Mais duas coisas que não suporto

Aqui vão mais duas coisas que não suporto para a lista:

1 – Pessoas que vestem os bancos do carro. Há três tipos distintos: o primeiro simplesmente cobre o assento com uma cobertura fabricada para o efeito e não se encaixam muito bem no grupo de pessoas que vestem os bancos do carro, porque na verdade trata-se apenas de cobrir os ditos para os proteger, enfim… talvez seja comparável às pessoas que cobrem os sofás com plástico.

O segundo e terceiro tipo são aqueles que verdadeiramente são insuportáveis: uns vestem os assentos do carro com t-shirts e os outros põe-lhes lencinhos na “cabeça”.

É tão “giro” (sarcasmo, sarcasmo). Todos os dias passo por um carro que tem uma tshirt vestida em cada banco e por um outro que em ambos os encostos de cabeça tem pequenas e coloridas bandanas.

O que se seguirá? Gravatas no espelho retrovisor? E que tal uma meia em cada pedal? Vestir os bancos dos automóveis com roupinhas é errado e devia ser considerado crime contra a humanidade.

2 – Pessoas que abrem o chapéu de chuva no meio de grandes grupos para pequenos trajectos sob chuviscos insignificantes.

Assiste-se com frequência a este comportamento nos transportes públicos, por exemplo. Quando toda a gente tem que esperar que toda a gente abra o chapeuzinho de chuva para ir da paragem ao autocarro, ou do terminal ao cacilheiro. E depois não se consegue andar porque todos chocam uns com os outros e varetas passam perigosamente perto de olhos. Apetece trazer um megafone e gritar “fechem essa porra, é só chuva carago! se andassem depressa já tinha passado!”

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Que se passa com os macacos?

Durante uns dias o Macacos sem galho esteve inacessível via www.macacos.com. Só quem conhecia o url gridpoint.maquina.com/~solo/ é que conseguia aceder.

A coisa já me parecia estranha, porque os outros domínios que estão no mesmo DNS estavam a funcionar. Até que um belo dia se fez luz (coisa rara). Tinha deixado expirar o domínio. Mas já está tudo normal outra vez, pelo menos até 2007.

Bem vindos de volta a este antro de perdição.

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Sweet day

Today I feel relaxed and at peace. It’s sunny and to go with that mood. I am wearing shorts and a shirt, the typical western white guy out of his element, trying to blend in and failing hopelessly. Percy Faith’s Orchestra Lounge classic “Theme from a Summer Place” is playing over the PA.

I imagine myself in the lobby of some big hotel in a sunny island in the Pacific, it’s nice and warm in the early morning and the sea reflects the sun light into my eyes, making me put on my stylish Ray Ban shades. I walk out of the hotel, across the street avoiding the colourful 1960’s model cars passing by and I lean against the short wall that separates concrete from sand.

People are lying on patterned towels, putting on sunscreen and smiling. Some are bathing in the quiet warm Pacific waters, the lounge music plays from Bose speakers hanging from the streetlamps and there is peace in the air.

I take a deep breath, let the sea air into my lungs and relax. I have absolutely nothing to do and nothing to worry about. I turn around now and from the Hotel door, my wife waves at me and starts walking to join me. She’s wearing a black and white bikini, covered by a translucid beach-dress. Her hair is covered by a black on white polkadot scarf and she’s wearing white framed sunglasses.

It’s going to be a sweet sweet day.

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O ano do Macaco

Começa hoje o ano do Macaco.

Aqueles de nós mais próximos das suas origens símias e que compreendem o verdadeiro primatismo da coisa, podem regozijar na clarividência e sabedoria dos nossos amigos chineses que há tantos milénios viram a verdade.

É assim, o ano do Macaco.

Viva o Macaco.

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Uma curiosa viagem

Hoje quando saí­ de casa, por volta das oito e meia, para ir trabalhar não imaginava o que me ia acontecer.

Todos os dias atravesso um parque de estacionamento descoberto, em Cacilhas, para chegar í  estação da Transtejo e apanhar o velho cacilheiro, sou marinheiro, etc, vocês sabem.

Desta vez, quando ia a meio do parque, a tentar tapar as orelhas com a gola do casaco para me proteger do vento cortante que me faz gelar todas as manhãs, reparei numa bota que era visí­vel um pouco mais í  frente, entre dois carros.

É daquelas coisas a que normalmente não se liga, mas não se deixa de dar uma olhada, pelo curioso de ver uma bota abandonada, deitada no chão, entre dois carros num parque de estacionamento. Ocorrem-nos sempre pequenas histórias de como poderia aquela bota ter ido ali parar.

Quando passei olhei e vi que a bota não estava sozinha. De facto, a bota tinha um homem lá dentro. Ou melhor: entre os carros, deitado no chão, jazia um homem já de uma certa idade, gordo, claramente vomitado, cujo pé ainda calçado me havia chamado a atenção.

Um pouco contra os meus instintos aproximei-me da figura aparentemente insconsciente e espreitei melhor. Era um fulano enorme, vestido de bombazine vermelha, muito coçada e gasta, com inúmeros remendos e rasgões ainda por remendar. Tinha a cara esborrachada contra o macadame, fazendo a bochecha espalmar-se por baixo do peso da cabeça e a boca abrir-se ligeiramente.

Cheirava mal e tinha aspecto de quem tinha passado vários dias a beber antes de acabar por deixar-se simplesmente cair ali no meio de lado nenhum, ao frio.

Reparei que tinha um grande saco ao seu lado, cheio de embrulhos, alguns dos quais transbordavam para o pavimento. Inclinei-me para ver melhor, evitando respirar pelo nariz para não me deixar enjoar pelo fedor do velho.

Um dos embrulhos era em forma de cubo e tinha o papel meio arrancado. Por dentro era preto. Aquilo despertou a minha curiosidade e não resisti a pegar na caixa e desvendar o seu conteúdo.

Era um iPod. Novinho em folha.

Abri a caixa de cartão cúbica ao meio e lá estava “made by Apple in California” e “Enjoy”. Abri as paletas de cartolina branca e lá estava ele a olhar para mim. Olhei em volta, ninguém.

Meti o iPod na mala e fui-me embora. Chamei-lhe “precious” e é uma maravilha!

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