7:18

Não, não falo de salmos nem versículos. Falo da hora em que me levanto.

Todos os dias, o meu despertador – como um relógio, que… bom… na verdade, é – toca às sete da manhã. Todos os dias me viro para o despertador e o desligo, eficazmente. Todos os dias me volto a deitar e todos os dias, por coincidência incrível, volto a acordar precisamente às sete e dezoito.

Não às 7:15, não às 7:22, mas sempre e sem falha, às 7:18.

Mas porquê 7:18?

Ah, as grandes questões do Universo…

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PEBKAC

Bom dia meninos e meninas,

Hoje trago-vos mais uma sigla para aumento da vossa cultura geral.

A sigla de hoje é PEBKAC, um conjunto de iniciais particularmente querido dos departamentos de apoio técnico um pouco por todo o mundo.

Quando estiverem ao telefone a tentar ajudar um amigo a resolver um qualquer problema no seu computador e, por muito claras que sejam as vossas instruções, por muito simples que seja a resolução, as coisas continuem a não funcionar, então estão perante um PEBKAC.

Digam à pessoa do outro lado da linha que há um PEBKAC e que dificilmente será possível resolve-lo, deverão desligar o computador, devolve-lo à loja e dedicarem-se à jardinagem.

Pronto, eu esclareço. PEBKAC: Problem Exists Between Keyboard And Chair.

Como vêem, para um PEBKAC, não há solução.

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Tio Magalhães

Há uma canção, chamda “Old McDonald”, cuja letra é qualquer coisa como “Old McDonald had a farm, hee-ay hee-ay ho!”. A canção vai dando conta dos vários animais que o Old McDonald tinha na sua quinta e que sons eles faziam.

Em português, esta mesma canção é cantada, tanto quanto sei como “Tio Magalhães tinha uma quinta”. Pelo menos foi assim que a aprendi e só muitos anos depois vim a conhecer o sacana do Old McDonald.

Anyway, ontem, no banho, por qualquer razão que me trasncende, pus-me a pensar qual seria o título desta música para cada um dos partidos políticos portugueses. E saí-me então com a seguinte lista:

PCP:
“Tio Magalhães era latifundiário, í-ai í-ai ôu!
E no seu latinfundio explorava camponeses, í-ai í-ai ôu!”

Os Verdes
“Tio Magalhães tinha uma paisagem protegida, í-ai í-ai ôu!
E nessa paisagem procedia regularmente à limpeza de detritos e produção de alimentos biológicos, í-ai í-ai ôu!”

PSD:
“Tio Magalhães tinha um plano de negócio, í-ai í-ai ôu!
E o seu EBIDTA era superior ao break-even, í-ai í-ai ôu!”

PS:
“Tio Magalhães tinha pedido um empréstimo para comprar um terreno, í-ai í-ai ôu!
E nesse terreno ia, talvez, montar uma banquinha de bifanas, í-ai í-ai ôu!”

BE
“Camarada Magalhães tinha um baldio, í-ai í-ai ôu!
E nesse baldio construiu um centro de recuperação de prostitutos, homossexuais viciados em heroína e seropostivos, í-ai í-ai ôu!”

PP
“Tia Magalhães tinha um iate, í-ai í-ai ôu!
E nesse iate fazia grandes parties onde vendia armas e traficava segredos de estado, í-ai í-ai ôu!”

Pronto, são coisas que acontecem no banho!

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Eventos sem relação

Como se organiza uma existência? Nada de existencialismos, atenção. Sejamos apenas práticos.

É difícil, a menos que se viva apenas para uma coisa. Eu estou sempre a dizer que não sou missionário. Não tenho nenhuma missão. A empresa onde trabalho, ao que parece, tem; não uma, mas várias missões. Cada departamento tem uma missão.

Eu não tenho missão e portanto não tenho como me organizar. Ou talvez seja simplesmente desorganizado por natureza. Sei que, de uma maneira geral, sou.

Mas a verdade é que não consigo sequer imaginar – ou seja, já nem digo por em prática, nenhum sistema de relações entre eventos no meu dia-a-dia.

