Joanalogias – Resistência

A Joana é uma resistente. A Joana é paciente e sempre que consegue, está bem disposta. Quase sempre que chora ou tem a fralda suja, ou tem fome, ou tem sono. Não há cá birrinhas, dentinhos nem cólicas.

Hoje fomos ao Ikea comprar móveis para a casa nova. Passámos cinco horas dentro da loja. Cinco. E a Joana aguentou aquilo tudo, acordada. Acabou por sucumbir ao sono, quando este se tornou mais forte que a curiosidade, quando já estávamos praticamente de saí­da.

Com o irmão, nesta idade, não me lembro de termos conseguido fazer seja o que for que durasse mais de duas horas. Aliás, ainda hoje é complicado. O Tiago farta-se, a Joana, aguenta-se.

Embora ainda sejam ambos muito pequenos, já começamos a notar estas pequenas diferenças.

Aguardo, com ansiedade, para ver que tipo de miúda a Joana vai ser.

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A muito custo, mais um mês

Importar conteúdo antigo do Blog para o WordPress é um castigo que não desejo a niguém. Copy/paste do texto, reler o conteúdo para inventar um tí­tulo, colocar tags e não esquecer de mudar a data de publicação para que fique certa.

É por isso que há um buraco no arquivo: o blog não esteve parado, eu é que estou a demorar anos a importar o conteúdo.

Com um enorme esforço, lá coloquei mais um mês. Março de 2001, começa aqui.

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Tiálogos – repreensões

Ontem, como habitualmente, mesmo antes de se deitar para dormir, pediu água.

– Pai, quero água, quero água na garrafa.

– OK, vou buscar.

Cheguei í  cozinha, dei com o seu novo copo do homem-aranha, com palhinha embutida. Enchi e levei-lhe.

Espetou um dedinho na direcção do copo e, com um tom repreensivo atirou:

– Isto parece-te uma garrafa…?

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Tiálogos – Nádegas

Na casa de banho, depois de limpar o rabo.

– Pai, o que são estas bolinhas í  frente do rabinho?

– Quais bolinhas, filho?

– Estas! – apontando para uma nádega.

– Isso são as nádegas.

– Naguegas?

– Nádegas.

– Nádegas. Eu gosto de apertar as nádegas. Para que é que serve?

– Servem para sentar, é como teres uma almofada sempre atrás de ti.

Sentou-se imediatamente no chão da casa de banho com um ar satisfeití­ssimo:

– Estou sentado nas nádegas!

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Tiálogos – Quatro

Antes de mais nada, filho, acabou-se a numeração romana nos Tiálogos que o teu pai já não sabe como é que há-de andar í  cata do último post para saber que número deve ter o seguinte.

Tens quatro anos.

No dia antes de fazeres quatro anos tivemos esta conversa:

– Olha, pai, sabes que dia é hoje?

– Não filho, que dia é?

– Hoje não vou fazer birras, nem fitas, porque já sou crescido!

– Ah é? Que bom, filho, fico contente!

– Pois! Comi uma carne e umas batatas hoje e depois já fiquei crescido!

Quando eu era pequeno, não havia internet, não haviam computadores pessoais; hoje, os teus avós ofereceram-te um iPod Touch de última geração e tu estiveste a ver ví­deos no YouTube, ao lanche.

Aos quatro anos estás muito alto e magro, activo e imaginativo, capaz de contar até 10 na perfeição, até 20 com um ou outro “dezadois” lá no meio e a começar a aprender o alfabeto e a identificar letras, mesmo quando têm formas diferentes do habitual (mais um passo e estás a discutir os méritos do Baskerville itálico).

Os teus brinquedos favoritos são os Bakugan, pequenos bonecos magnéticos que se fecham sobre si mesmo e se abrem, em poses de batalha, quando colocados sobre uma superfí­cie metálica. E, claro, os jogos; na PlayStation 3 ainda vais preferindo ver-me jogar PixelJunk Shooter 2 ou Plants vs. Zombies, mas no iPod, sobretudo agora que tens um, já és tu que jogas Cut the Rope, Angry Birds, Smurf’s Village ou Battleship.

Estás também doido pelo Spider-man. Foi carnaval, recentemente, coisa a que nunca tinhas ligado antes, mas desta vez mascaraste-te de Spider-man na sexta-feira de manhã e só te despiste (e tomaste banho, já agora), no Domingo í  noite. Sim, três dias com a mesmí­ssima roupa vestida e sem tomar banho. Depois, na segunda, voltaste a vestir o fato e só o tiraste no dia seguinte.

Entretanto, no aniversário, recebeste um fato novo de Spider-man, com o qual estás agora a dormir, a primeira noite do teu quinto ano de vida.

Parabéns, puto.

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