Hoje, por atribulações matinais diversas, tive que ir de carro para Lisboa. Como já não era cedo, não apanhei trânsito e a coisa correu de feição. Ao regressar, porém, chovendo copiosamente há várias horas (águas de Março?), e aí por volta do quarto-prás-oito, vi-me confrontado com a realidade de tanto português que habita fora da Capital mas que lá labuta.
A chamada bicha.
Que hoje em dia se chama fila, porque, aparentemente, bicha é uma daquelas palavras que eram normalíssimas, passaram a insulto e foram tomadas pelos insultados como sua, retirando-a, ao que parece, ao uso comum do resto de nós.
Mas estava eu onde? Ah, na bicha.
Desde a saída do túnel do Marquês até í avenida da Ponte foram, seguramente, uns 40 minutos. Ora, mais uns 10 em cima disso e, de transportes públicos, já eu estava em casa.
Mas assim não foi. Entre trânsito e uma chuva tão densa que mal se via a ponta do nariz, cheguei a casa quase duas horas depois de ter saído “do serviço”.
Bom, está bem que ainda fiz serviço de entregas ao domicílio de dois colegas, vulgo, boleia, mas o grosso do tempo foi mesmo perdido na maldita da bicha da ponte.
Como é que há pessoal que, tendo transportes disponíveis, opta pelo carro e atura esta trampa todos os santos dias? Haja paciência!