), é a qualidade do material – uma borracha mais firme, que estica menos, talvez dificultando um pouco a colocação, mas que oferece uma sensação mais firme, se me faço entender.
A vibração é também excelente, sem exageros, já que alguns dos brinquedos que por aí andam professam aquela filosofia do quanto mais melhor e chegam a parecer tuneladeiras tal é a potência daquilo e torna-se impossível encostar seja onde for sem, pelo menos, um bufferzinho têxtil.
E a pií¨ce de résistance desta maravilha da técnica é o facto de ser recarregável. Normalmente, este anéis têm uma bateria de relógio, chatíssima de substituir, mas não o Bo; o Bo é recarregável, via um pequeno adaptador de corrente, nada diferente dos de telemóvel.
Em suma: talvez nem todos os homens apreciem a ideia de colocar um anel de razoavelmente pequeno diâmetro na base do seu ganha-pão mas quando confrontados com a entumescência daí resultante talvez de sintam tentados usá-lo diariamente (mas atenção, não convém usar durante mais de uma hora).
Se tiverem o í -vontade e curiosidade necessários para explorar as opções mais do que diversas que a vibração deste pequeno aparelho oferece e passarem uns bocados divertidos com a vossa parceira, ou parceiro, ou o tal bezerro, então o Bo é definitivamente uma compra obrigatória.
É que não vale a pena gastarem dinheiro em produtos inferiores que nunca serão capazes de igualar a qualidade da Lelo. Honestamente, se estão curiosos para comprar um cockring, esta deve ser a vossa única opção.
Finalmente:
Prós:
– Produto de alta qualidade, feito para pessoas que gostam de sex toys mas não precisam de sentir-se como uma porn-star sempre que os usam, apresentado numa embalagem elegante
– Materiais superiores de aparência extremamente durável e de superfície suave
– Extremamente confortável de usar
– Vibração agradável, sem exageros
– Bateria recarregável
– Resultados interessantes, uma vez encontrado o posicionamento ideal para cada pessoa
– Preço bastante atraente, tendo em conta a qualidade
– Não precisa de ser estritamente usado como anel no pénis, uma vez que metido í volta de dois dedos pode perfeitamente ser usado como vibrador sem qualquer presença de um pénis num raio de 10 km. A menos que o bezerro ande por aí, claro.
Contras:
– Um nadinha complicado de colocar, devido í rigidez do anel, embora isto também distinga o Bo da concorrência que normalmente é mais maleável, mas acaba por alargar rapidamente com alguns usos.
E, sinceramente, não me ocorre mais nenhum contra.
Após alguma experimentação, para encontrar a posição ideal, a coisa é extremamente eficaz, embora exija alguma suavidade de movimentos, mas haverá algo de errado com isso? Para mim… parece-me bem assim.