Rollercoaster weekend

É dia 15 de Novembro, o Tiago completou dois anos e oito meses há quatro dias. Ena que avalanche de emoções é passar um fim de semana com o meu filho!

No Sábado a Dee foi trabalhar e aproveitou para passear e encontrar-se com uma amiga portanto esteve fora de casa o dia todo e eu aproveitei para matar saudades. Tenho andado a trabalhar que nem um cão e chega a haver dias em que só vejo o puto fugazmente de manhã, antes de sair; quando chego a casa í  noite já está na cama.

Sei que ele fica perturbado com isso e eu também não gosto muito, mas se tudo correr bem, as coisas vão acalmar um pouco – a ver vamos.

O Sábado foi um dia fantástico. Brincámos os dois de várias maneiras, com carros e comboios, í s corridas pela casa, sessões de cócegas, construção de casas de almofadas e ainda vimos alguns desenhos animados (embora poucos porque o Tiago prefere de longe andar a correr e a saltar do que ver TV).

Fiz o almoço que ele comeu inteirinho sem protesto, brincámos mais e depois, a meio da tarde, mandou-me embora e foi sozinho para o meu quarto. Fui espreitar e correu comigo: “Não pai, sai daqui! Sai!”. Saí­.

Quando voltei estava a dormir, ao som do “Little Wing”, do Jimi Hendrix. Baixei um pouco o som do iPod, tapei-o e ele dormiu uma grande sesta.

Depois acordou, brincámos mais, lanchou, chegou a mãe e ainda fomos fazer “a nossa pizza, pai” com o Tiago em cima do seu banquinho verde, para chegar ao balcão da cozinha e colocar cuidadosamente os ingredientes em cima da massa enquanto surripia sorrateiramente dedadas de molho de tomate.

Este é um exemplo daquilo que pode ser um excelente tempo passado com o Tiago… e depois há… bom… hoje í  noite.

Primeiro não quer ir tomar banho. Depois lembra-se que tem um brinquedo que quer experimentar na banheira portanto quer ir tomar banho. Na banheira, recusa-se a lavar o cabelo. Não sei o que fazer… a rotina é deitá-lo para trás – coisa que começou a fazer sozinho recentemente – e molhar o cabelo, depois lavar e deitar novamente para enxaguar. Despejar-lhe água pela cabeça ou usar o chuveiro só o põe aos berros.

Portanto, só consigo que lave o cabelo se lhe apetecer colaborar… ou í  força. A primeira começa a entrar no reino do raro e a segunda desagrada-me profundamente.

Depois vazo-lhe a banheira, recusa-se a sair lá de dentro, tem que ser removido enquanto berra. Depois berra o tempo todo, não quer o creme, atira com ele, não quer o pijama, atira com ele. Tentamos manter a calma e não entrar na histeria dos berros e vamos-lhe perguntando se prefere o pijama do robot ou do carro, se lhe apetece leite, se quer ler um livro – é não a tudo claro.

A certa altura vamo-nos embora. A gritaria continua. Tenta chamar pelo pai, depois pela mãe, a ver qual dos dois terá mais peninha. Um de nós lá vai, conversamos com ele, que tem que se acalmar, vestir o pijama, já é tarde, amanhã há escola, etc.

Nada.

O processo inicia-se por volta das nove da noite e muitas vezes são onze e a crise ainda está mais acesa que o conflito israelo-árabe. Já aprendemos a não perder a paciência com ele: gritos ou mesmo a ocasional palmada são completamente inúteis e só adensam o drama.

A opção corrente é deixá-lo sozinho, mas ir ter com ele se pede colo; se atira com coisas e se mostra agressivo, voltamos a sair. É um processo longo, stressante e desgastante. Se as correrias e brincadeiras são o ponto alto, este é claramente o ponto mais baixo.

Depois de muito esforço lá veste o pijama e vai para a cama. Muitas vezes cai para o lado, porque o que ele está é cheio de sono; mas outras vezes nem por isso e é mais outra hora em que se mexe e remexe, vira, fala, senta, põe de pé, bate na parede, tudo enquanto um de nós está pacientemente com ele no quarto a tentar acalmá-lo para que adormeça.

