Crocodilos

O Tiago pega nuns moldes que tem para fazer plasticina e que são basicamente peças de plástico compridas com uma charneira e chama-lhes crocodilos.

Dá-me um a mim e fica com dois e depois encena grande conversa entre os crocodilos.

A certa altura mordi-lhe o braço com o meu crocodilo e disse-lhe:

– Arrr, o crocodilo vai comer o Tiago!

– Não! Não, pai, os crocodilos não comem Tiagos! – diz-me com um ar quase ofendido.

– Ah não? – perguntei, confuso – Então comem o quê?

– Os crocodilos comem laranjas! – afirmou depois de uma pequena pausa para pensar.

Sir David Attenborough, precisamos de ter uma conversa: andas há anos a enganar-me!

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Tiálogos XXVII. Chutos na bola.

Só para futura referência: ontem, dia 3 de Junho de 2010, trocaste comigo os teus primeiros toques de bola – como se diz nesse mundo – cheios de intencionalidade.

No meio de alguns pontapés na relva, deste bastantes na bola, com força e direcção; recebeste – não mataste no peito, mas colaste na relva, leste o jogo e deste seguimento í  jogada.

E, acima de tudo, em vez de olhares para o teu pai com um ar inquisitivo de “o que raio quer este gajo”, divertiste-te durante uns minutos a “jogar í  bola”.

Ah e já agora: notei que, apesar de seres destro, os pontapés na bola foram todos com o pé esquerdo; quando te sugeri que chutasses com a direita, a coisa correu mal.

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Joana, ecografia do terceiro trimestre

Fomos ontem ao Centro Médico e Ecográfico do Dr. João Paulo Marques fazer a ecografia do terceiro trimestre da Joana. Aquela que é a última eco do protocolo de seguimento.

Está tudo bem, como até aqui. A miúda está com 2.160 g, cefálica e toda mexida.

Estamos nas 33 semanas e faltam agora menos de dois meses para termos a nossa filha cá fora. Andamos calmos e ocupados com várias coisas, o stress do nascimento ainda não se instalou, vamos dar-lhe mais algum tempo para  ver se surge ou se já temos escola nisto suficiente para nem dar por ele desta vez.

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Palavras de Tiago

Embora fale cada vez mais fluentemente e fique sempre muito interessado em repetir quando lhe explicamos como se diz alguma palavra nova, o Tiago ainda escorrega nalguns vocábulos e embora seja divertidí­ssimo ouvi-lo tentar dizer chantilly, a minha palavra favorita do momento é “funcinoa”. A simples troca do n pelo o torna a palavra “funciona” em algo completamente novo e irresistí­vel quando ele se queixa que algo “não funcinoa”.

Também de notar que desde há coisa de duas semanas para cá decidiu que papá e mamã já não se adequavam ao seu vocabulário, pelo que cá em casa fomos promovidos a “pai” e “mãe”.

Espero que a graduação final para “velhos”, ainda esteja longe.

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Duas semanas de obras

Custa-me um pouco a crer que na quinta-feira passada fez apenas duas semanas desde que as obras começaram.

Sala
A sala, ainda cheia de sacos de objectos dos anteriores donos.

Estou surpreendido não só com o andamento do trabalho, mas também com a extensão do mesmo. Quando pensámos em comprar e arranjar esta casa, tinha uma lista mental de coisas a fazer – essa lista pode ir para o lixo; aquilo que está a ser feito ultrapassa e muito o que me tinha passado pela cabeça.

Quando pensei em renovar a instalação eléctrica, pensei em passar cabo novo pela infraestrutura existente e montar tomadas e interruptores novos, pendurando candeeiros nos pontos de luz disponí­veis.

O que está a acontecer é que está a ser montada uma infraestrutura nova, vão haver tomadas onde eu escolhi e não só de electricidade como de ethernet e TV, o mesmo se aplica aos pontos de luz que estão a ser colocados onde fazem falta e não aproveitando o que já lá estava.

Quando pensei que precisávamos de chão novo, pensei que o mosaico existente seria levantado e substituí­do por outro pavimento.

O que está a acontecer é que o chão da casa inteiro foi picado e está a ser re-nivelado, após o que serão aplicados os pavimentos que escolhemos.

Quando pensei que as casas de banho precisavam de ser renovadas, imaginei trocar azulejos e louças.

O que está a acontecer é que numa delas vamos alterar a disposição dos elementos para aproveitar melhor o espaço.

Pensei que seria preciso alisar algumas paredes, mas afinal toda a casa está a ser alisada, tectos incluí­dos.

E o que é que já está feito, ao fim de duas semanas?

Sala, dia 11
A sala, ao fim de duas semanas de obras.

Todo o chão foi picado e todos os azulejos removidos. O chão dos quartos, casas de banho e cozinha está re-nivelado com cimento (falta o corredor e hall). Os móveis da cozinha e os sanitários dos WCs foram removidos. A maioria das paredes já foram alisadas. Uma das zonas apodrecida por infiltrações antigas já está quase arranjada. A lareira e estantes embutidas da sala foram demolidas e a parede reparada. A instalação eléctrica está toda planeada e a maioria das tubagens e caixas para tomadas e interruptores já estão no sí­tio. A segunda porta da cozinha e da despensa já foram fechadas e a porta que sobra da despensa para a cozinha foi ampliada e já tem ombreira. A canalização de água já está planeada e desenhada nas paredes dos WCs e cozinha. A ombreira da porta do escritório já foi virada 180º para que não colida com a porta da rua quando abre.

É já muita coisa. Falta ainda muita coisa. Mas para duas semanas, é bastante mais do que eu imaginava ser possí­vel. E o melhor é que estamos a gostar muito do que se está a passar e da maneira como as coisas estão a ser feitas: em vez de uma série de remendos sobre o que existia, está-se a optar por um estilo Beirute ’83 (como diz o von Geier), seguido de uma reconstrução cuidadosamente planeada.

Para quem queira seguir a aventura e ainda não saiba, há uma colecção de fotos, organizada em sets por cada divisão da casa, no meu Flickr.

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