Cars are cars

O Paul Simon tem uma música no “Hearts and bones” chamada “Cars are cars”, que diz qualquer coisa como:

Cars are cars
All over the world
Similarly made,
Similarly sold.

É pois aqui que entra o meu grande dilema!

É que quero comprar um carro novo. Isto, de preferência, antes do Punto se desfazer em puro pó. Pó italiano, por certo, mas pó.

O Punto tem nove anos, a bom caminho dos dez e, embora seja sem dúvida um carro de confiança, está velho. Não há como escapar: embora venha sempre impecável das mãos do Sr. João quando vai à revisão, pouco demora a desafinar; a direcção fica solta, a caixa de velocidades é um pesadelo, o travão de mão trava mal.

Além disso a capa da embraiagem recusa-se a ficar colada, o que oferece um pedar de metal lisinho e escorregadio, especialmente mau se tenho as solas dos sapatos molhadas, para não falar da pintura do tejadilho que, após várias toneladas de caca de pombo (malditas ratazanas aladas), está toda corroída.

Bom, o grande dilema é mesmo este: eu quero um Volkswagen Polo. Porque sei que a VW é uma boa marca, com carros com um bom valor e boa construção e também porque gosto à brava do design do carro.

E é uma porra, porque eu não gosto de carros feios! E os carros mais baratos são feios, como é óbvio. Ou… mais ou menos óbvio, pelo menos.

Bom, então agora o problema é que a VW, sendo o que é, é também cara cuma porra. O que me levanta as mais variadas dúvidas.

Valerá a pena gastar mais dinheiro num carro só porque é da Volkswagen?

E quais são as minhas opções? Bom, pelo mesmo preço de um Polo básico, se calhar compro um Fiat Punto todo artilhado, a verdade é essa. Se calhar compro um Ford Fiesta porreiro. Valerá a pena considerar o Civic, que está a ser vendido pela Honda sem juros? E o Nissan Micra, é só esquisito ou é giro? Dos Peugeot 307 não consigo gostar, a minha irmã tem um e acho-o especialmente feio… um exagero estético sobre o modelo anterior (não me lembro do nome), que era um carro giro e agora… não é.

Bom, portanto há várias hipóteses, sendo, claro, que não vou comprar um Audi, nem um BMW.

Portanto aceito sugestões.

3 comentários

Thirty

Tenho trinta anos.

E pronto, não há nada a fazer. Acabaram-se os vintes, venham os trintas.

Isto é tudo a mesma coisa, anyway.

[tags]aniversário[/tags]

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É estranho lembrar

É estranho lembrar-me assim de coisas que ainda não aconteceram.
Normalmente isto não se passa, mas de vez em quando tenho memórias ní­tidas de coisas que nunca aconteceram e que suponho sejam visões do futuro.
Não acredito em fantasias de vidência ou horóscopos, percepção extra sensorial e cartomancia. O que é facto é que sou assaltado, se bem que ocasionalmente, por estas imagens etéreas de acontecimentos que acredito serem futuros.
Não são acontecimentos particularmente importantes nem esclarecedores, são só cenas isoladas de pessoas que não conheço a fazerem coisas vulgares em sí­tios onde nunca estive. Mas vou lá estar. Não seria possí­vel a minha memória guardar recordações de coisas e lugares que não conhecerei.
Não fiz nada de especial hoje e isso irrita-me.
Passei o dia todo em branco. Fartei-me de ver televisão, o que, para mim, é a actividade mais inútil do mundo, não saí­ í  rua nem por um minuto.
Não é estranho?
Não sair, de todo, í  rua?
Nos dias em que não saio í  rua e também não faço nada de especial em casa parece-me que não existi. Como se tivesse consciência do meu próprio corpo, uma consciência maior das suas necessidades, da fome, do sono, da vontade de urinar, mas não uma consciência de mim próprio. Como não sou religioso, esotérico, cientí­fico ou coisa nenhuma, a não ser, eventualmente, céptico, não consigo explicar bem o que sinto. Como não tenho (na minha opinião), alma ou espí­rito ou self ou seja o que for, não consigo definir bem aquilo de que não tenho consciência. Por isso digo que não tenho consciência de mim próprio e acho que se percebe bem o que quero dizer.
Agora são para aí­ cinco da manhã e estou outra vez acordado, sem fazer nada.
A diferença em relação a um dia normal é que não estou a alambazar-me com comidas excessivamente gordurosas que aumentam a minha autoconsciência fí­sica, nunca fazendo nada, porém, para alimentar qualquer sensação de mim próprio.
Continuo a não existir.
No fundo é um grande incómodo, é como ter um aborrecido animal de estimação ou um aví´ muito velho, que esteja dependente de nós 24 horas por dia. Tenho que tratar do meu próprio corpo, sem compreender porquê, uma vez que não consigo jurar a pés juntos que eu de facto exista.
Parece-me que estou a ficar com sono.
Não tenho amigos. Não se trata de auto-piedade, simplesmente constato um facto: não tenho amigos.
Será que me sinto só?
Solitário?
Nesse caso, será que a solidão tem alguma responsabilidade neste meu não existir?
Às vezes ponho-me a pensar nas coisas mais estranhas e fico aborrecido porque não arranjo resposta para as minhas perguntas. Porque será que os escritores escrevem em capí­tulos? Não era preciso. É estranho pí´r capí­tulos assim nas coisas, nas histórias e nas vidas dos personagens e das famí­lias e amigos deles. E inimigos, também, í s vezes há inimigos.
Se calhar se tivesse alguém com quem conversar não passava tanto tempo a pensar nestas coisas. Mas são preocupantes, acho eu. Acho que mesmo uma pessoa rodeada de gente com quem falar provavelmente se preocuparia com esta coisa dos capí­tulos e outras coisas com que também me preocupo.
São seis e meia e detesto ver o Sol nascer.
O tempo é realmente uma coisa que não se recupera, não volta para trás e frases-cliché desse género. Mas choca-me profundamente aperceber-me de que perdi uma noite. Que ela fugiu.
Sento-me, espantado, na beira da cama e olho lá para fora para aquele elipsóide amarelado que surge lentamente no horizonte e não me parece possí­vel que a noite já tenha chegado ao fim, afinal, onde se meteu?
Vou vestir a gabardina e pí´r o chapéu que me deu a minha avó, que é capaz de estar frio a esta hora. Acho que vou dar uma volta pela cidade.
Mas se calhar não é boa ideia. Enfim, corro os meus riscos, vou mesmo…

