Frustração sem limites

Há uns anos atrás, estive quase para comprar uma PS2, só para poder jogar Gran Turismo 4. Depois vi a demo dos patos da PS3 e resolvi que valia a pena esperar.

Não estava errado. A PS3 é, de facto, uma consola que não só vale o que custa (e quem ainda não comprou, preparem-se: vai sair um pack com dois comandos e dois jogos), como tem um futuro muití­ssimo promissor com o lançamento de jogos como Assassin’s Creed, The Darkness, Little Big Planet e até o mesmo aparentemente pateta, mas divertido, Pain.

No entanto, não é da PS3, com que estou plenamente satisfeito, que quero falar.

É que, estando na Worten a comprar um microondas novo, já que o antigo foi regado com mijo de gato, dei com o Gran Turismo 4 em edição Platinum, por 19 euros. Como os jogos da PS2 (e até da 1), correm na 3, com upscaling para HD e tudo, comprei.

E tenho estado viciado no jogo… mais ou menos. Tenho jogado muito em spec b, ou seja, eu dou instruções simples e o carro corre sozinho – simulado pelo computador. Não tenho jogado muito em spec a, ou seja, como condutor.

Isto porque os japonas que inventaram o GT4, acharam que era boa ideia impedir os jogadores de efectivamente jogar o jogo, caso não completassem cinco licenças diferentes, cada uma com 15 provas de perder a paciência.

A primeira licença – nacional b – faz-se razoavelmente depressa, mas dá acesso a poucas corridas e em breve estamos de volta ao “license center” para tentar obter a national a (ou será primeiro a A e depois a B? Não interessa).

O que interessa, de facto, é que a segunda licença é mais complicada de obter e sem ela, não temos acesso í s corridas mais interessantes do jogo, tornando um bocado idiota a ideia de toneladas de conteúdo – carros, pistas, cenários – fechado por uma série de provas idiotas.

Porque é que as provas são idiotas? Bom… nem todas são: compreendo a necessidade de aprender a fazer certas curvas e certas manobras em alta velocidade e embora ache frustrante ter que fazer curvas na perfeição dentro de limites de tempo, para poder jogar o meu jogo, até entendo a lógica destas provas.

Pronto, algumas fazem-se í  primeira, outras levam 5 tentativas, outras 20… mas fazem-se.

O pior, mesmo, são as provas de pista inteira. O que “eles” chamam “guided lap”. Esta prova é uma idiotice sem sentido e está a levar-me í  beira da insanidade.

Se no primeiro conjunto de provas, as voltas guiadas já foram a minha maior dor de cabeça, nesta segunda licença, a coisa está ainda mais grave. Já fiz todas as restantes provas, excepto as duas voltas guiadas e o exame final (que, suspeito, será outra volta guiada).

Porque são tão idiotas as voltas guiadas? Bom… antes de mais, as voltas são supostamente guiadas por um pace car, mas o pace car, não é pace coisa nenhuma, porque – isso é-nos explicado antes da prova começar – ele acelera e desacelera conforme nós aceleramos ou desaceleramos, para nem nos aproximarmos demais, nem o perdermos de vista. Incompreensí­vel.

Depois, o pace car vai a uma distância tal de nós, que não nos guia em absolutamente nada. Não é por olhar para o pace car que vamos perceber a melhor linha de corrida, ou o local mais adequado para travar: mais valia desenharem no chão uma linha de guia que pudéssemos seguir e aí­ sim: seria uma volta guiada.

Mas o cúmulo da imbecilidade destas provas – que, lembro, são obrigatórias, para podermos aceder í  maioria do conteúdo do jogo – é o facto de que não podemos sair de pista uma única vez, durante toda a volta, sob a ameaça de sermos imediatamente desclassificados.

Como é?!

Uma prova com um carro de turismo e eu não posso cortar curvas?

É verdade: nas provas de pista do Gran Turismo 4, não se pode cortar uma curva… nem se pode derrapar e sair meio metro para a relva, a sanção é a eliminação imediata da prova, obrigando a recomeçar do iní­cio.

Estou a tentar fazer uma volta, com um Honda, a Suzuka, há vários dias. Sem querer exagerar, já devo ter tentado a prova mais de cem vezes e conto pelos dedos das mãos, as vezes que, efectivamente, cheguei ao fim da pista.

No entanto, o cronómetro do GT4 é implacável. O tempo mí­nimo para fazer esta volta a Suzuka, é 3 minutos. Já me aproximei 1,4 segundos, mas o tempo requerido não é 3 minutos e 1 segundo e 4 décimas. É 3 minutos.

OK, 3 minutos são 3 minutos… mas quando um gajo, na quinquagésima tentativa, falha por 6 MILÉSIMAS de segundo… é exasperante. Aconteceu-me numa das provas da primeira licença e ia atirando o Sixaxis pela janela.

