Há uns anos, comprei um TomTom One—um GPS portátil com um mapa da Península Ibérica. Foi mais por cromice do que por outra coisa, mas já me tem dado jeito.
O mapa de Portugal sempre teve uma cobertura muito inferior ao de Espanha e foi com satisfação que vi ontem que tinha entretanto saído um mapa da Iberia que cobria Portugal em 99,9%. Hoje, comprei o dito mapa.
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Qual não foi o meu espanto, então, quando não consegui seleccionar o mapa para o utilizar no meu GPS. Usando a aplicação de gestão de desktop da TomTom (o Home), percebi que o mapa que eu tinha acabado de adquirir dizia que precisava de ser activado.
Saltei para o mail, í espera de um código de activação… esperei, chegou a confirmação do pagamento, chegou a factura e nada de código. Ao fim de duas horas, nada de código.
Comecei a perceber que não ia chegar código nenhum.
Vendo os detalhes do mapa, a TomTom sugere-me que o remova do aparelho, pois está a ocupar espaço no SD e nem sequer funciona. É de uma estupidez a toda a prova!
O site da TomTom é um desastre. A ajuda manda-me para o ‘My Account’, que não existe. Experimento então ir a ‘My TomTom’ na esperança que seja isso, mas aí não encontro o ‘My Products’, onde poderia consultar o número de código que preciso para requisitar activação de software.
Depois, encontro uma referência a um site externo, feito apenas para fornecer códigos de activação TomTom e nesse site apercebo-me que preciso de encontrar o CD original do meu One. Sei lá onde está.
Mas procuro… e encontro! Encontro o CD e percebo que o código de produto não está no CD, mas na capa. A capa é que não sei onde está e sinceramente, não me apetece procurar.
Se precisam de um identificador para saber que eu tenho mesmo um TomTom One e não sou um horrível pirata disposto a copiar o mapa deles, porque não me pedem o número de série que está escrito no fundo do aparelho?!
Porquê pedir um código qualquer impresso uma qualquer capa de cartolina de um CD que eu não preciso para nada e que está perdido há anos?!
A TomTom, como tantas outras companhias que vendem software, está a tratar-me como ladrão. Eu sou um cliente que comprou o hardware e o software e está a tentar comprar uma actualização. Correcção: eu já comprei a actualização, porque eu paguei!
Mas em vez de ter acesso ao que paguei, estou encravado num sistema de protecção de cópia feito para dissuadir pessoas que não são eu!
Esta prática estúpida continua, as empresas continuam a tratar os seus clientes pagantes como ladrões e a cada vez que isto acontece, mais me apetece arranjar software pirata. Aliás, o próximo mapa para o meu One será certamente sacado da net.
Já aconteceu o mesmo com os CDs, desde que trouxe para casa um que não tocava em lado nenhum graças ao ‘copy protection’; nunca mais comprei nenhum.
Como se resolve o problema dos serial killers? Eu sei, pergunta estranha, mas faz sentido: resolve-se matando toda a gente. Se matarmos todos os seres humanos no planeta, certamente nos livraremos dos serial killers.
E é precisamente assim que agem as empresas para proteger o copyright.
Segue o pedido de suporte que enviei í TomTom:
Acabei de adquirir, por sugestão do TomTom Home, um novo mapa da Iberia, versão 830.2306 e não consigo usá-lo. O TomTomHome diz-me que o mapa precisa de ser activado o que me parece bizarro pois acabei de PAGAR por ele e diz-me ainda que o mapa não é compatível com o meu aparelho o que é estranhíssimo visto que me foi sugerido como actualização pelo TomTom Home que é suposto saber que eu tenho um One 1st edition.
Pelo que consegui perceber, o procedimento de activação – que parte do princípio que eu, cliente pagante, sou um pirata disposto a roubar os vossos mapas – é complexo e exige que eu encontre o CD original do meu TomTom que eu não faço a mais pequena ideia onde esteja.
Uma vez que paguei pelo mapa, bem como pelo serviço de actualização de mapas anual, agradeço que me indiquem como posso usufruir do conteúdo que paguei. Pretendia usar o mapa numa viagem já amanhã de manhã, mas duvido que me respondam em tempo útil.
Ainda assim, obrigado de mais um cliente insatisfeito por práticas retrógadas de protecção de conteúdos.