Isomnia

Nos primeiros sete dias na casa nova, tomei sete Dormonocts. Dormi lindamente.

Depois na segunda semana, resolvi adaptar-me. Portanto dos sete dias da segunda semana, dormi três.

E agora aqui estou outra vez, às três da manhã, acordado.

Ainda por cima, hoje tive um treino estafante, pelo que devia estar cheio de vontade de dormir. Bom eu vontade tenho… mas não consigo adormecer.

E ainda por cima o vizinho de cima ressona tão alto que parece que está na minha casa de banho. Para não falar no calor, que começa a assombrar-me. Acho que à medida que os anos passam só vou ficando com mais intolerância ao calor.

E as insónias não me largam! Daqui a mais uns anos, não muitos, posso alegremente celebrar 20 anos de insónias. Mesmo que não sejam permanentes, mesmo assim é muita noite por dormir, carago!

E se tinha piada quando ficava a ouvir LPs do Mike Oldfield nos auscultadores (antes dos CDs e antes dos auscultadores se chamarem “phones”), a noite toda e acabava por passar a manhã a dormir, agora já não tem piada. Quero dormir e depois amanhã logo estou acordado, qual é a dificuldade?

É até bastante simples: acordado de dia, a dormir de noite.

Bah!

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Isto num dá nada, carago?

De repente fiquei sem nada no site!

Está tudo na base de dados, mas nada nas páginas… ou melhor, está nos arquivos, mas não no index?!

Já tenho gás!!

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Mudanças e Alterações

Que dizer?

Os últimos dias têm sido uma confusão, mas já estamos na casa nova.
E estamos satisfeitos com a casa nova.
E a casa nova está quase arrumada.
Quase…

Já fizemos a escritura e passámos três dias a dever 80 mil euros ao banco, por causa de um “problema técnico” que teve qualquer coisa a ver com não nos porem o dinheiro do empréstimo na conta antes de pagarem aos vendedores.

No dia 1 tivemos a chave e viemos trazer coisas assim que pudemos. Os meus pais, os meus sogros e o Cunhado vieram todos ajudar, com os respectivos carros carregados, viagens escada-acima e escada-abaixo nos três andares da casa antiga e de elevador, nos oito andares do prédio novo.

No dia 2, às 9 da manhã, sem atraso, chegou o pessoal da Novo Horizonte. Praticamente tudo o que tinhamos na casa antiga foi tirado pela janela e desceu até à rua no elevador exterior, que funcionou melhor do que eu esperava, aguentando com tudo, incluindo frigorífico e máquina da roupa, colchão, estantes e estrado da cama.

Quem também aguentava com o frigorífico e máquina de lavar eram os tipos que fizeram a mudança, que foram impecáveis, além de incansáveis e… claro, conseguiram levantar um combinado da Bosch com dois motores em peso, só com as mãos (só um deles, portanto).

No dia da mudança os meus pais e os meus sogros também vieram dar uma ajuda: umas limpezas, umas arrumações e uma preciosa montagem de candeeiros da autoria do meu sogro, sem a qual, provavelmente, ainda não teríamos lâmpadas em lado nenhum.

Seguiu-se um fim de semana de desempacotamento das mais de 50 caixas, algumas das quais com 30 kg. de coisas lá dentro e montagem de três estantes, quatro mesas, um armário, etc.

Depois foi dia da escritura, na terça-feira, dia 6.
Primeiro vendemos, à D. Clara e Sr. Leonel que, juntos, têm à vontade 160 anos, pelo menos. Foi tudo rápido, até porque os compradores nos pagaram a pronto. O que não significa necessariamente “mala de alumínio cheia de maços de notas”, mas a não existência de empréstimo bancário facilita as coisas.

Seguiu-se a compra, essa sim com empréstimo e bancos e o raio. Mas correu tudo bem e viemos embora com a sensação de que, finalmente, a casa era nossa.

Resolvemos ainda dar um salto à Esso, que é quem fornece o gás na nossa nova morada e que apesar de fornecer gás em Almada, só tem escritório em Lisboa. Estava fechado. Só abre das 9 às 13.

Na qurta-feira dia 7, a Cabovisão apareceu, como sempre – e mesmo depois de 3 telefonemas a confirmar – para nos instalar apenas internet e TV, apesar de súplicas encarecidas da nossa parte pelos três serviços da empresa (i.e.: também telefone).

No fim lá montaram tudo e até fizeram um bom serviço e foram simpáticos, coisa que infelizmente nem sempre acontece. Muitas vezes os técnicos ou são antipáticos (aconteceu-me com a TV Cabo já algumas vezes), ou deixam grandes buracos nas paredes.

Estes tipos foram porreiros, ouviram as nossas sugestões sobre passagem dos cabos como nos convinha mais, chegando depois à conclusão de como montar aquilo da maneira melhor e até taparam os buracos com massa e tudo.

