O post da licença

Comecei agora a aperceber-me que me faltam escrever uma série de posts: quase não tenho escrito sobre a Joana, não postei nada sobre o meu corte de cabelo e faltava escrever um post sobre a licença parental, para referência de quem possa estar a ser pai em breve.

De ano para ano, os direitos dos pais estão a aumentar, em Portugal. Não sei se é trabalho do actual Governo, se são projectos antigos a ser agora concretizados, mas é uma evolução interessante e importante já que, creio, o papel do pai é importante na vida dos filhos e no apoio í  mãe e deve ser cada vez mais promovido e protegido.

Isto no paí­s do macho latino em que ser homem é ter pelo no peito, beber cervejas e bater na mulher, é duplamente importante.

Quando o Tiago nasceu, a licença do pai era de cinco dias úteis a contar da data de nascimento e mais 15 dias de calendário no final da licença da mãe, ou seja, quatro meses mais tarde.

Agora, três anos depois, a licença do pai é de 20 dias úteis, seguidos, em caso de licença partilhada, de mais 30 dias de calendário após o final da licença da mãe.

As hipóteses são diversas e nem consigo descrevê-las todas porque – como toda a legislação que já li na minha vida – aquilo é difí­cil de interpretar.

Os 20 dias úteis estão divididos em 10 dias obrigatórios e 10 facultativos. Isto significa que a Lei obriga o pai a tirar, pelo menos, 10 dias de licença. Os cinco primeiros dias têm que ser gozados consecutivamente, após o nascimento, os segundos cinco dias podem ser gozados de forma não consecutiva, desde que nos primeiros 30 dias de vida da criança. E depois há mais 10 dias úteis para gozar.

O ideal é, evidentemente, gozar todos estes dias consecutivamente.

O formulário é só um e deve ser entregue na Segurança Social juntamente com cópias dos BIs de ambos os progenitores e do assento de nascimento da criança. Convém levar os originais para mostrar, só para que a/o funcionária/o da SS possa verificar a autenticidade dos documentos.

No formulário deve-se indicar os dias da licença exclusiva do pai (os tais 20 dias úteis) – e este “exclusiva” não significa que não seja concorrente com a licença da mãe, significa simplesmente que é uma licença que cabe apenas ao pai, mas que pode (e deve), ser simultânea.

Finalmente, aconselho a optar pela licença partilhada que é de cinco meses, com 100% do salário suportado pela Segurança Social (é para isto que servem os descontos¹). É possí­vel dividir este tempo de diversas formas, mas eu não as sei explicar todas, a que escolhemos foi a mais simples: 4 meses para a mãe, seguidos de um para o pai.

Quem estiver a pensar fazer rapidamente scroll para a caixa de comentários desejando de fazer piadinhas sobre férias, pode ler a secção que se segue (e fazer piadinhas no fim na mesma, porque eu sei bem do que a casa gasta 0_O).

Ou não são pais, ou estavam distraí­dos quando o foram. Estar de licença estes 20 dias úteis que hoje terminam foi um dos perí­odos mais cansativos de toda a minha vida. E eu não sou responsável pela alimentação da miúda. Sei que me espera mais um mês, lá para o fim do ano, talvez menos agressivo por ela já estar mais crescida, mas provavelmente ainda com muito poucas horas de sono por cada 24 horas.

Ter o pai por perto para ajudar neste primeiro mês de vida é precioso para qualquer mãe e ter que tratar sozinha de um recém nascido quando existe a hipótese de ter ajuda é o equivalente a um castigo imerecido para qualquer mulher, por muito forte, independente e resistente que seja.

Um verdadeiro homem assume as suas responsabilidades. Não, não tem nada a ver com carros de alta cilindrada ou ter voz grossa e meter medo aos outros. Tem a ver com saber-se o que se faz, onde se é preciso e apoiar aqueles que dependem de nós de alguma forma.

Estou a fazer estas afirmações só porque sei que há muitos homens que não assumem as suas responsabilidades perante a famí­lia, porque têm mais que fazer – apesar de tudo, ir para o escritório é só cumprir a rotina habitual, sempre se manda umas bojardas com a malta e no fim do dia até se pode beber uma imperialeca antes de ir para casa².

