Filho, aproximas-te dos 3 anos e meio cheios de coisas boas. A maneira como pronuncias a palavra “porcos”, quase com sotaque nordestino do Brasil, as histórias que inventas, a destreza com que completas puzzles, o í -vontade com que vais sozinho í casa de banho… só te faltava mesmo aprenderes a limpar o rabo.
E já que falo disso…
Filho, não sei como são os outros miúdos de 3 anos e quase meio, não quero estar a extrapolar, mas creio que será razoavelmente seguro assumir que praticamente todos serão uns grandes porcalhões, como tu, meu filho.
Não sei quem que percentil de porcalhice te situas, mas acredito que andarás na média e que, portanto, tudo isto será normal para a idade.
A qualquer altura e qualquer momento, excepto imediatamente após o banho, as tuas unhas andam pretas (das mãos e dos pés), os dedos cobertos de gordura, a boca decorada com restos de papa ou chocolate; o ranho, vais limpando ao antebraço.
As tuas camisolas estão ensopadas de nódoas diversas e as calças cobertas de terra, as solas dos sapatos brancas de pó, porque, claro, insistes em arrastar os pés, particularmente quando o solo está coberto de gravilha. As tuas meias cheiram a crime ecológico e nem me apetece muito pensar com que aspecto ficam o interior dos teus crocs quando os usas.
É claro que ajuda bastante que aches que é boa ideia, após comer uma torrada com manteiga, passar lenta e repetidamente as mãos no cabelo, que te pareça adequado lambuzares-te com colheradas de manteiga de amendoim directamente do frasco ou que sejas um indefectível praticante do nudismo doméstico.
O que vale, meu filho, é que na casa nova, vamos ter um terraço e nesse terraço, o papá e a mamã mandaram instalar uma mangueira. Achas que é para regar as plantas…? Pergunta-te, meu filho… já viste plantas cá em casa?
MUHAHAHAHAHAHAHAHA!
