A mudança

Estamos no final push para a nossa mudança que, esperamos, estará concluída na próxima sexta-feira.

Que grande confusão que é mudar de casa!

A nossa sala amarela, que tem oito metros quadrados, está cheia até acima de caixotes. E digo até acima quase literalmente, porque os caixotes só por pouco não tocam no candeeiro.

Já desmontámos as duas estantes da sala, quatro móveis já foram para a Marta e a Bela já veio recuperar o seu louceiro, ou pelo menos metade e a outra metade já foi fora (entretanto um funcionário da CMA veio-o buscar com o seu carrinho de mão, para uma renovada existência, quem sabe). O Cunhado ficou com uma estante que lhe deu jeito e o meu sogro veio hoje buscar o nosso roupeiro (a casa nova vem com dois roupeiros incluídos).

O mais cansativo é a sensação de que arrumamos, arrumamos, encaixotando pilha de coisas atrás de pilha de coisas e nunca conseguimos acabar.

Hoje devo ter enchido cinco ou seis caixas com livros, CDs e bugigangas diversas do escritório e no entanto, aqui sentado agora sou capaz de jurar que não tirei de cá nada! Começo a sentir um leve pânico ao imaginar que não vai, pura e simplesmente, ser possível ter tudo encaixotado.

Mas claro que vai. Espero eu…

Nos intervalos, sentamo-nos na sala a mastigar qualquer coisa e a ver mais uns episódios da Buffy, the Vampire Slayer, season 2.

Eu estou cheio de dores de costas, desde o treino de terça-feira (200 flexões de seguida…) e carregar com coisas não tem ajudado. Agora acho que vou desmontar mais uma estante, sempre contribui para a sensação de que mudar de casa é possível… claro que não ajuda as dores de costas, mas não se pode ter tudo na vida.

Comentar

Firebird

Estou a escrever qualquer coisa só para brincar um bocadinho com o Firebird, o ex-Phoenix. Ou seja, um browser. É um spawn do Mozilla, supostamente simplificado, mais leve e mais rápido.

Até agora estou a gostar, sem bem que os themes não parecem estar a funcionar muito bem.

No entanto…

Bom, no entanto, o Firebird faz uma coisa que me apaixonou imediatamente!

Duas das minhas coisas preferidas do Moz são o tabbed browsing (mas claro) e a personal toolbar, onde posso ter os meus bookmarks organizadinhos por menuzinhos temáticos.

O Firebird pega nestas duas ideias e faz o seguinte: imaginemos que eu faço um menuzinho para todos os sites de cartoons que gosto de visitar diariamente; faço o menu, encho com links e o Firebird disponibiliza-me logo um link nesse menu chamado “open in tabs”. É brilhante! Simples e brilhante: clicando em “open in tabs”, o Firebird abre todos os sites do meu menu de cartoons, um em cada tab.

Só isto, já vale o browser todo.

[tags]firebird,phoenix,mozilla,browser,firefox[/tags]

Comentar

O país dos impostos

Vou comprar casa dentro de duas semanas, aproximadamente. Fiquei agradavelmente surpreendido com o anúncio, por parte do Governo, do fim da Sisa, esse magnífico imposto que nos é cobrado quando adquirimos uma casa (uma casa, sabem, esse bem de segunda necessidade).

Qual não foi o meu espanto quando, logo na semana a seguir, um coro de protestos veementes, por parte dos autarcas do nosso país, se levantou contra o fim deste imposto.

As autarquias estão preocupadas com a redução dos seus orçamentos, por deixarem de receber a Sisa. O que é de uma hipocrisia fenomenal, porque, como toda a gente sabe:

1 – As autarquias guardam os seus orçamentos durante três anos e meio, para poderem ter dinheiro nos seis últimos meses de vigência dos seus mandatos, para que possam fazer obras magníficas, como rotundas, bancos de jardim e semáforos, para ganharem votos nas eleições que se aproximam.

