Dias estranhos

Há dias estranhos.Picture this… perto das dez da manhã, estava no carro, com a Dee, parado na expectativa de saltar para o meio da rotunda do Centro Sul. Entrei na rotunda, como habitualmente, pela faixa do meio e na faixa í  minha direita seguia um carro branco que não cheguei a ver que tipo de carro era.

O fulano do carro branco começou-se a colar í  minha direita como se quisesse, forçosamente, vir para cima de mim. Seguiram-se os comentários da ordem, a Dee diz “este tipo está parvo” eu asseguro que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo e que se ele quer entrar, entra a seguir. Dito e feito.

Saí­ da rotunda, em direcção í  Costa, e virei na saí­da para a A2, direcção de Setúbal, como é, também, habitual… antes de entrar na curva reparei no velho e sujo Renault 5 castanho café-com-leite, tão tí­pico dos anos 80, com um autocolante do Benfica na traseira e do qual, o passageiro da frente tinha acabado de deitar uma garrafa de plástico vazia para a estrada. Tirei as mãos do volante e aplaudi o artista, exclamei qualquer coisa na onda de “onde é que este paí­s vai parar”.

Entrei na apertada curva de entrada para a A2, o tipo do Renault 5 ia a minha frente e í  frente dele uma carrinha em marcha bastante lenta… não é muito estranho para aquela curva, que é, como eu disse, apertada e ainda por cima havendo obras de construção dos acessos ao novo mega-centro-comercial que estão a construir aqui em Almada.

Estranho era o tipo do carro branco, é que agora o fulano estava í  minha esquerda, estupidamente colado e tentava a toda a força afiambrar-se. Assim que teve espaço passou-me mesmo, já na curva de acesso e a porta começou-se a abrir.

Gritei “este tipo está louco!”, seguido, num volume maior de “está a abrir a porta!!” e finalmente, já com incredulidade na voz: “tem uma arma!!!”

Tinha mesmo!

O carro branco ultrapassou-me pela esquerda e a meio da curva enfiou-se, atravessado, í  frente do Renault 5. A carrinha que ia í  frente parou também e de ambos os veí­culos saí­ram um magote de tipos de pistola em punho, carregando as mesmas e gritando “polí­cia!”.

Deixei descair ligeiramente o carro, quase por instinto, pensando talvez que uma bala perdida pudesse voar-me pelo para-brisas adentro. Algo me dizia para tentar raspar-me mesmo, mas ao mesmo tempo não podia perder aqueles front row seats!

Do Renault 5 saiu um tipo negro, enorme, mas com pouco ar de ser africano, pois tinha um tom de pele bastante mais claro que o habitual nos africanos. O tipo tinha um ar de gangster, todo vestido de preto, com uma camisola de gola alta e montes de fios e pulseiras de ouro por todo o lado… bom, ar de gangster, ou de cantor de música pimba, claro. O fulano levantou logo as mãos e cambaleou um bocado na berma da estrada, assustadí­ssimo com as cinco ou seis pistolas apontadas na direcção dele por polí­cias gritando ordens variadas.

Infelizmente não pude ver mais nada, porque um dos polí­cias, chamemos-lhe o “chefe”, quase careca e de farto bigode alourado, começou a gesticular com violência para que avançássemos. Passei no espacinho í­nfimo deixado entre a confusão de carros e o rail e raspei-me para Setúbal.

Não podia ter pedido melhor entretenimento para uma manhã de sexta-feira. Não percebi o que se passou ao certo. Mas gostei.

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Vencer a preguiça

A preguiça tem-me levado a deixar os arquivos deste diário num estado perfeitamente lamentavel. São praticamente impossí­veis de consultar ou mesmo inexistentes, a partir de certa altura. Isto também se deve ao facto de nunca ter chegado a passar a usar a base de dados e os scripts em Perl e HTML::Mason que o Cunhado me ajudou a fazer e que teriam tornado todo o processo mais simples e rápido.Enfim, a preguiça outra vez.