Estavamos também à espera da nossa nova máquina de lavar loiça Whirlpool, mas pelos vistos alguém no Jumbo a deixou cair e já não é esta semana que chega uma nova.

Na quinta-feira fui de manhã até à Esso fazer o contrato do gás.
Voltei com o número de telefone de um senhor que só atende o telefone entre as 18 e as 19 horas, a quem liguei nesse mesmo dia às 18 em ponto.

Tenho agora a instalação do contador do gás marcada para a próxima segunda-feira. Vai passar a primeira semana sem que tenhamos água quente ou fogão para cozinhar, o que não é muito confortável.

Mas o que ainda é menos confortável é que após instalação do contador nós vamos ter que contratar uma empresa de inspecções (“nós” como em “não a Esso”) e quase de certeza que vamos ter que largar para fazer alterações à instalação que não deve estar de acordo com os trâmites.

A minha irmã largou 80 contos, só em alterações.

Mas tudo pela segurança, penso eu.

Mesmo que, claro, no andar imediatamente abaixo seja um cheiro a gás insuportável. É típico Portugal: inspecção obrigatória! Acho bem! Para todos? Não, só para os tansos que venham fazer contratos novos.

É que se o vizinho de baixo vai pelos ares… eu também vou. E não ganhei nada em cumprir as normas. Como sempre.

É uma aventura em contínuo.

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Novo dicionário

Acabei de publicar um novo dicionário. É o Dicionário de Cromos de Centro Comercial.

Contém algumas observações que tinha coleccionado há uns tempos e nunca mais me tinha lembrado. Estive a dar uns retoques e aqui fica, para vossa apreciação.

Dicionário de Cromos de Centro Comercial

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Dicionário de cromos de centro comercial

A Branchless Monkeys Encyclopí¦dia orgulha-se de apresentar mais um dos seus mundialmente famosos dicionários. Os dicionários da nossa prestigiada publicação são artigos de valiosa referência para académicos em todo o Mundo. De Cambridge í  Ivy League, as maiores universidades do mundo não dispensam uma cópia ou mais (ou mais!), da nossa vasta e completa obra.

Agora que deixámos bem claro que somos bons, vamos avançar para um novo volume desta obra de valor incalculável: o dicionário de cromos de centro comercial.

Os cromos de centro comercial existem e não vale a pena ignorá-los, porque não se vão embora. É como o poema Zen da árvore que cai sozinha na floresta… se ignorarmos um cromo destes, será que ele deixa de existir? Não sabemos, porque é impossí­vel ignorá-los.

Mas podemos identificá-los e categorizá-los, como convém. E é para isso que aqui estamos!

Putos Betos

Abrimos este dicionário com uma categoria verdadeiramente assustadora de cromos do centro comercial. Os Putos Betos são uma categoria antiquí­ssima, juntamente com os Xungas, são, possivelmente das mais antigas, senão mesmo a mais antiga, das categorias, já de si antigas. Portanto, é um categoria antiga, é aí­ que queremos chegar.

Os tempos actuais são extraordinariamente propí­cios ao aparecimento de putos betos. Nunca houve tamanha abundância de parafernália beta para fornecer esta categoria e nunca os putos tiveram tanto poder de compra. Um qualquer passeio por uma qualquer centro comercial ajudará a constatar isso mesmo.

Os Putos Betos são fáceis de detectar: Pullover Tommy Hilfiger, Chinos caqui e, claro, camisa Sacoor.

Atenção que o telemóvel é absolutamente indispensável.

Viu alguém assim? Parabéns. Encontrou o seu primeiro puto Beto… tire-lhe o número e anote na sua caderneta. Mas note que a idade é importante: terá que ser um espécime entre os 13 e os 19 anos de idade, com uma cara semelhante a um pudim de framboesa que correu mal. Caso contrário poderá estar a olhar para um Adulto beto e se assim não pode ser nada porque não podemos estar agora aqui a misturar coisas.

As camisas da Sacoor são, dado garantido, a coisa mais hedionda alguma vez a ser posta í  venda desde o café americano e têm como único propósito fazer as pessoas parvas parecer completamente idiotas. Não sabemos de que outra maneira se pode explicar como pessoas que aparentemente estão vivas e conscientes do mundo que as rodeia, possam andar com uma camisa com um boneco de um rato, de uma qualidade absolutamente abaixo-de-d’Artacão, estampada nas costas… enorme ainda por cima.

Isto poderia explicar a razão de muitos putos betos usarem os pullovers Tommy Hilfiger, de preferência brancos e pelas costas. Para tapar o rato, entenda-se. Mas parece que não: o rato é usado com a ostentação provinciana de quem nunca usou roupa de marca e considera esse como o feito mais importante da sua vida.

Parece-nos uma coisa verdadeiramente triste, um adolescente que podia perfeitamente estar de jeans e ténis a perseguir miúdas giras das maneiras mais patéticas possí­veis de imaginar, está ali vestido í  palhaço, balouçando-se pelo Centro Comercial e nada mais acrescentando ao mundo, í  parte de assunto para mais um dicionário desta série.

