No início do mês recebi os resultados do meu teste de intolerância alimentar, A200. Como expliquei, na altura, resolvi começar a seguir uma dieta que respeitasse os resultados do teste, durante um mês, para ver que alterações poderiam surgir no meu dia a dia que justificassem a eliminação de tantos alimentos.
A dieta é extremamente difícil de seguir. Se me focar em apenas três dos alimentos a que sou intolerante: leite de vaca, clara de ovo e trigo, já estou a limitar a minha alimentação de tal forma que me é praticamente impossível comer como habitualmente comia.
Num café, por exemplo, não posso comer nada. As sandwiches são feitas com pão, que é í base de trigo, levam fiambre, que tem leite na composição, ou queijo que… tem leite na composição; muitos bolos são feitos com leite, manteiga ou outro derivado do leite, os que não são, muitas vezes têm ovos e mesmo não tendo, praticamente todos, senão mesmo todos, são í base de farinha de trigo.
Almoçar é mais fácil, mas não linear. Posso comer carne e peixe (excepto bacalhau), posso comer batatas e arroz. Mas não me livro de receber um prato com um molho que leva cerveja (também sou intolerante a cevada e levedura de cerveja), ou que leva natas, ou de uma salada com maionese (que leva ovo).
De manhã, estou a comer um pão de centeio integral alemão, da Mestemacher, que se vende no Pingo Doce. Mesmo assim, o último que a Dee me comprou, tinha cevada na composição e o outro que existe í venda, o Fitness Bread, leva germen de trigo.
O pão não é mau, passo-o pela torradeira e depois barro-o com doce de maçã que também compro no Pingo Doce, acompanho com um café e í s vezes, uma maçã.
Mas não é uma torradinha ensopada em manteiga como eu gosto de comer.
Quando me dá a fome lá por casa, vou mastigando umas coisas da Bicentury, como bolachas í base de milho ou de batata, que não são maus de todo, mas são mais uma obrigação do que um prazer.
Entretanto, como fruta. E também como Lay’s Gourmet, porque, felizmente, não contêm nada dos ingredientes proibidos. Mas podiam conter, porque o que não falta no mercado são batatas fritas de pacote que levam trigo e soro de leite.
Aproximando-se o fim da segunda semana, caí de 65 para 63 kg. e desde que comecei a tentar manter um registo do que como e de quantas calorias consumo, tornou-se evidente porquê esta perda de peso, tendo em conta que o meu corpo precisa de qualquer coisa entre 1500 e 2000 kcal só para se manter vivo durante o dia e que, no primeiro dia em que contei calorias, cheguei í s 9 da noite com apenas 1300 consumidas, o mistério dissipa-se.
Se juntarmos a isso o facto de que, ainda por cima, ando a fazer exercício e a queimar calorias extra, a coisa é óbvia.
Mas até aqui, nada de errado.
Não posso dizer que sinta uma horrível vontade de comer bolos ou uma profunda tristeza por não poder comer lacticínios – apesar de tudo, posso comer mozzarella de búfala, por exemplo. Não me custa particularmente não comer pão, embora o pão seja de facto muito prático em termos alimentares.
No máximo, posso dizer que tenho pena de não comer ovos, porque são das minhas comidas preferidas.
O que realmente me chateia é que não noto nenhuma melhoria em absolutamente nada de especial no meu quotidiano mas noto uma clara pioria no meu funcionamento intestinal. Ora, se eu já tinha cólicas e algumas emergências casadebanhísticas, a coisa estava dominada e passava-se praticamente tudo de manhã, ainda antes de eu sair de casa e depois não havia mais sobressaltos.
Agora, não.
Na terça-feira, entre levantar-me, í s 7 da manhã para fazer exercício e sair de casa í s 8:40 para levar o Tiago í escola, tive que ir í casa de banho quatro vezes. Passo o tempo todo com dores de barriga e com a sensação de que as minhas entranhas vão explodir.
Não compreendo que horrível intolerância í s claras de ovo, lacticínios ou outros produtos, tenho eu que me causavam… nada, aparentemente, quando os comia; ou pelo menos, nada que me incomodasse por aí além. Talvez a urticária que me apareceu no fim de Maio fosse causada por um desses alimentos e isso, de facto, foi uma reacção nova, que nunca tinha tido e que nunca mais tive, desde que comecei a dieta.
Se calhar, se voltar a comer pizza, pão e bolos, um dia destes tenho uma crise de urticária daquelas que a minha mãe tem, desde que me lembro e depois arrependo-me.
Chamem-me céptico, mas para mim, voltar a ter que abandonar os meus colegas í mesa de almoço para ir a correr feito idiota, pelo centro comercial, í procura de uma casa de banho limpa, não é uma vantagem; é, aliás, um retrocesso a outros tempos, em que bebia leite – isso sim, posso garantir que me faz um mal dos diabos.
Faltam duas semanas para terminar o ensaio, depois, terei que reexaminar tudo isto e decidir que mudanças ficam e quais vão pela janela fora.


