Quatro palavras que me dão arrepios

A lí­ngua portuguesa é muito variada, rica e flexí­vel. Consegue dizer-se tudo e mais alguma coisa com as palavras que temos í  nossa disposição de uma maneira simples e até mesmo, elegante.

No entanto, quanto mais o nosso mundo é dominado por senhores de fato e gravata que não sabem fazer nada e passam os dias a falar, mais ouvimos dizer coisas que não lembram nem ao proverbial menino das palhinhas.

Um exemplo é a palavra visualizar. Eu sou designer e faço toda a espécie de imagens: ilustrações, layouts, logos, etc. E para mim, visualizar é o processo de transformar uma ideia numa imagem, muitas vezes mental – tornar a ideia visual e mais concreta, permitindo-me torná-la imagem.

É por isso que, pessoas sem capacidade de visualização, geralmente não têm muito jeito para o desenho, porque não conseguem concentrar uma ideia numa imagem. Visualiza-la, para a concretizar.

Dito isto, se tivesse um euro por cada vez que alguém me pergunta se pode visualizar o logotipo disto ou daquilo, seria já milionário.

As pessoas querem clicar em icons para visualizar páginas, querem visualizar maquetes para darem a sua opinião, querem visualizar ví­deos, que alguém lhes mandou por mail.

A tecnologia criou, aparentemente, esta necessidade nas pessoas. Mas não valia a pena. A lí­ngua portuguesa já nos oferece uma palavra excelente para todas estas situações, um verbo simples e directo: ver.

Ver.

É tão simples. Ver um ví­deo, uma imagem, uma página na web. Ver!

Curiosamente, as pessoas vão ao cinema ver um filme, mas se o processo envolver, algures, um computador, passa a ser visualizar. Mas não é preciso, não vale a pena complicar só porque há mais tecnologia envolvida! Aliás… não é suposto a tecnologia simplificar-nos vida, em vez de a complicar?

E isto leva-me a outra palavra adorada pelos senhores de gravata e também pelas pessoas que andam de volta de tecnologia. Essa palavra é benchmarking.

Benchmarking vem de marcas feitas por técnicos de telemetria para facilitar as suas medições. E desde aí­ tem vindo a ser usado para muitas coisas, nomeadamente, em marketing para designar a análise feita aos produtos da concorrência para permitir tirar conclusões sobre a competitividade do produto de quem faz o benchmark.

No entanto, estamos em Portugal e portanto benchmarking ganha todo um novo significado: trata-se de executar uma análise dos produtos da concorrência para os copiar quase tintim por tintim: erros e tudo.

E esta é a parte mais grave: é que o benchmarking é suposto servir para analisar os pontos fortes da concorrência e perceber como se pode aprender com eles para melhorar o nosso produto. Não serve para arranjar soluções para todos os nossos problemas com base nas soluções da concorrência sem sequer analisar se essas soluções estão certas ou erradas.

Não é incomum, í  pergunta: “porque é que o nosso produto tem uma base de plástico?”, obter a resposta: “a concorrência faz assim!”.

Ou seja: não temos uma base de plástico porque se compreendeu o problema e se decidiu que a melhor solução era a base de plástico. Tem-se, porque no benchmark se concluiu que a concorrência tem.

Isto tem tudo a ver com uma polí­tica generalizada de ignorância e desresponsabilização que grassa por aí­: nunca ninguém ousa ter ideias ou tentar soluções diferentes, porque se der bronca não se pode culpar o benchmark.

Outra palavra desse maravilhoso mundo da bullshit generation é a palavra portugalidade. Eu sei que a palavra portugalidade significa, de facto, algo português ou relativo a Portugal ou í  sua História e tradição. Mas valerá mesmo a pena invocar a dita portugalidade sempre que não se tem mais nada para dizer?

Colocando a coisa de forma monetária, novamente, eu teria já uma conta bancária bem recheada se me pagassem sempre que antevejo uma “portugalidade” a aproximar-se, durante uma reunião ou apresentação.

Porque não dizer, simplesmente: “o nosso produto é português e isso pode ser uma vantagem para o nosso público”. Valerá mesmo a pena dizer: “o nosso produto valoriza grandemente o eixo da portugalidade, oferecendo assim mais valias de mercado”?

Vou terminar com uma expressão que não vem do mundo dos negócios, esse antro bafiento, mas do mundo da bola.

É claro que podia estar aqui o dia inteiro a escrever sobre os abusos que os comentadores de futebol fazem da nossa lí­ngua, mas vou escolher apenas uma palavra: intencionalidade.

