Foi um longo dia, o primeiro da vida da Joana fora da barriga da mãe. Para quem gosta de histórias detalhadas, aqui fica a primeira Joanalogia, a série literalmente irmã dos Tiálogos:
Acordámos uma hora mais cedo que o habitual, prepará-mo-nos e por volta das oito a minha sogra veio cá ter para tomar conta do Tiago. Ele acordou bem disposto e contente de ter a avó a tratar da rotina matinal e ela acabou por ir levá-lo e buscá-lo í escola, sem sobressaltos.
Seguimos para o Hospital Garcia de Orta, onde a cesariana estava marcada pelo Dr. Saraiva, desde há uma semana.
As coisas andaram todas muito bem — toda a gente foi simpática e prestável; a Dee foi sendo chamada primeiro para o CTG, depois para dar os dados pessoais para o internamento, depois para assinar o termo de responsabilidade da laqueação (acabo de me aperceber que não sei como ficou isso).
Naquele ir e vir, as primeiras duas horas passaram num instante.
Depois foi chamada para o bloco, perto das 11 e já só voltaria a sair quase í s duas da tarde.
Durante todo o tempo, jorraram mensagens, no Twitter e no Facebook que eu ia lendo para me ajudar a manter a ansiedade sob controlo. Quando tiver tempo, hei-de fazer um mural com essas mensagens todas, muitas de gente que apenas nos conhece online, dos blogs e das já referidas redes e que demonstraram uma empatia digna de uma família unida.
Entretanto, a Enfermeira Tina, que já nem trabalha no HGO, tirou o dia na clínica e foi trabalhar para o Hospital para ter a certeza que tudo corria bem. Quando chegou disse-nos que a Joana já devia estar cá fora e de facto, um pouco depois de entrar, já tinha a Joana ao colo.
Nasceu í s 39 semanas, no dia 14 de Julho de 2010 í s 11:44 com 3,150 kg. Apgar 10/10, bochechinhas rosadas e bastante vocal.

Como as coisas estavam calmas no bloco de partos, foi-nos dada a hipótese de entrar um pouco e estar com as meninas. Nessa altura, com menos de duas horas cá fora, a Joana já mamava afincadamente e sem hesitação.
Às duas, tive que as deixar e fui almoçar com os meus pais, voltando perto das quatro para o hospital onde andei a vaguear e a tirar fotos até ser hora da visita í s cinco da tarde.
Assim que pude, entrei para as ver. A Joana é muito diferente do irmão quando nasceu e essa diferença tem sobretudo a ver com as duas semanas mais que passou lá dentro (o Tiago nasceu com 37). É maior, mais rechonchuda e mais activa — e reivindicativa, também.
Não gosta de ruído e qualquer barulho inesperado a faz estremecer, ou mesmo desatar a chorar. A certa altura o meu telefone tocou e foi um berreiro. Mas acalma-se depressa com uma de duas coisas: maminha e colinho.

Mais ao fim do dia, apareceram os avós, que traziam o Tiago que adorou estar no hospital — um sítio que ele vinha repetindo que queria visitar, ultimamente.
Reagiu bem í irmã, cheio de sorrisos e curioso a olhar para ela, mas era mesmo a mãe que o preocupava e agarrou-se í Dee a perguntar-lhe se não queria sair dali.
Acabou por aguentar pouco tempo no quarto apertado do HGO (três camas e a Dee parece ter a sina de ficar sempre na do meio), levei-o lá fora onde foi a correr buscar o meu pai e o puxou para “ir ver a Joana”. Como era apenas horário de visita dos pais, os avós não podiam entrar e eu achei que o Tiago ia ficar demasiado agitado, portanto os meus pais levaram-no com eles e eu fiquei mais um pouco.
Mudei a minha primeira fralda a uma menina. E depois mudei a segunda porque, turns out, as meninas também fazem xixi mesmo quando estamos a meio de mudar a fralda. O primeiro banho ficou para amanhã.
No final do horário da visita, saí, até porque agora já não é como quando nasceu o Tiago em que podia ficar ali até ser corrido pela enfermeira, já que agora tenho que dar jantar e por o Tiago na cama.
Como sempre, custou-me deixar a Dee ali. O conforto não é muito e a privacidade quase nenhuma e ela tem que estar lá sozinha, a recuperar da cesariana e a ter que tomar conta de uma recém-nascida.
Felizmente, as enfermeiras e auxiliares pareceram simpáticas e disponíveis, contrariamente ao que aconteceu com algumas, na altura do Tiago. Espero que lhes corra bem a noite e sobretudo, que não demore muito até que estejam em casa.