Não é por acaso que a licença para os pais é parcialmente obrigatória: é que se assim não fosse, muito pai preferiria cem vezes ir trabalhar do que estar em casa a ouvir o bebé chorar e a mudar fraldas – é para isso que têm mulher, ou não?

A licença de paternidade não é uma folga – acreditem, é bem trabalhoso e com dois miúdos a coisa complica-se – é um dever, uma responsabilidade e é uma oportunidade de qualquer homem aprender algo mais sobre si, sobre a sua famí­lia e, porque não, sobre a vida.

Façam-se homens, tirem as vossas licenças, apoiem as vossas mulheres, aproveitem para conhecer os vossos filhos.

Notas (í  lá Rui Carmo):

1 – Não falo aqui da epidemia dos recibos verdes porque nem sei que direitos – se alguns – têm essas pessoas; e não refiro o que se passa com as pessoas que são sócios gerentes, aparentemente alta aristocracia ao olhos do Estado, já que por menos 1% de descontos para a Segurança Social parecem perder todos os direitos de um trabalhador normal.

2 – Apenas apelo ao dever de qualquer homem de cumprir o seu papel de pai neste caso particular da licença – o resto da vida oferece muitas outras oportunidades – mas um gigantesco shame on you a todas as empresas e chefias que tentem de alguma forma impedir os seus funcionários de usufruir deste direito precioso.

6 comentários

Tiálogos XXVIII. Primeiro beijo.

…na tua irmã, entenda-se. Bom, para já é aquele que mais me interessa.

Depois de quase um mês em casa, a Joana não te tem despertado particular interesse. Felizmente não reagiste mal í  presença dela: a primeira semana foi mais complicada, é certo, houve birras quase todos os dias, mas agora que penso nisso, sinceramente, nem sei se foi pela Joana ter chegado, se pela Sónia estar fora.

A Sónia, a tua educadora, essa sim, a tua grande paixão, esteve de férias mesmo ali naqueles dias em que a tua mãe foi para o hospital e depois voltou com a tua irmã. Foi complicado para ti, mas assim que a Sónia voltou, as coisas mudaram.

Entretanto, o tempo foi passando sem que interagisses com a Joana: nem um toque, mas por outro lado, nenhuma agressão. O que também não é muito de espantar, porque não és particularmente agressivo; no entanto, como, quando te chateias, tens tendência para atirar com coisas (não sei a quem sairás… -_-‘), estávamos meio apreensivos quanto í  possibilidade da Joana vir a levar com algo contundente na sua permeável moleirinha.

Resumindo e concluindo: hoje, chorava a Joana – algo que faz fenomenalmente bem nesta idade – e tu explicavas que “não está tudo bem com a Joana”; perguntei-te o que estava mal e disseste-me: “tens que tirar a Joana do berço, para eu dar um beijinho”.

Tirei-a e tu, com todo o cuidado e delicadeza plantaste um beijo na bochecha gorducha da tua irmã.

Espero que seja o primeiro de muitos.

2 comentários

Mais uma voltinha guiada

Agora que tenho finalmente chaves para entrar em casa usando as portas novas, voltei lá para fazer mais um ví­deo.

As coisas movem-se lentamente na fase dos acabamentos, como era esperado, sendo que existem quatro grandes acabamentos que terão um impacto significativo: de uma forma menor, a escada para o sótão (que não deve chegar este mês), e com mais impacto: a guarda de vidro para o terraço, as portas e gavetas na cozinha e a montagem dos sanitários que já chegaram e estão na sala para montar.

Em relação a sexta-feira, hoje não vi quase novidades – sei que estiveram lá a trabalhar e sei que o que andam a fazer é difí­cil de ver: acertar portas, pintar rodapés, alisar detalhes aqui e ali. As portas interiores já têm puxadores desde a semana passada, mais um detalhe que dá “outro aspecto” í  casa.

Fica o ví­deo e agora só voltarei a fazer outro quando houver novidades maiores, digamos, a cozinha e as casas de banho acabadas.

19 comentários

A maravilha dos acabamentos

Ter a casa em fase de acabamentos significa que de um dia para o outro a casa parece diferente.

A fase da demolição é parecida, só que a casa vai-se cada vez mais parecendo com a faixa de Gaza. Agora, e porque os acabamentos estão a ser feitos por dois tipos com queda para o perfeccionismo, a cada dia que passa, a casa parece-se mais com uma capa da Interior Design.