[tags]conto,short,story[/tags]

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Anal cunt

Finalmente, uma banda que compreende a canção como modo de expressão.

São os Anal Cunt (sim “anal cunt”) e o seu álbum “40 more reasons to hate us” tem nada menos de 41 faixas.

Entre elas podemos encontrar pérolas como “I Noticed That You’re Gay” (50 segundos), “I Hope You Get Deported” (57 segundos) ou “Phyllis Is An Old, Annoying Cunt” (fabulosos 20 segundos!).

A música deste trio de punk rockers é, no mí­nimo, inspiradora! E a sua discografia, que inclui tí­tulos como “Everyone should be killed” (58 faixas) ou “I like it when you die” (52 faixas), é uma verdadeira colecção de poemas tão inspiradores como “You’ve got cancer”, “Pottery is gay”, “You’re Old (Fuck you)” ou “I fucked your wife”.

E quem poderá esquecer, o tour de force que são as canções “some songs”, “some more songs” e “even more songs”.

E para que se divirtam tanto como eu, deixo-vos o site oficial desta fabulosa banda:

Site oficial dos Anal Cunt (Earache records).

Enjoy!

[tags]anal,cunt,punk,rock[/tags]

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Nova stylesheet, candeeiros e outras coisas

Tenho sido extraordinariamente preguiçoso quanto ao design deste site… tudo começou com uma grande vontade de mudar o aspecto das coisas, depois foi a vontade de experimentar o MovableType… e desde que chegou o MT, pouco mais fiz que uma adaptação dos templates de entrada individual.

Hoje decidi mudar a Stylesheet da homepage… mudar por uma das fornecidas pelo MT, atenção, e não por uma feita por mim… isso necessitaria de uma paciência a qual não possuo neste momento.

Apesar de toda esta inércia, hoje foi um dia bastante produtivo. Enquanto a Dee resolveu arrancar buchas das paredes (ainda não tinhamos arrancado as buchas que os antigos donos deixaram pela casa), eu resolvi começar a montar candeeiros.

Ficamos assim com umas paredes mais lisas e com três novos candeeiros: no segundo quarto, na sala e na marquise da cozinha. É uma iluminação.

Como se não bastasse todo este frenesim de actividade, ainda tivemos direito à visita matinal do Sr. Arlindo e seus pares, que vieram desenhar bonequinhos na parede da nossa cozinha, planeando, quais napoleões, a invasão da mesma, com um nível de destruição considerável, tendo em vista a alteração da instalação do gás.

E hoje foi dia 31 de Maio, o que significa que faltam 11 dias para eu ter 30 anos. E isto implica um ritual de remoção de cabelo que, soberbamente executado pela minha querida esposa, me deixou assim como quem quer dizer qualquer coisa e não consegue, i.e., sem palavras, mas no aspecto capilar da questão. Ou seja, regressei ao meu look de há alguns atrás, que muito conforto me trás e ainda por cima, como o “Olá”… é fresquinho.

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