Este é o meu filho

Enquanto eu fazia o jantar, o Tiago entrou pela cozinha adentro com um molho de folhas. “Olha: papéis!”, anunciou.

Começou então a mostrar-me vários desenhos que tinha feito. Quase todos simples riscos coloridos, sem formas discerní­veis.

Nada de bonecos, animais, casas, árvores ou sóis. É, aliás, rarí­ssimo ver este tipo de figuras nos desenhos dele, normalmente, cobre completamente a folha de preto.

Curioso, decidi perguntar do que se tratavam os desenhos.

A resposta veio sem hesitação: “São cérebros!”

Aos quatro anos e meio, o meu filho, em vez de casinhas, o pai e a mãe, os gatos ou um sol sorridente, desenha cérebros.

Best. Kid. Ever.

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Algum movimento nas profundezas

Há já uns anos que tenho um blog, em inglês, onde escrevo sobre design ou sobre trabalho, a internet, etc. Escrevo lá tão pouco que certamente poucas pessoas conhecerão ou se lembrarão de o visitar.

Fica aqui este post só para anunciar que escrevi recentemente dois posts, para quem possa estar interessados. São eles:

Notarão que o blog recebe tão pouco amor que até usa um template default do WordPress, mas é o que se pode arranjar. Obrigado e boa tarde.

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De mal a pior

Quando escrevi sobre estas minhas férias e rebéubéubéu, as coisas correm sempre mal, ainda não sabia o que estava para vir. Ou, como diria o Purple Tentacle: naí¯f human!

No Sábado, a Joana ficou novamente doente. Começou logo a vomitar o pequeno almoço, ao que se seguiu diarreia, febre, etc. No Domingo ainda não estava bem; os meus sogros levaram o Tiago para casa dos tios, para celebrar o aniversário do primo, que fez três anos e nós ficámos em casa com a Joana, para ela descansar mais um pouco.

A meio da tarde, arrancámos para ir cantar os parabéns e trazer o Tiago. Surpresa: eu comecei a ficar enjoado. Profusa diarreia, acompanhou o processo.

Depois de fazer um esforço extra para conduzir de volta para casa, atirei-me para a cama até conseguir, finalmente, vomitar tudo o que tinha comido até então.

Por volta das quatro da manhã, estava a Dee a começar a ter sintomas, embora, felizmente, não tenha chegado a vomitar. A Joana parecia melhor, mas ainda com diarreia e portanto levei apenas o Tiago í  escola.

O que acabou por ser má ideia, já que duas horas depois ligaram a avisar que ele tinha vomitado. Está agora a dormir, depois de ter vomitado sete vezes. Acabou por ir dormir depois de ter bebido uma quantidade mí­nima de água e chá com Motilium e açúcar, que lhe fui dando í  colher durante duas horas, para vermos se não vinha fora.

Eu hoje ainda estou de férias. Amanhã também, depois, na quarta, vou trabalhar.

Estou aqui a tentar manter-me acordado para ver se não há vómitos nem febres, nem diarreias, mas já mal aguento os olhos abertos. O Tiago dorme destapado, apesar de já o ter ido tapar duas vezes. A Joana tosse. E, aos bocadinhos, devagarinho, a minha sanidade evapora-se.

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Motivações

Hoje, antes de lavar as mãos na casa de banho, abraçou-se í s minhas pernas e disse: “sabes uma coisa, pai? Eu adoro-te”. Respondi-lhe que também o adorava, ao que acrescentou “e cada vez te adoro mais, quando fazes coisas que eu gosto, adoro-te ainda mais”.

Não resisti a perguntar-lhe que coisas é que eu fazia que ele gostava, imaginando, talvez, que pudesse ser comprar brinquedos ou algo desse tipo, mas para provar que  não tinha quaisquer interesses materiais, sem pensar muito respondeu: “coisas que tu fazes, como por exemplo, caretas, gosto de caretas!”.

Fiz-lhe uma careta e ele riu-se e deu-me um abraço.

 

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</Nitrodesign>

A Nitrodesign completou 13 anos de existência em Maio passado e muitos mais de conceito. Formar uma empresa para trabalhar por minha conta sempre foi o meu projecto, desde os idos tempos de liceu.

Levei pessoas comigo, formámos uma equipa, chamei-lhe Nitrodesign. Tivemos altos e baixos e deixámos marca. Uma coisa ninguém nos pode tirar: fomos dos primeiros a fazer design para a web em Portugal. Não apenas  design gráfico colado num browser, mas design pensado para existir na web, com cuidados desde a usabilidade até a bom código, passando pelo inevitável e mais visí­vel grafismo.

Quando a empresa completou dez anos, escrevi um post que sumariza o que se passou com a empresa, não pretendo aqui repeti-lo. Este post serve para dizer que a Nitrodesign acabou.

Iniciada em 97, oficialmente fundada em 98, fecha as metafóricas portas em 2011, sob uma carga fiscal castigadora que simplesmente não permite manter viva uma coisa que já pouco mais é que um sonho.

Não vou desculpar-me com o fisco, muitas coisas aconteceram, muitas coisas mudaram, simplesmente, eu poderia manter, com a minha sócia, a empresa aberta, para explorar possibilidades de negócio, poder vir a ter um projecto novo daqui a uns anos ou mesmo para ir fazendo pequenos trabalhos, dentro da legalidade fiscal, com factura passada e essas coisas bonitas.

Mas não posso. O Estado cobra-me um pagamento “por conta” de lucros que eu nunca tenho, porque temos uma actividade mí­nima. Tornar a empresa aberta tornou-se incomportável. Ao longo dos últimos anos, pagámos 11 mil euros destes PECs dos quais, zero eram devidos.

Onze mil euros pagava metade do meu carro ou um ano da creche dos dois miúdos. Em vez disso, demo-los ao Estado em troca de absolutamente nada. De entre muitas razões para a Nitrodesign estar em estado de hibernação quase efectiva, aquela que se destaca para que a tenhamos, finalmente, encerrado é, apenas e só, esta.

Agradeço a todos os que trabalharam connosco durante estes anos, aos sócios que se foram, aos clientes pequenos e aos grandes, aos que deram oportunidade a uns putos a trabalhar em casa, de explorarem esse magní­fico novo mundo que era, naquela altura, a world wide web.

É bom poder dizer “estive lá”. E, acreditem, é mesmo muito bom continuar a encontrar pessoas que me dizem “epá, eu andava na escola e sonhava poder trabalhar na Nitrodesign”.

Se quiserem a perspectiva feminina, basta ler isto.

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