Dreads

Os Dreads são, talvez, o oposto dos Betos.

Os Betos sempre foram Betos, os dreads já foram outras coisas: Hippies, por exemplo. Embora esta associação deva provavelmente irritar os Dreads… e os Hippies. Mas no bom estilo desta publicação… quero que se lixem.

Os dreads são uma daquelas espécies auto-reconhecidas. Isto é, adoram ser dreads e tratar-se por “dread” uns aos outros. Os Betos não gostam de ser chamados betos, embora sejam visivelmente betos e não se compreenda exactamente o que mais se lhes poderia chamar.

A expressão “dread”, originária da Jamaica, se não me falha a memória, ganhou já um significado mais lato… lato até demais, o que se pode tornar perigoso, como se pode ver pelo incidente do Lobo Risonho.

Não é difí­cil de detectar esta espécie: têm aquele look abandalhado de quem apenas passou 2 horas a arranjar-se para parecer abandalhado. Talvez dreadlocks, talvez não, talvez piercings na testa, talvez não. Roupas largas, calças descaí­das, ténis espessos. Tudo escolhido a dedo, para fingir que não foi escolhido. Tudo de marca, claro. E uma tatuagem, se não tiverem medo de agulhas, claro.

A tentativa vaga de “parecer diferente” que faz com que o dread seja efectivamente diferente de, digamos, um Beto, leva também ao paradoxo final de quem ser diferente: os dreads acabam por ser todos iguais uns aos outros.

Xungas

Uma vez Xunga… para sempre Xunga. O Xunga é o naí¯f deste grupo. É um estilo sem ser um estilo, é uma categoria, não categorizada. O Xunga é em si mesmo ele próprio, sem o ser, conscientemente.

É vê-lo de cabelo absolutamente empastado de gel, camisa aberta no peito (gerações, senhores, gerações!) e, dependendo da idade, se for jovem um brinco de ouro numa das orelhas (uma qualquer, não interessa), se for mais velho, um cordão de ouro ao pescoço. A fórmula é a mesma.

Mesmo que se lave, o Xunga não consegue deixar de ter aspecto de quem nunca toma banho, parece sempre sujo e a necessidade constante de cuspir no chão, não ajuda a compor a figura. O Xunga também se caracteriza pelas suas constantes dificuldades financeiras, que o levam a uma necessidade constante de pedir “uns trocos”.

“Ei chavalo, orienta aí­ uns trocos”, é o seu cumprimento mais habitual.

Os Xungas também são facilmente distinguí­veis pelo facto de levarem a famélia toda para o Centro Comercial. Normalmente um “pai” e uma “mãe” Xungas trazem consigo dois ou três filhos Xungas, fora o filho Xunga Adolescente, que se movimenta sozinho, cobrindo a missão dos “trocos” e o filho Xunga-de-colo, que, escorrendo ranho, berra convenientemente nas alturas inconvenientes (i.e.: todas); a acompanhar o clã, normalmente, podem ainda ver-se um ou outro aví´-xunga ou avó-xunga, sempre em marcha lenta e com um odor levemente “curioso”.

Domingueiros

Os Domingueiros são Domingueiros em tudo o que fazem: é que o senhor (ou o Senhor, como é conhecido nalguns locais), disse que ao Domingo ninguém trabalha, ou coisa do género e, portanto, ao Domingo é preciso é ter calma. Assim, os domingueiros conduzem devagar, almoçam durante 5 horas e passeiam-se nos corredores do centro comercial como se de uma longa e demorada procissão se tratasse.

Os Domingueiros vestem-se para ir ao centro comercial… isto é, vestem os seus fatos de domingo, como é evidente… isto não implica que outros vão nús.

Assim, de fatinho de domingo, que antigamente servia para ir í  igreja ou ao futebol, os Domingueiros fazem a sua peregrinação ao centro comercial mais próximo. Mas o que vão eles comprar?

Mas… nada! Comprar?

Os Domingueiros vão para o centro comercial passear! Porque aquilo sim, são ares! E que vista!

Os corredores são amplos o suficiente para toda a famí­lia e mais os 12 carrinhos de bebé e, convenientemente, existem bancos de mármore aqui e ali para ir deixando a velharada enquanto os mais jovens continuam, alegres e contentes, a percorrer os corredores em ciclo, aparentemente, infinito.

Os Domingueiros deslocam-se, assim, em manada, lentamente… muito lentamente, ocupando, se possí­vel, toda a largura dos corredores do espaço comercial em questão e, se em número suficiente (normalmente assim é), cobrindo com membros do seu grupo montras inteiras, enquanto pronunciam frases como “isto aqui é tudo tão caro”.

Membros deste grupo são também conhecidos por praticar a tática de guerilla urbana conhecida como “parar para conversar bloqueando o único espaço de passagem possí­vel”, mas isso… é tema para um novo dicionário.

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