Passou-se uma estação. Da Primavera ao Outono, ininterruptamente, os meus novos vizinhos do lado estiveram – e continuam – em obras. O ruído é diário e incessante, começando todos os dias, incluíndo Sábados, í s oito da manhã. Martelos, serras, formões, decapadoras, animais de circo e bombas termonucleares.
De há umas duas semanas para cá, estamos na fase de serrar madeira. O som agudo da serra, os barrotes a cair no chão, marteladas. Não sei se estão a construir móveis, rodapés ou tectos falsos, mas também não quero saber… neste momento estou mais virado para os trabalhos imaginativos de construção alternativa com seres humanos.
Por exemplo.
Usando apenas os meus novos vizinhos, que há quatro meses que fazem barulho e sujam o prédio com toda a espécie de pós e langonhas construto-civilianas, pode criar-se um verdadeiro show de pasmar. Reparem como podemos divertir-nos, usando apenas as ferramentas que temos aturado durante todas estas semanas:
- Pega-se num dos vizinhos e, usando uma serra circular, cortam-se-lhe os quatro membros, tendo cuidado para garrotar os cotos para que não se esvaia em sangue.
- Com um malho, esmigalha-se as mãos de outro membro da família.
- Obriga-se o das mãozinhas esmagadas a cozinhar as perninhas do outro, em lume brando, usando apenas um maçarico.
- Dá-se as perninhas do papá de comer aos filhinhos, aproveitando-se este momento para fazer uma pedicure í mamã, usando a rebarbadora.
- Enverniza-se tudo e está pronto.
É ou não é uma melhor forma de utilizar todas aquelas fantásticas ferramentas eléctricas? Pelo menos assim, acredito que no dia seguinte já não haveria mais barulho e os restantes condóminos me ergueriam uma estátua em ouro maciço.
Ah… ouro maciço…!