Acho que já sofro desta confusão mental há muito tempo… e se já foi pior, confesso que também já foi melhor. Senão vejamos: consegui finalmente arranjar uma oficina onde por o Mercedes a arranjar. Porém, precisei de duas tentativas para que eles se dessem efectivamente ao trabalho de verificar as três avarias de que me queixei. Agora as três avarias parecem reparadas, mas o que dizer do alarme, que estava bom e voltou avariado? E que relação tem isso com o Far Cry? Nada. Mas há uma coisa que tem a ver com o Far Cry: a nova nVidia GeForce 6800. Porque a minha boa, mas velha, GeForce 2 GTS já só dá para o básico e um jogo como o Far Cry não é para se jogar com os settings no mínimo. Isso lembra-me que estou a começar a ficar desiludido com a id, que, depois de um grande furor, nunca mais deu quaisquer novidades de jeito sobre o Doom III.

Mas como é que eu encaixo isso com o Gongfu? Não tem qualquer relação. Existe uma relação, de facto, entre as artes marciais e a empresa onde estou a trabalhar. Mas não é uma relação positiva. Antes pelo contrário, desde que, além dessa empresa, trabalho ainda na de sempre, nunca mais pus um pé num treino regular. Isso lembra-me que é Domingo à noite e que não tarda tenho que estar na cama para amanhã me levantar cedo. E lembra-me o trabalho para o cliente que estive a fazer o dia todo, em vez de me entreter com outras coisas. Mas também me deu algum gozo…

Enfim, meio confuso, vou deslizando pelo dia, sem nunca ter a sensação que estou a fazer o que devia. Estou a trabalhar, devia estar a verificar o alarme do carro? Estou a lavar o carro, devia estar a limpar a cozinha? Estou a arrumar loiça, devia estar a ver um filminho? Estou sentado em frente à tv, devia estar a treinar bases de espada? Estou a fazer uns exercícios, devia estar a desenhar um Life is simple?

E é assim que acabo por nunca apreciar ou estar verdadeiramente concentrado naquilo que estou a fazer e que nunca sinto satisfação em conseguir finalmente passar à tarefa seguinte porque, no fundo, começo imediatamente a pensar que devia estar a fazer outra coisa.

Preciso de fazer uns upgrades ao meu computador, tenho que tirar umas fotos com a nova Nikon, apetece-me ir dar umas voltas, quero dormir mais, dava-me jeito ir a um ortopedista por causa do pescoço, quero ver se arranjo energia para voltar ao treino, quero encomendar uns livros da Amazon, dava-me jeito por o Merc na revisão, queria ver se comprava alguma roupa nova, ainda não decidi se quero uns Reeboks, preciso de gravar uns CDs no escritório, era conveniente arrumar a minha secretária aqui em casa, tenho três ou quatro tiras do LIS para desenhar, gostava de mandar uma prenda de casamento ao Tritão e à Cat, mas não sei o quê, um dia destes tenho que ver se acabo de pintar o tecto da casa de banho, apetecia-me continuar a aprender a tocar o “For the love of god” do Steve Vai, era porreiro gravar mais uma dezenazinha de CDs para o iPod, tenho uma ideia para fazer um poster com piada e etc.

Etc.

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AWOL

Hoje apetece-me dar-vos uma palavra e essa palavra é AWOL.

AWOL significa ausente do seu posto sem permissão. Por exemplo, se um belo dia decidirem não ir trabalhar, passar o dia na praia e não dizer nada a ninguém, poderá dizer-se que estão AWOL.

O termo é mais comum entre os militares: aquilo a que também se chama deserção. Mas não é bem exactamente deserção, porque da deserção não se volta, está subentendido que se fugiu de vez, ou mesmo que se passou para o lado do inimigo. A ausência do posto sem autorização pode ter uma explicação qualquer (como, ter-se levado uma valente coronhada e estar-se amarrado na traseira de um Chaimite) e o soldado em questão pode ainda regressar ao seu posto, teoricamente.

AWOL é, então – adivinharam – uma sigla, daàescrever-se sempre em maiúsculas. E como manda a lógica, significa Absent Without Official Leave. Portanto, como eu já tinha dito, ausente sem ordem de saída oficial.

Termino então com uma sugestão, quando tiverem oportunidade, de preferência num bom dia de sol, daqueles com uma ligeira brisa primaveril e passarinhos a cantar, ponham-se AWOL ASAP!

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