Muito bem, já passou o carnaval, essa dantesca época do ano. Este ano passou-se melhor, aqui pelo burgo, já que graças í s obras do metro, a câmara não pí´de montar o sistema de som que costuma bombar samba durante duas semanas nesta altura do ano.
O carnaval é uma festa sem grande sentido – como tantas outras – muito transformada num grande circo despropositado para a estação do ano em que é festejado no nosso país. Mas a imitação do carnaval brasileiro (ironicamente, criado pelos portugueses por volta do século XVI), não é especialmente pior do que as tradições mais portuguesas que são muitas vezes lúgubres e medonhas.
O único grupo para quem o carnaval ainda pode ter algum sentido é o das crianças. Os miúdos podem achar piada a mascarar-se, atirar serpentinas e balões de água (o que, a meio do Inverno é extremamente agradável). Qualquer pessoa acima de, digamos, 15 anos, devia deixar-se dessas merdas.
Ah, já me esquecia, o carnaval é também muito importante para os gays de armário que aproveitam esta época para se vestirem de mulher. Mas disso já falei.
Mas voltemos aos miúdos. Acho que não é difícil chegar a certas conclusões sobre como conciliar crianças e carnaval, mas pelo que vi nas ruas esta semana, parece que algumas pessoas precisam de um manual. Portanto, eis que me sacrifico novamente em prol do bem comum e aqui vai:
Primeiro que tudo, se o miúdo é demasiado novo para perceber o que se passa, não o mascarem. Eu sei que eles são muito giros e que apetece brincar, mas as crianças não são brinquedos, são pessoas.
Mascarar um miúdo que não sabe sequer o que é o carnaval, serve apenas para satisfação dos adultos e não da criança. E se é divertido colocar coisas nos nossos bebés, vesti-los de borboleta da cabeça aos pés e depois arrastá-los pelas ruas da cidade é puro egoísmo exibicionista dos pais e não tem absolutamente nada a ver com a diversão da própria criança.
Em segundo lugar, se a criança já em idade para perceber o que é mascarar-se, mas não gosta de se mascarar… não a mascarem! Vi muitos miúdos divertidos com os seus fatos de superman e zorro, fada e princesa, mas a verdade é que vi um punhado deles envergonhadíssimos, de olhos colados no chão, com vontade de se meter num buraco.
Vi uma pirata que se pudesse, fazia-se ao mar e não voltava.
Qual é o objectivo de mascarar os miúdos se eles não querem mascarar-se? Se têm vergonha e são tímidos, porquê vesti-los e pintá-los e desfilá-los pelas ruas da cidade? Mais uma vez, parece-me um prazer egoísta de algumas mães e alguns pais que querem exibir o seu rebento em trajo de cowboy, talvez com a esperança de que o seu seja o melhor disfarce da Freguesia.
Terceiramente: Se os putos acham piada e querem mascarar-se… why not? Eu não gosto do carnaval, não me diz nada, mas se o Tiago, quando lá chegar, quiser mascarar-se, estou í vontade com isso. O mesmo não poderia dizer, por exemplo, se ele quisesse montar um presépio no natal. Aí teria que lhe explicar que Jesus, Maria e José são os arautos do Mal, trazendo apenas discórdia, segregação, violência e morte.
Mas mascarar-se no carnaval pode ser fixe, quando se tem 2 anos, 4, 9 ou mesmo 12.
[tags]carnaval, crianças[/tags]