OK, talvez não se pareça, porque não estamos a falar de um apartamento de luxo, mas a verdade é que estou muito satisfeito com a maneira como as coisas estão a ficar.

Por exemplo, as ombreiras das portas estão quase todas prontas e pintadas e parece quase magia a transformação que sofreram com umas simples tiras de MDF; todas as caixas dos estores têm tampas novas, feitas í  medida; o armário onde vai ficar o bastidor tem portas novas e uma prateleira para o bicho; chegou hoje a cabine para o duche, bem como os sanitários e quando passámos lá ao fim da tarde, a casa de banho pequena já tinha o armário para o lavatório no sí­tio e o da casa de banho grande estava a ser montado.

Hoje também foi dia de levar para a casa os materiais que tinham sido comprados por nós: puxadores para as portas interiores, puxadores para os armários da cozinha e as torneiras todas.

A pintura das portas está a ficar impecavelmente bem feita e o carpinteiro estava hoje a certificar-se de que todas fecham bem e a fazer acertos. Estava também a colocar as réguas de transição onde o pavimento flutuante encontra pavimento cerâmico.

Preocupações do momento: falta a escada para o sótão, que o Sr. Augusto já disse que está atrasada (parece-me que vai passar Agosto…), a marquise continua por acabar e cheia de folgas e as guardas de vidro do terraço também ainda não deram sinal de vida. Finalmente, as mal fadadas portas de entrada que chegaram atrasadas e com a medida errada já estão montadas (e com a medida certa), mas fecham muito mal e só fico descansado quando confirmar que de facto é possí­vel nivelar as portas de forma a que fiquem a funcionar convenientemente.

Também me preocupa ligeiramente que 4 dos focos de halogéneo do corredor já se tenham fundido; inicialmente dissemos que não querí­amos halogéneo precisamente por esta razão, mas o construtor colocou na mesma. Sinceramente, eu gosto muito, mas terei que dar razão í  Dee se de facto as lâmpadas se fundirem í  razão de 2 ou 3 por semana.

Para a semana, em princí­pio chegarão os painéis lacados dos móveis da cozinha. Entretanto, deverão estar montados os sanitários e, suponho, as torneiras. Será mais um grande salto no acabamento da casa e mais um passo em direcção í  grande mudança.

Mais notí­cias, novo ví­deo e mais fotos, assim que tiver oportunidade.

17 comentários

Atrás da gaveta

Ao longo do tempo, vão caindo coisas para trás das gavetas, é normal. No conjunto de gavetas que temos na cozinha e onde guardamos talheres e utensí­lios diversos, sabí­amos que já tinha passado algum tempo desde que tí­nhamos desmontado as gavetas para ver o que teria caí­do lá para trás.

Aliás, já nos faltavam tantos utensí­lios que o mais certo é que metade da nossa cozinha estivesse atrás daquela última gaveta.

Recentemente, decidi finalmente proceder í  extracção da tralha caí­da; desmontei uma das gavetas e acedi a um filão fantástico de material de cozinha. Achei tão emocionante, que tirei uma fotografia e fiz uma lista de tudo o que encontrei lá atrás, antes de por na máquina de lavar. Aqui fica essa minha homenagem a toda a tralha atrás de todas as gavetas, por esse mundo fora.

A tralha, ainda intocada, atrás da gaveta.

Lista da tralha que, naquele fatí­dico dia, encontrei atrás da gaveta:

  • 4 Rapa-tachos (aka Salazares)
  • 1 Spork
  • 1 Colher de pau
  • 10 Colheres de plástico diversas
  • 1 Garfo de saladeira
  • 10 Pauzinhos “chineses”
  • 2 Tesouras de cozinha
  • 1 Faca de pão
  • 1 Batedor de ovos
  • 1 Passador pequeno
  • 1 Espátula
  • 1 Colher de gelado
  • 3 Garfos
  • 1 Saco de palhinhas (cheio)
  • 4 Facas
  • 7 Colheres de sopa
  • 1 Varinha de batedeira para bater claras em castelo
  • 1 Escova
  • 1 Faca de plástico
  • 1 Lâmina de picadora

Fim.

Comentar