Meteu a cabeça pela porta e espreitou para dentro do escritório.
“Olá”, disse.
A situação era algo embaraçosa, haviam dívidas entre eles e uma situação mal esclarecida de um contrato que tinha corrido mal e um produto defeituoso.
“Então! Tudo bem? Entra, entra!”, exclamou o outro, que nunca perdia a sua pose comercial, mesmo quando lhe cheirava a problema.
Ele entrou e fechou a porta atrás de si. “Então grande homem, com vai isso?”, disse o outro, estendendo a mão.
Tirou de trás das costas uma picareta. Daquelas picaretas grandes, que se usam para escavacar passeios e abrir fossas. O outro riu-se e preparava-se para fazer um qualquer comentário idiota quando a picareta lhe atingiu o ombro direito, rasgando o casaco, a camisa e dilacerando com alguma violência os ligamentos do deltóide e o bordo da clavícula.
Com um puxão, retirou a picareta do ombro do outro, que desfalecera sobre um joelho e lacrimejava de dor, incapaz de encaixar aquilo que tinha acabado de se passar.
O segundo golpe foi bastante mais certeiro e decidido. Tendo perfurado com certeza e dedicação o crâneo de um lado ao outro, causou morte imediata e satisfatória.
Foi-se embora.
Deixou a picareta… não tinha nada para cavar.
Another friday
Hoje foi mais uma sexta-feira. Talvez pudesse ter sido quarta, não sei bem se o significado cósmico dos dias entrou para a equação da sucessão das horas de hoje.
Acordei já tarde, às dez e meia com o Cunhado a bater à porta. Claro que como não preguei olho a noite inteira, não era de admirar que estivesse um pouco para lá de zombie quando ele chegou à hora combinada.
Depois de um reparador café Delta Colombia, que é tão amargo que o Cunhado até ficou azul, começámos a trabalhar.
Trabalhar nestes projectos grandes nunca é bem como esperamos… por um lado nunca fazemos bem o que pensávamos que íamos fazer (o Cunhado pensava que já ia fazer código hoje), por outro lado, se não nos distraírmos muito, até se faz bastante num dia, sentadinho num sofá com um iBook nas pernas.
Aliás hoje estavamos tão MacIntoshizados que a Dee não resistiu a tirar-nos uma foto, os dois sentados no sofá, cada um com o seu iBook de 12″, de plástico branco, que são daquelas pequenas maravilhas do design da Apple a que é difícil ficar indiferente.
Trabalhámos um bocado, trocámos ideias e tomámos notas, desenvolvendo a ideia base do projecto e preparando-nos para começar a atacar a parte de sujar as mãos. A coisa correu bem, acho.
Ao fim do dia estive a passar alguns dos meus mp3 para o Tom, que é o iPod do Cunhado e que me deixa com um techno lust do caraças sempre que o vejo. Ainda hei-de ter um… é uma maravilha, porque: a) é bonito; b) é tecnologia sexy e c) serve para ouvir música, o que não pode de forma alguma ser subestimado.
Claro que esta entrada no diário se deve a mais uma insónia, mas agora sinceramente já nem ligo muito. Aliás, já as esperava, como velhas amigas em quem se pode contar. Venham, venham…
Música
When you’re weary
Feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all
I’m on your side
Oh, when times get rough
And friends just can’t be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
When you’re down and out
When you’re on the street
When evening falls so hard
I will comfort you
I’ll take your part
Oh, when darkness comes
And pain is all around
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Sail along silver girl
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way
See how they shine
Oh, if you need a friend
I’m sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge troubled water
I will ease your mind
(Bridge over troubled water, Paul Simon, 1969)
Não há nada que eu aprecie e dê tanto valor na vida como a minha capacidade de apreciar música, se me sentar e ouvir… basta.
Obrigado.
A verdade anda aí
Às vezes basta um bom fotógrafo. Confesso que não sei de quem é a fotografia, mas apenas que saiu no Público. Há certas verdades que são auto-evidentes e apenas precisam de ser capturadas e mostradas.
E mesmo assim, a esmagadora maioria das pessoas prefere não as ver.
Nesta foto, apenas adicionei um bigodinho, mas podia não ter adicionado. O impacto era o mesmo. Isto é verdade.

Hoje tive um dia especialmente mau e chato. Tenho que agradecer ao meu pai por me ter dado esta fotografia. Alegrou profundamente o meu dia!
Happy Hippo
Que coisa fabulosa é um Happy Hippo! Que vício!
Isto deve fazer mal de certeza.
Um doce para criancinhas, em forma de hipopótamo, com um creme branco e mousse de avelãs por dentro ou seja lá o que isto for… sabe tão bem!
Se nunca comeram um, procurem rapidamente uma embalagem de Happy Hippos e abocanhem um desses safados hipopótamos!