Não é incomum ouvirmos esta palavra várias vezes durante um relato de futebol: fulano de tal rematou ao lado, mas cheio de intencionalidade!

Duas coisas. Primeiro: eu não acredito que algum jogador de futebol remate sem intencionalidade! Para que raio estão eles ali a chutar a bola, se não é para a meter na baliza? Sempre que um jogador remata í  baliza, fá-lo “com intencionalidade”. Ou será que, de vez enquando, o Rui Costa manda um granda petardo í  baliza pensando “epá, espero que não entre”.

Duvido.

E segundo: porque não usar a palavra “intenção”? Porquê complicar e ir buscar “intencionalidade”, que é a qualidade daquilo que apresenta intenção? Se foi com intenção… digam intenção! Freddy Adu rematou com intenção!

Aliás, ele remata sempre com intenção, mas infelizmente, nem sempre a sua intenção se concretiza.

…e é uma pena.

[tags]lí­ngua, português, palavras[/tags]

A ouvir: Red Hot Chili Peppers – Aeroplane
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Salvamento?

Glork e Gnarff prestes a serem resgatados da Terra! Dum-dum-duuuuuum (música dramática).

Conseguirão ser salvos pelos seus compatriotas?! Descubra já, no episódio de hoje de OS ESPECIALISTAS!

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Sempre a ser roubados

Ontem í  noite a fonte de alimentação do HellRaiser pifou. Era uma Be Quiet Dark Power super excelente e fantástica… tão boa que pifou.

Mas, adiante… hoje de manhã dei um salto í  Vobis do Seixal para ver se comprava uma fonte nova. Encontrei uma Enermax Liberty por 260 euros. Fiquei um bocado aparvalhado e voltei para casa, de mãos a abanar.

Eu sei que a Liberty é uma boa fonte de alimentação, mas 260 euros pareceu-me um nadinha exagerado. Vim confirmar: na Computer Universe posso comprar a mesma fonte por 134 euros.

Sabem fazer contas? É mesmo, mesmo quase metade do preço.

[tags]hardware,roubalheira[/tags]

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House 4

Há umas semanas atrás, começámos a ver a season 4 do House, M.D. Entretanto temos estado a ver o Qi e decidimos que seria agradável guardar uns episódios do House para mais tarde.

O problema foi mesmo que depois de ver o segundo, não conseguimos parar e vimos o terceiro e o quarto, todos de enfiada.

O House está no topo da minha lista de séries preferidas e a quarta série é, provavelmente, uma das melhores até agora… é impossí­vel largar. Agora estou aqui a ressacar pelo quinto episódio!

[tags]house,séries[/tags]

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Revolução?

Não gosto muito de usar a palavra “revolução”. É uma palavra forte que, para mim, implica um corte com o até aí­ estabelecido para impor uma nova forma de ver, fazer, pensar a vida, o mundo, as coisas. Daí­ o uso do ponto de interrogação no tí­tulo… mas penso que é uma pergunta pertinente.

Creio que é pertinente questionarmo-nos se estamos perante uma revolução da maneira como se faz e partilha música, quando nos apercebemos que o novo álbum dos Radiohead, “In rainbows“, vendido na internet, completamente livre de editoras discográficas e dessa exploração disfarçada de liberdade que é a iTunes Store e ao preço que cada um quiser dar, rendeu í  banda 6,9 milhões de euros numa semana.

Os números não são oficiais, são uma estimativa baseada num poll de 3 mil pessoas que dizem ter pago certa de £4 pela sua cópia, extraploando para o milhão e duzentas mil cópias já vendidas, do álbum.

Mas nem que fosse apenas um milhão de euros, numa semana, significava já que a banda tinha acabado de facturar um milhão do qual não têm que dar satisfações senão aos seus (razoavelmente poucos), gastos.

Os Radiohead acabaram de provar que não precisam de uma editora para ganhar (muito), dinheiro. Não precisam de uma distribuidora e nem precisam de uma qualquer loja online. Nem todos poderão, evidentemente, esperar o sucesso de uma banda como os Radiohead.

Mas acredito que, daqui para a frente, muitos mais tentarão. E talvez seja este o golpe de misericórdia na máfia que é a indústria discográfica que dê origem í  revolução musical do século XXI.

A notí­cia veio daqui.

[tags]radiohead,in,rainbows,online,venda,sucesso[/tags]

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Now playing: Radiohead – 15 Step
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