Evidentemente que um gajo tem que cumprir o tempo, mas isto só me faz pensar que, se calhar, em vez de exigir 3 minutos nesta prova, os gajos podiam ter exigido 3 e meio, por exemplo.

É que fazer a pista toda com medo de meter uma roda fora numa curva, não faz de ninguém um Niki Lauda.

E ainda por cima, sei que, quando finalmente passar Suzuka, espera-me outra prova igual, mas noutra pista e com um carro completamente diferente do Honda que estou a conduzir agora.

Portanto, quando, ao fim de 200 tentativas, já conseguir conduzir o Honda tão bem que consigo bater a prova, o jogo atira-me para dentro de um carro completamente diferente e manda-me repetir.

É frustrante. Mas acima de tudo… é muito, muito aborrecido. E eu que comprei o jogo para me divertir…

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Tiálogos XI. Quatro meses.

Fizeste ontem quatro meses e cresceste desmesuradamente. Não cresceste tudo ontem, claro… tem sido uma coisa gradual, mas ainda assim… rápida.

Já não cabes no fraldário, é o que quero dizer.

Cada dia que chego a casa í  noite, tenho a impressão que estás diferente do que quando saí­ de manhã. Neste último mês começaste a sentar-te, desencostando-te da almofada, descobriste o gozo de brincar com as tuas próprias mãos, consegues já quase aguentar-te de pé e consegues pí´r-te de pé se te puxarmos pelas mãos e, nos últimos dois dias, começaste a brincar com os pés.

Sorris constantemente e portas-te quase sempre bem, excepto quando tens sono ou muita fome. O pior é quando tens as duas coisas ao mesmo tempo: queres dormir, mas tens fome, mas para comer tens que ficar acordado, mas tens sono… Esta combinação resulta usualmente numa berraria de fazer cair a casa.

Mas desde que não tenhas um qualquer desconforto, és gajo para estar calmo e divertido contigo próprio, se preciso for.

Quanto a mim, não posso dizer que me sinta muito diferente, por ser pai. Acho que as pessoas são quem são e têm uma capacidade razoavelmente boa de encaixar os acontecimentos que lhe vão passando pela frente, sem grandes desvios de personalidade. Claro que podia fingir – há muita gente perita nisso, então em Portugal, onde as aparências são tão importantes.

A minha vida ficou, isso sim, mais rica com a tua presença e tem agora um significado acima de todos os outros. Nada de esoterismos ou espiritualidades… simplesmente, como animal, o meu imperativo é zelar por ti e como humano, tiro disso um gozo do caraças.

Sinto-me também estranhamente compelido a caçar pequenos mamí­feros e trazer-tos de volta, ao fim do dia… mas que raio…

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Vai no seu melhor

Guardei espaço no meu memory stick para a minha música favorita do Vai: uma balada de fazer chorar homens, mulheres e crianças e ainda por cima com temática religiosa: For the love of god.

É uma das poucas músicas do Steve Vai que consigo tocar mais ou menos até meio, sem soar demasiado mal e portanto, isso também conta para a minha preferência.

Quando percebi, pelo ritmo, que ia ser tocada a dita música, comecei a gravar e o gajo trocou-me as voltas: não esperava a intro tocada em violino. Um dos pontos altos do concerto, com o público já em fúria orgásmica. Aqui está o minúsculo ví­deo do meu valente k610i:

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Mais de três horas de serious guitar wanking

Acabo de voltar do concerto do Steve Vai na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Fiquei na terceira fila, bem ao centro, que é o mesmo que dizer que vi claramente o Floyd Rose das Ibanez do Vai a bascular nos seus eixos.

O concerto durou umas três horas, incluindo uma primeira parte brilhante de um tipo, de quem lamentavelmente não apanhei o nome, sozinho com um combo Legacy e uma velha strat que dedilhou durante 20 minutos de grande gozo.

Depois o Vai, acompanhado de dois violinistas/teclistas, guitarrista, baixista e baterista. O que dizer? Não sei muito bem, ainda estou meio abananado… em parte por causa da tortura auricular, claro e em parte porque estou aqui a olhar para a minha Fender e a minha Hamer, lado a lado, encostadas í  parede e a pensar… “mas como é que é possí­vel…?”

Tenho fotos e ví­deos, feitos com o telemóvel… mas arrependi-me de não ter levado algo mais, já que várias pessoas estavam a filmar e a fotografar o concerto todo, sem problema nenhum. Mas não faz mal… o que conta mesmo é a experiência. E se alguém sabe dar espectáculo, é aquele gajo.

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1-18-08

Já há trailer, a Melita mandou-me:

http://www.apple.com/trailers/paramount/11808/hd/

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