Estas primeiras duas semanas de 2002 têm sido muito interessantes nos mais diversos aspectos. O ambiente na nitrodesign está a sofrer alguns abanões, que classificaria de violentos mas necessários. Tudo para o bem da empresa, parece-me. Não sei se é do Seroxat diário, se de uma perspectiva mais adulta das coisas da vida (ponham o vosso dinheiro no Seroxat), mas a verdade é que não tenho o mí­nimo stress e estou a gostar bastante do clima mais conturbado que se vive nos dias que correm na minha empresa.

Claro que, felizmente, nada disto afecta o nosso trabalho, que continua a decorrer com a normalidade que aproxima a nitro cada vez mais rapidamente do seu quarto aniversário.

Continuo a querer comprar um carro novo e continuo í  espera do lançamento do novo Volkswagen Polo. Dentro do tipo que carro que quero comprar nesta altura, o Polo parece-me a escolha ideal, a versão será, muito possivelmente a 1.4 TDi. O carro é pequeno (não gosto de carros grandes, provavelmente porque não preciso de extensões penianas para nada, obrigado), o motor é bom, a construção é sólida e o equipamento é de qualidade. O diesel, neste segmento não significa um aumento de preço tão enorme como nos segmentos superiores e permite-me uma poupança significativa de combustí­vel, sobretudo agora que faço mais de 80 km por dia e uma fatia significativa do orçamento vai para gasosa.

Para quem tem o Mozilla (o único browser oficialmente reconhecido pelo Macacos Sem Galho), poderão ter notado que a vossa address bar e a vossa tab têm agora um icon de um macaco, quando visitam este site. É ou não é giro? É, confirmo.

E pronto, cansado de um fabuloso treino de Gongfu, depois de ter aqui emborcado uma pratada de esparguete para recuperar forças, vou dormir e preparar-me para amanhã gozar mais um belo dia, agitado e divertido, não tenho dúvidas.

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My first euro

Primeiro dia de 2002. Normalmente os primeiros dias do ano têm sempre algo de simbólico para as pessoas… o ar parece mais fresco, a chuva parece mais pura, a luz parece mais clara e toda a gente têm a certeza que “este ano é que vai ser”.Claro que lá para Maio as coisas já fiam mais fino, mas é tí­pico das pessoas gostarem de se deixar levar por pequenas doces ilusões.

Mas este ano é ligeiramente diferente… é que em 2002 há realmente algo que se renova, algo que muda profundamente. Estou a falar do nosso dinheiro, claro. Os portugueses usam escudos desde 1910, embora tenha a impressão que li nalgum lado que o primeiro escudo só foi emitido uns anos depois da República. Portanto a coisa não chega a ter 100 anos.

A partir de hoje vamos passar a ter o Euro como moeda em Portugal e em grande parte da Europa civilizada, da qual se destacam os patetas ingleses que se recusaram a aderir í  moeda, porque são sempre finos demais para ser europeus e preferem andar a reboque dos americanos.

É verdadeiramente entusiasmante, uma mudança tão grande no nosso quotidiano, moedas e notas novinhas em folha e de valores completamente diversos dos que estamos habituados a usar. Só espero que o Euro venha a servir menos para untar mãos do que o escudo, que praticamente já não servia para mais nada no nosso paí­s.

E sem mais demora, aqui ficam as minhas primeiras quatro notas de 5 Euro, levantadas a 1 de Janeiro de 2002, por volta das 17:30 numa caixa multibanco em Almada.

My first euro

 

E agora, a pergunta sacramental: “got euro?”

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Best one yet

Parece sempre um pouco difí­cil de acreditar na velocidade com que o tempo passa. Não é uma velocidade constante… umas vezes sofremos com a inacreditável lentidão das horas, outras vezes surpreendemo-nos com quão rapidamente completamos mais um aniversário e caminhamos para a década seguinte.

Curiosamente, 2001 pareceu-me um ano relativamente em velocidade de cruzeiro… semrpe estável, sempre constante. Chegou hoje ao fim e pareceu-me ser nem tarde nem cedo, mas a altura exacta.

Bom… é obviamente a altura exacta, se termina mais uma voltinha elí­ptica em torno do Sol.

Este ano, para nós, terminou de maneira diferente. Decidimos ficar sozinhos, na proverbial “paz do lar”.

Por volta das seis horas demos um salto a casa dos meus sogros, onde estava o Cunhado, infelizmente doente e com um ar de cansaço moral inevitável nesta situação.

