Portishead – Third

Porque é que há discos tão bons, tão bons, que os artistas nunca mais conseguem o mesmo impacto daí­ para a frente? Depois de ouvir o “Third” pela primeira vez a minha reacção é imediatamente: “não, não chega aos calcanhares do Dummy”.

Aqui vou, ouvir novamente…

Edit: como já percebi que muita gente aterra aqui e segue directo para a caixa de comentários para me dizer como estou enganado, permitam-me que esclareça que gosto muito do Third, já o ouvi inúmeras vezes e cada vez gosto mais. Mantenho o que escrevi: não teve o mesmo impacto em mim, que o Dummy teve, quando saiu. Lamento, mas é verdade.

Aqui fica o disclaimer e mais um pouco sobre o assunto e ainda mais umas notas.

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9 comentários a “Portishead – Third”

  1. Lembro-me de ter ouvido o Dummy pela primeira vez e de pensar que a primeira faixa era fantástica e depois a segunda ainda melhor e a terceira melhor ainda!

    Quando cheguei ao Wandering Stars, estava a começar a ter espasmos e depois do Glory box, já tinha gasto uma caixa de kleenex inteira.

    Tenho saudades de um álbum assim, that’s all.

  2. Macaco,

    concordo contigo. Ao fim de o ouvir 3 vezes está a entrar-me o som e começo a compreender a genialidade dos samplers. Fez-me lembrar Broken Social Scene – embora tenha gostado destes tb da primeira vez que os ouvi tb.

    Abç e tks,
    Nelson

  3. Tive a honra de os ver agora ao vivo e devo dizer que fiquei estupefacta com a qualidade das novas sonoridades.
    Cada álbum é um álbum e acho um desperdí­cio de tempo comparações.
    O ‘Dummy’ é e sempre será obra divina,o ‘Portishead’ igualmente e o ‘Third’ para lá caminha.
    Quando ouvi algumas músicas deste álbum pela primeira vez confesso que também não digeri imediatamente…mas é essa a qualidade fascinante de Portishead. Ouves uma vez e não gostas,deixas para trás…melhor,não mereces ouvir mais de qualquer forma.
    Ouves,não gostas assim tanto mas a certa altura dá-te um click e pensas : ‘$%&%$&/,isto é MUITO bom…’,aí­ apercebes-te do verdadeiro priveligiado que és.

    A voz da Beth está no seu auge,nunca a ouvi cantar tão bem na minha vida e a banda está mais madura e coerente.
    É realmente uma grande felicidade poder assistir ao desenvolvimento (que peca por tardio) de umas das melhores bandas da trip-hop scene de sempre. :)

  4. Na primeirí­ssima audição, também tive a sensação de não ter gostado, ao contrário dos discos anteriores, que me chaparam de imediato, pois tb. era a primeira vez que havia ouvido uma voz tão incrí­vel como a de Beth Gibbons – o impacto foi devassador e me rendi incondicionalmente. Agora, passados 10 anos, não dá para ter essa mesma sensação. Com “third”, de cara reparei na ausência de DJ e na intenção da banda de se distanciar do chamado “trip hop”. Muito bom! A banda continua provocante e original, afastando-se de seguidores indesejáveis… No segundo dia de audição, achei tudo fantástico: o clima soturno como sempre e a voz única de Gibbons (que soa mais natural e forte); me lembrou “in rainbows” do radiohead pela atitude e pelo clima do disco, embora musicalmente os álbuns sejam muito diferentes. Hoje, na 3a. audição, já considero uma obra-prima aberta a várias interpretações e sensibilidades musicais. Genial!!!

  5. Posso dizer que com a vasto leque de música que temos hoje í  nossa disposição, rara é a obra que me surpeende, que provoca aquele calafrio, que sai daquela mediania…Enfim, e eis que estes senhores regressam e fazem-me ter aquela sensação de não parar de os querer ouvir. O Third está absolutamente soberbo. Uma obra-prima, nem mais. A sonoridade está mais complexa, mais densa, ainda para mais com nuances psicadélicas. Foi ouvir pela primeira vez e ficar completamente rendido. Fantástico!

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