2 – Toda a gente sabe que ninguém paga o Sisa verdadeiro pelas casas, porque toda a gente aldraba nas escrituras, para descer o preço dos imóveis e fugir ao Sisa

3 – Sem o Sisa, ou com um imposto subsituto de valor inferior, o mercado imobiliário, que neste momento se encontra reservado aos ricos que têm dinheiro para comprar casas de 50 mil contos como investimento especulativo, poderia receber um bem-vindo impulso e crescimento

4 – Com menos impostos, as pessoas que querem comprar casas para HABITAR (e não para alugar ou vender mais tarde fazendo LUCRO), terão mais hipóteses de o fazer, pois as desepesas acessórias descem e o processo fica facilitado.

Os Municipios dizem que querem o Sisa para poderem melhorar a qualidade de vida das suas populações, mas não parecem preocupar-se com o facto de as suas populações não conseguirem comprar casas, ou verem as suas dificuldades em fazê-lo aumentadas por uma série inacreditável de despesas acessórias, que podem fazer uma casa custar mais mil, dois ou três mil contos do que o preço de venda.

Para um Municipio mil contos não são nada. Claro. Para as pessoas que eles dizem querer proteger, são. Bastante.

Claro que o Estado no meio disto tudo também não deixa de ser o proverbial “porco”. Porque quer acabar com o Sisa, no meio de não se sabe bem o quê nem com que intenções. Ao mesmo tempo, quando queremos comprar um carro em Portugal, ficamos face a face com os preços mais altos da Europa, graças à aplicação de dois impostos, o Imposto Automóvel e o IVA… ainda por cima um sobre o outro.

E também vivemos num país em que o Estado usa o dinheiro dos impostos para gastar em estádios de futebol (são 10, para o Euro 2004), onde só os acessos rodoviários vão custar 80 milhões de euros. São 80 milhões de euros, para construir estradas para as pessoas poderem chegar ao estádio e ir à bola.

Afinal, o Futebol continua a justificar um investimento significativo por parte dos nossos governos. Talvez acabando com a Sisa, pudessem passar o orçamento dos estádios e respectivos acessos rodoviários às Câmaras Municipais e assim ficava toda a gente feliz.

Pergunto-me, se com todo este investimento no Futebol, o Governo terá alguns planos especiais para promover o Fado e a Família.

Comentar

Mais uma coisa que não suporto

NíO SE ESCREVE “TUNNING” ESCREVE-SE “TUNING”!!!!!!!!

Não aguento mais, ver todos os cromos dos carros artilhados, não bastar terem pénis pequenos e precisarem de compensar com todas as suas modificações automóveis mas ainda por cima chamarem à actividade “tunning” com dois “n”. “Tuning” só leva um “N”, só UM, não é por ser uma palavra inglesa que de repente passa a precisar de dois.

Aaaaaah. Isto soube-me bem!

Comentar

A experiência do hiper

Há determinadas experiências reservadas para determinadas pessoas. Há algumas, que não são para toda a gente e outras que simplesmente são inacessíveis à maioria.

Muita gente nunca escalará uma montanha, muitos outros nunca saberão o que é cantar para 10 ou 20 mil pessoas, poucos saberão como é deslocar-se a mach 3, por exemplo.

Mas depois há outras experiências, que estão ao alcance de qualquer um, mas que nem todas as pessoas estão preparadas para compreender. Assim, a experiência do hiper está perfeitamente ao meu alcance, mas eu não a consigo compreender, por mais que me esforce.

Já estou um pouco melhor, mas longe da unidade espiritual com a grande superfície, necessária à absorção total da experiência de vida que tem para oferecer.

Por infortúnio, hoje precisei de fazer algumas compras no Jumbo de Almada. Poucas coisas, mas eram coisas necessárias, pelo menos para mim. Na verdade foram mesmo apenas onze items: uma embalagem de fiambre, duas de queijo, uma de panrico, dois sacos de scones, duas latas de ananás, um frasco de shampoo e o fatal último item “não me lembro”. Há sempre um último item que parece óbvio, mas que nunca nos lembramos… era… “aquilo”, ou mesmo “tu sabes”.

Mas trouxe. Seja lá o que for.

Mas com que dificuldade!!

