You’re going to get what you deserve

Por volta das dez da noite, um roadie aproximou-se do microfone central, para o testar e cantou:

“so impressed with all you do
tried so hard to be like you
flew too high and burnt the wing
lost my faith in everything”

Entre-olhámo-nos… o roadie está a cantar a “Somewhat damaged”?

Não era um roadie, era de facto o Trent Reznor. Depois apagaram-se as luzes do Coliseu e começou uma hora e meia de frenesim musical inesquecí­vel. A minha memória de concertos esvai-se demasiado depressa para o meu gosto, mas sei que tocaram o “Closer”, “Reptile”, “Head like a hole”, “Help me, I am in hell”, “Eraser”, “With teeth”, “You know what you are?” e a cover “Dead souls” dos Joy Division, que figura na banda sonora do filme “The Crow”.

E mais, tocaram mais, como é evidente. Por exemplo, uma “March of the pigs”, completamente demolidora e uma “Hurt”, inicialmente apenas com teclas e baixo e depois com guitarra e bateria também.

Nine Inch Nails ao vivo. Já não tinha grandes esperanças de ver a banda ao vivo, mas valeu a pena esperar 10 ou 15 anos, ou lá o que foi.

O concerto foi non-stop, coberto de fumo e iluminado por strobes hipnotizantes. O som estava bom – como é habitual no Coliseu – embora estivesse balanceado, com a guitarra í  direita e o baixo í  esquerda, o que não é muito simpático para pessoas que – como nós – ficaram de um dos lados, em vez de no meio.

Foi, portanto, o primeiro concerto rock do Tiago, í s 33 semanas de gestação, dentro da barriga da mãe, esteve a fazer mosh ao som da melhor banda dos últimos anos. Agora, cá esperamos o “The year zero”, sai já dia 17 de Abril.

[tags]NIN,nine,inch,nails,trent,reznor,coliseu,lisboa,2007,concerto,Tiago[/tags]

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Terramoto

Aqui vai o post obrigatório para o dia de hoje: sim, eu senti o terramoto. :-)

[tags]terramoto,tremor,terra[/tags]

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Vergonha

Às 16 horas, 70% dos portugueses ainda não foram votar no referendo. Prevê-se uma abstenção altí­ssima, como na primeira vez – em que a desculpa foi o Sol. Hoje a desculpa é a chuva.

Haja paciência. Este paí­s – 70% dos eleitores deste paí­s – merece ser uma ditadura. Não querem participar, estão-se cagando. Preferem que outros tomem decisões por eles e limitar-se simplesmente a continuar a queixar-se e a dizer “pois, é o paí­s que temos”.

Eu acredito que a lei do aborto devia ser mudada pelo Governo, sem contemplações. Mas como o Governo escolheu fazer um referendo, eu fui lá expressar a minha opinião, contribuir, colaborar.

Assim, a votação não será vinculativa, o paí­s fica na mesma, não evolui, não avança e da próxima vez que alguém culpar o Governo, o Estado ou os polí­ticos pensem melhor, porque afinal… a culpa também é vossa.

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Tiago, 33 semanas

Foi uma semana complicada, a 33ª, com uma ecografia a mostrar o Tiago pélvico em vez de cefálico – que estava já há montes de tempo – e uma indicação de pé boto, impossí­vel de confirmar pela dificuldade em ver com clareza a posição dos pés.

Ainda me caí­ram os tomates ao chão e só os apanhei quando comecei a perceber que a coisa é muito vulgar e tratável e que eu próprio nasci assim com as patinhas metidas para dentro e que não é por isso que hoje não ando a direito.

Mas é fodido, qualquer coisinha agora é um golpe de que custa a recuperar. A semana foi toda um bocado ensombrada pelas notí­cias de terça, apesar de tudo o resto ser bom sinal: bom peso, bom crescimento, bons indicadores de bem-estar fetal.

O Tiago completou 33 semanas, com 2.123 gramas e em cheio no percentil 50 de crescimento. Começa a semana 34 e começam – na segunda – as obras para por uma porta normal no quarto dele (a actual é de vidro).

Estou ansioso, mas não posso fingir que não estou cheio de medo também.

[tags]Tiago,gravidez,ecografia[/tags]

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Um esclarecimento a quem continua mal informado

Tenho-me apercebido que há pessoas que amanhã vão votar “não”, apesar de serem contra a penalização do aborto! Há inclusivamente quem diga: “vou votar não, para acabar com a criminalização das mulheres”.

Oh minha gente, por favor acordem! Se querem despenalizar as mulheres, têm que votar SIM. O “não” é exactamente o oposto!

E já agora, aqui vai um esclarecimento para muita gente que anda por aí­ muito pouca esclarecida: o aborto não vai acabar se o não ganhar.

Votar “não”, não é acabar com o aborto, meus palhacinhos, é apenas mantê-lo na clandestinidade. Compreendem, ou é muito avançado? Repito: este referendo não vai, nem nunca pretendeu, pí´r fim ao aborto.

Espero que pelo menos algumas cabecinhas por aí­ se esclareçam nas próximas 24 horas.

[tags]aborto,referendo,2007[/tags]

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