Fomos ao videoclube alugar o “Alfaiate do Panamá” e voltámos para casa, onde as gambas descascadas já marinavam há uma hora em sal, salsa, pimenta, azeite, vinho branco e louro.

Lancei-me na lasagna. Desta vez… sem receita!

Podia maçar-vos com os procedimentos que segui, mas seria longo e cansativo, digamos apenas que fiz a minha melhor lasagna de sempre.

Sentei-me com a Dee na varanda, í  luz de velinhas. Comemos as gambas al guillo (que ficaram excelentes, depois de marinarem quase 3 horas e fritarem em azeite e vinho branco) e atacámos a lasagna que estava de facto excelente.

Depois da nossa comemoração da maia-noite, fomos para as traseiras, sentámo-nos na máquina de costura da Dee e vimos 20 minutos de fogo de artifí­cio, que este ano por sorte foi aqui pertinho, no Parque da Paz, em vez de ser em Cacilhas, como vinha sendo habitual. As nossas gatas viveram 20 minutos de agitação psicomotora profunda e nós acabámos satisfeitos por termos decidido ficar os dois sozinhos em casa.

Valeu a pena. Embora, no ano passado com o pessoal no 14ºE, ex-nitrorium, em Setúbal tenha sido muito giro, acho que este ano tive a melhor passagem de ano de sempre.

Bom ano para vocês.

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O euro vem aí­

Têm sido uns dias calmos, os últimos. A aproveitar as férias sobretudo para descansar e ver uns filmezinhos.

Começa a aproximar-se a mudança de ano, galopantemente e com ela a chegada do Euro. Estou com bastante entusiasmo europeí­sta em relação í  moeda única. Em Portugal temos o Escudo há qualquer coisa como 91 anos, nada que se compare com os quase 700 anos de existência do Franco ou os 2 milénios e meio do Dracma, não tenho nenhum amor especial ao escudo e agradam-me, na essência, as ideias federalistas.

Digo na essência, porque já sei que na prática a coisa fia mais fino.

Estou portanto com muita vontade de gastar o meu primeiro Euro. Como comemoração de ano novo, depois da meia noite, planeio dar um salto ao multibanco mais próximo para tentar sacar a minha primeira nota.

Apesar do entusiasmo e algum optimismo, não consigo deixar de pensar como será complicado habituar-me ao Euro… sinceramente ainda me parece impossí­vel, mas ao mesmo tempo parece-me uma daquelas tarefas semelhantes a usar a Força… Ou seja, e mais uma coisa de instinto do que de racioncí­nio profundo.

O importante aqui é que todos os corruptos do paí­s continuem a receber as suas luvas sem perturbações, simplesmente as malas de dinheiro para árbitros de futebol, gerentes de empresas, contabilistas fací­norescos, inspectores aldrabões, polí­ticos porcos e variadas outras formas de vida parasí­tica que compõem a grande maioria da população activa nacional que se desloca em automóveis de mais de 5 mil contos por porta, deixarão de conter belas e frescas notas de dez e passarão a conter belas e frescas notas de duzentos, por exemplo… o que é ainda melhor, diga-se.

Enfim, lá estou eu outra vez a chatear-me a mim próprio… lá por viver num paí­s que faria corar a própria Mafia, não quer dizer que tenha que passar a vida a pensar nisso… pronto, sejam felizes, vá, andem de Mercedes topo de gama enquanto o BM e o Audi A6 ficam na garagem e a esposa se desloca no Jipe, o que é que interessa como obtiveram os carros? E o resto, as casas, os relógios suiços, os fatos boss, as TVs de plasma e as férias nas caraí­bas. Não interessa, ninguém quer saber, desde que fique tudo bem, para quando um dia for preciso um “favor” não haja ninguém ofendido a quem não se possa recorrer.

É tardí­ssimo, quase três da manhã, o que já começa a ser-me estranho… eu que era um insone incorrigí­vel desde tenra idade, há meses que não via um relógio a marcar esta hora… o problema deve ser esse… o melhor é ir para a cama e deixar-me afundar na ignorância do sono. Pode ser que amanhã, quando acabar o ano e chegar o Euro em papel e metal, me sinta menos incomodado por viver na capital corrupta da Europa.

Durmam bem.

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