Coro de queixumes de Helsí­nquia

A Dee ontem mandou-me um link para um ví­deo fantástico, da actuação do Coro de Queixumes de Helsí­nquia, deixo-vos o texto – caso não tenham paciência para ver o ví­deo… e o ví­deo, caso tenham.

Não se enriquece trabalhando e o amor não dura para sempre.
Na sauna pública nunca nos perguntam se nos importamos que deitem água na caldeira.
Velhas florestas são arrasadas e transformadas em papel higiénico e ainda assim as casas de banho públicas nunca têm papel.
Porque é que produtos em saldos enlouquecem as pessoas?
No meio de Helsí­nquia construí­ram outro inferno comercial.
O meu vizinho espia-me pelo óculo da porta, quando chego a casa com visitas e chega sempre adiantado í  sua sessão de sauna.

Perdemos sempre com a Suécia em hóquei e na Eurovisão.
A época natalí­cia começa cada vez mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos vão para a China.
O eléctrico número 3 cheira a chichi.

Não é justo!

Porque é que a “pizza de um metro”, só tem meio metro?
E porque é que o cabo do aspirador é sempre curto demais – como o Verão.
Ir trabalhar todas as manhãs, de regresso í  noite, eventualmente enlouquecemos.
A bateria do meu telemóvel está sempre em baixo e todos os toques são igualmente irritantes.
Todos os toques de telemóvel são irritantes.
(Desculpa, estou num mau local – liga-me mais tarde)

Quando compramos mobí­lia, tudo o que nos dão é uma pilha de tábuas.
Os lenços de papel são demasiado rugosos e nunca encontro nenhum quando preciso de espirrar.
Os meus collants escorregam quando ando.
Há sempre um homem alto í  minha frente.
No emprego dão-me palmadinhas no ombro e depois esfaqueiam-me nas costas.

Os meus sonhos são aborrecidos.
Os números de referência são longos demais.
As mulheres ainda ganham menos que os homens.
Os tangosos safam-se demasiado bem na vida
O jornal diário é grosso demais.
Porquê sempre eu?

Não é justo!

A lista de espera para o dentista tem quase seis meses. Depois de esperar tanto tempo, o dente tem que ser arrancado.
As boas camisas desbotam na lavagem, as feias não.
As pessoas não têm tempo para bens de Comércio Justo, mas apressam-se a ir onde são produzidos.
Não consigo fugir í s paragonas dos tablóides.
O tempo está sempre um nojo.
Não tenho sexo suficiente…
E o finlandês é difí­cil de aprender como a porra!

Perdemos sempre com a Suécia em hóquei e na Eurovisão.
A época natalí­cia começa cada vez mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos vão para a China.
O eléctrico número 3 cheira a chichi.

O meu apartamento é minúsculo, mas mesmo assim come-me o dinheiro todo.
Então fico sem nenhum com que salvar o mundo.
As pessoas só se afirmam em fóruns de SMS.
Os idiotas não sabem de que lado da escada rolante parar.
O meu marido ressona alto demais e anda demasiado devagar e lava apenas as suas camisas de hóquei.
E a minha mulher passa a vida a queixar-se!

Não é justo!

Noites desperdiçadas a esconder-me do inspector de licenças de TV, porque não quero ter que pagar por desporto e reality tv.
A agência de emprego só precisa de programadores de Java.
Os velhos são alimentados com tranquilizantes para não se queixarem.
O meu amigo gosta do telemóvel, mais do que gosta de mim.
Os nossos antepassados podiam ter escolhido um sí­tio mais solarengo onde viver.

Os meus sonhos são aborrecidos.
Os números de referência são longos demais.
As mulheres ainda ganham menos que os homens.
Os tangosos safam-se demasiado bem na vida
O jornal diário é grosso demais.
Porquê sempre eu?

Não é justo!

5 comentários

Sou só eu…

…ou hoje está provavelmente o tempo mais fantástico desde o Inverno passado? Está tão escuro í s três e meia da tarde, que quase parece noite.

