O Tiago está com 19 meses e cada vez mais espertalhão. Começou a fazer birras, atirando-se para o chão e guinchando, ao que nós reagimos indo para outra parte da casa. O gajo, claro, descontente com a falta de público, mudou de estratégia: as birras são agoras feitas guinchando agarrado í s pernas dos pais.
Os pais aguardam que passe a fita e, claro, tentam não se desfazer a rir.
Adora correr pela casa gritando de alegria “aaaaaaaaaaaaah!”, corre para o quarto; “aaaaaaaaaaaah!”, corre para a sala. Coisa que, confesso, apanhou do pai, cuja brincadeira mais recente é: “Tiago, onde é o nariz?”; miúdo aponta para o nariz; pai entra em frenesim: “É MESMO! É QUE É MESMO! AAAAAAAAAAAAAAH!”, levantando criança no ar e correndo com ela pela casa.
Ei, há que festejar a magia do conhecimento.
Falar é que, nicles. No que toca a conversas, o Tiago, Moita Carrasco. Nós bem tentamos, mas ele, tá quieto ó mau. Sílabas, sabe muitas e variadas, com diversas combinações de consoantes e vogais e sempre que tentamos incitá-lo a falar, sorri-se assim meio de lado, como o Han Solo para a Princesa Leia, como quem diz: “o que tu queres, sei eu”.
Goza-nos, é o que me parece. Cheira-me que um dia destes começa a recitar Shakespeare e ninguém o cala.
Este impulso para escrever sobre o meu filho, que tenho desde sempre, talvez porque sou um viciado nisto do blog, vai a caminho dos dez anitos, fez-me pensar… onde estão os outros pais?
Mães há muitas. Mães há, até, demais! E a quantidade delas que são mães, não de crianças normais, mas de Princípies e Princesas é alarmante. Acho que virámos Monarquia e eu não dei por nada. Mas e homens?
Assim de repente, de entre os blogs que mais leio, não me lembro de nenhum que fale de forma razoavalmente constante sobre os filhos. Há menções, sim… apercebemo-nos que alguns são pais, mas até agora não conheci um que falasse da paternidade com algum entusiasmo. Talvez o Pedro Ribeiro seja o que mais frequentemente vejo mencionar a sua relação com os filhos que, claramente, são parte fulcral da sua vida.
Nem falo de revelar detalhes sobre as crianças, compreendo que algumas pessoas acreditem que assim protegem a sua privacidade, mas enfim… dúvidas existenciais sobre ser pai; preocupações, alegrias…
Será que os gajos continuam a achar que falar dos filhos é ser piegas, totó, fraco?
É uma dúvida que me assalta… mas não pensem que a deixarei levar-me a carteira!