A primeira aventura foi tirar um carrinho. Lá estava eu com uma chapinha de plástico, oferecida pela Telepizza há uns meses atrás, suspeito. E lá estavam mais 12 pessoas, à volta dos carrinhos.

Dessas 12, só quatro queriam de facto um carrinho, as outras estavam a acompanhar, mas não se afastavam da zona dos carrinhos, tornando a tarefa de tirar um, quase impossível.

Depois de duas pessoas terem tirado o carrinho e, consequentemente, levado atrás de si parte do clã, seguiu-se a infalível senhora do porta-moedas. É aquela senhora, que prefere chegar-se ao carrinho e por uma das suas patas no dito antes de ter uma moedinha à disposição para deslocar o veículo da sua prisão. Esta senhora coloca-se de frente para os carrinhos, impossibilitando que outras pessoas lhes acedam, porque afinal, ela “estava ali primeiro”. E só depois, vagarosamente – acrescente-se – tira o porta-moedas da sua mala, procede à operação de vasculhamento numismático, após o que produz uma moeda, que não é adequada à libertação da grilheta do pobre deslocador de compras.

Alguns minutos depois, a senhora consegue finalmente uma moeda que serve, introduz a dita na ranhura adequada e solta a corrente. O carrinho está livre!

…ou… estará?!

Ainda não está, porque a senhora ainda vai fechar o porta-moedas e voltar a colocá-lo na malinha que terá que fechar antes de realmente puxar o carrinho para fora e deixar que o cliente seguinte se sirva do seu próprio cesto de compras sobre rodas.

Magnífico! No fim desta pequena actuação da senhora do porta-moedas eu já começava a ver os vídeos de tchetchenos a cortar vagarosamente a garganta a soldados russos com outros olhos completamente.

Depois de já ter o meu próprio carrinho de compras, deixei para trás o “violentador de carrinhos”, aquele senhor que em vez de ter jeitinho e calma a soltar o seu carrinho, praticamente o desfaz a pontapé ao mínimo sinal de este ter ficado preso.

O Jumbo estava tão absolutamente cheio de pessoas que a única solução que me pareceu viável para adquirir os meus onze items foi estacionar o carrinho junto às bebidas alcóolicas, onde achei que ficava bem acompanhado e partir, solitariamente, em busca dos ditos produtos.

Mas que dificuldade iria encontrar, mesmo assim! Mesmo desprovido de carrinho, a minha deslocação por entre as prateleiras de mantimentos revelou-se, na melhor das hipóteses, complicada. Movendo-se a passo de caracol, famílias inteiras percorriam os corredores num estupor morto-vivo, quais zombies das compras, sem destino e no entanto, inexplicavelmente, com um propósito indestrutível.

Era o caos! Não seria difícil ficar-se shell shocked, balbuciando algo incompreensível junto aos queijos curados, enquanto hordas de seres hipnotizados passavam por nós distraidamente.

Junto aos enlatados uma senhora quis ananás e teve que pedir a uma comitiva que ali havia reunido para que se afastasse, ao que dez pessoas e dois carrinhos tiveram que fazer complicadas manobras para permitir que a senhora obtivesse o seu fruto enlatado. Eu, de longe, topando a jogada, aproximei-me, para aproveitar a aberta, mas qual não foi o meu espanto quando a comitiva já referida voltou a formar às posições anteriores! Eu não queria acreditar… Voltaram a ocupar os mesmos locais, um a um, movendo-se como num ballet macabro, vedando novamente o acesso a toda a secção de frutos enlatados.

Já com os meus onze items no carrinho, após uma operação que concerteza me daria uma qualquer medalha de mérito, fosse eu membro dos SAS, ao serviço de sua majestade, parti com o meu carrinho em busca de uma caixa. Mas, por Zeus! as voltas que eu ainda tive que dar, apenas para conseguir chegar da trás, à frente da loja… ou à frente-loja, para ser mais exacto no meu vernáculo de supermercado.

Foi difícil, mas consegui e para coroar a minha operação de êxito, recebi como prémio, uma caixa expresso para 15 unidades, completamente só para mim.

Acho que mereci!

Comentar