7 comentários

Meine neuen Spielwaren

Acabei de encomendar, na Digisom, duas colunas frontais KEF HTS3001, para substituir as monstruosas JVC dos anos 70 que neste momento ocupam 200 m² lá na sala e uma coluna central KEF HTC3001 para substituir uma velha coluna low-range da Sony que mal reproduz os diálogos.

Aos poucos, a coisa compõe-se.

2 comentários

Já alguém disse…

…que o Gato Fedorento perdeu a piada? Ou sou o primeiro…?

22 comentários

Rótulos

No mundo inteiro neste momento se ouve um zumbido imparável. É o som de milhões de discos rí­gidos a vibrar ao ritmo da curiosidade das pessoas. Esses milhões de discos, de outras tantas pessoas, carregadinhos de dados, conversam entre si, via sistemas operativos e software e trocam bits de um lado para o outro.

Mas o que troca, toda esta gente? O que partilham?

A pergunta talvez pudesse ser: o que não partilham? Seria mais fácil responder. Filmes, séries de TV, música, livros, software, tudo se partilha. As redes P2P, como o emule, fervilham e os ISPs aumentam a largura de banda que fornecem aos clientes – porquê? Será inocentemente que o fazem? Ou saberão que se o cliente não consegue um bom desempenho de filesharing, irá a outro lado?

Hoje em dia, ver websites não “custa” muita largura de banda. Ler mail, também não. Jogar já custa mais, mas o que realmente leva as ligações domésticas ao limite é a partilha de ficheiros.

Mas afinal isto não é tudo ilegal? É pois. Mas não devia ser.

As pessoas que partilham ficheiros na net são apelidadas de piratas, a partilha de ficheiros é chamada de pirataria (independentemente de que ficheiro se trate), e somos constantemente bombardeados com filmes fascizóides sobre crimes que não devemos cometer.

Mas eu decidi rejeitar este rótulo… piratas? Não são aqueles gajos de pernas de pau que andam em alto mar?

As redes de partilha são gigantescas e se alguém não está satisfeito com o que se está a passar é porque não percebe o mundo em que vive. Neste momento as editoras de conteúdos audiovisuais, de livros, de software só têm duas hipóteses: ou páram de produzir ou adaptam-se í  forma como o mundo funciona hoje em dia.

O problema é que não existe inteligência suficiente nessa enorme massa de economistas, gestores e advogados, para dar a volta í  questão. A maneira como as diversas indústrias do entretenimento lidam com a partilha dos seus produtos é através de perseguição criminal.

Esta é forma errada. Das duas uma: ou desistem, ou prendem vários milhões de pessoas. Não parece possí­vel, pois não? É porque não é. O que é preciso é que algum desses senhores tenha uma ideia que funcione. Algo que encaixe na fome de conhecimento das pessoas, algo que sacie a sua curiosidade e desejo de acesso aos conteúdos e produtos e que beneficie quem os cria.

Ah, pois… é que esses senhores não criam nada, não é? Limitam-se a controlar o produto, de forma a que este gere o máximo de lucro possí­vel. De que outra forma se explica que a season 3 de Lost, já em exibição nos EUA, esteja prevista para estrear em Portugal apenas em Abril de 2007?

É mais do que evidente que uma série de portugueses está já a assistir a essa série e vai ignorá-la quando finalmente passar na RTP. E este é apenas um exemplo.

E enquanto as indústrias do entretenimento e informação não arranjarem melhor solução do que chamarem-nos piratas, então eu proponho que as pessoas rejeitem esse tí­tulo: eu não sou nenhum pirata, nem conheço nenhum pirata. Conheço pessoas que partilham coisas de que gostam e gostam mesmo muito. Talvez esse gosto pudesse ser transformado em algo mais positivo do que um registo criminal.

Até lá… Vemo-nos por aí­, caros co-partilhadores.

1 comentário