Saí­mos disto completamente feitos num oito – duas a três horas de conflito non-stop. E ainda há quem pague para ir a parques de diversão!

PS: cá fica mais um post sobre as partes boas e as partes más de ser pai de um miúdo de dois anos (e oito meses); continuo a surpreender-me pela ausência de posts destes por essa net fora – deve haver uma grande necessidade de reprimir as fitas e as lutas por parte de todas essas mamãs (porque papás então, praticamente nunca falam dos filhos), que têm baby blogs em que os seus prí­ncipezinhos e as suas princezinhas são perfeitas amostras de comportamento, graça e inteligência.

Estranho que custe ainda tanto í s pessoas expor a realidade das coisas, mesmo que não seja sempre e mesmo que 90% do tempo seja bestial, í s vezes, só í s vezes… ser pai é fodido.

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22 comentários a “Rollercoaster weekend”

  1. Acabei de rever momentos de uma vida passada, não era o pai mas era como se fosse. Só posso dizer paciência, mas isso já sabes, e muita calma. Esta fase das birras passa mas ficam resí­duos principalmente quando estão com o sono, mas os bons momentos valem e de que maneira, nós até nos revitalizamos qd estamos com eles nos bons momentos.

  2. Pois, assim fico bem mais descansada!!!! Pelo que li no post e nos comentários nada mais normal que deitar as crianças í s 9h da noite de um domingo e só conseguir faze-las dormir efectivamente após a meia-noite, como aconteceu mesmo ontem lá em casa!
    Quer dizer então que o problema não é só meu, é mesmo uma orquestração do universo contra os pais!

    Beijocas e boa semana para os três!

  3. E é assim mesmo…

    Deixa-me dizer-te que já passei por isso tudo duas vezes e que ainda não desanimado… vou tentar a terceira.

    Quanto aos choros por birra, existe aquele ditado que diz: “Quanto mais choras menos mijas”, além disso o choro (de birra) é um optimo para fortalecer os pulmões. Aumenta o som do rádio ou da televisão. Os vizinhos podem queixar-se mas… WTF, o pai és tu.

    Abç

  4. uma provocação:

    ao ler a parte do teu post que refere o creme lembrei-me imediatamente de uma frase de uma rábula do “Jel” “nos” “pasteis de nata” (ena tantas aspas):

    “Cremezinhos p’ra pele?!?!?!?”

  5. a parte do banho/lavar a cabeça/por creme/vestir do meu (que tem menos 6 dias que o Tiago) é igualzinho.. por vezes falta a paciência.. também o deixamos a chorar e depois vou lá perguntar: “já está?” e ele cala-se e diz que sim.. é hilariante.. mas que nos deixa de rastos, lá isso deixa.

  6. Cada criança tem o seu “tempo”,quando olho para trás, e recordo alguns momentos em que a paciência quase se esgotou e hoje a minha piolha com quase 9 anos, já mudou tanto…tal como nós, e até me atrevo a dizer que tenho saudades…tudo passa tão rápido!
    Por isso aconselho-te a levar a “paciência” em doses extras…compensa:)

  7. Não há como as histórias ao deitar para fazer a minha pequena adormecer… E se ainda no banho as coisas não correm de feição, fazemos-lhe lembrar que a seguir “vem a história”… ;)

    (um dos segredos ao contar a história, é ir falando cada vez mais devagar, e mais devagar… e pausar um pouco… e aloooongaaaar as voooogaaaais…)

      1. Pois… É o que dá estar a ler o teu blog a “andar para trás” no tempo. Mas se por um lado os teus textos são praticamente irresistí­veis, por outro, quando dá aquela vontade cá dentro, também é irresistí­vel responder!

        Neste momento a minha piquena está a 3 dias de fazer 2 anos e é o que resulta comigo… (se bem que uma piquena não é o mesmo que um piqueno, e os miudos também não são todos iguais, mas podes crer que sei muito bem o que é “desesperar” para que adormeça…)

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