Estou a chegar ao fim de umas curtas férias, especialmente para descansar um pouco e fazer as inevitáveis compras de Natal. Inevitáveis, não porque sejam uma obrigação, mas antes, um prazer. Gosto de dar prendas tanto ou mais do que de as receber e o Natal é, todos os anos, uma excelente oportunidade de juntar ambos.
Mas este ano é diferente.
Ao longo dos dias de compras foi-se tornando cada vez mais evidente que algo não está a bater certo neste Natal e acabou por se tornar dolorosamente óbvio o porquê.
Todas as coisas que fazemos a dois, devíamos estar a fazer a três.
O dia-a-dia regressou í sua normalidade, mas na verdade, a nossa vida continua virada do avesso. O Alex teria agora três meses e eu não faço a mais pequena ideia de como é ter um bebé de três meses em casa. Não sei como é vesti-lo e dar-lhe banho, levá-lo a passear em Lisboa, com as ruas cheias de pessoas a fazer compras debaixo das iluminações coloridas.
Gostava de lhe comprar a primeira prenda de Natal e de ver a família reunida í volta dele, o seu mais recente membro. Mas a única coisa que tenho são imagens falsas, que inventei, de coisas que nunca aconteceram e das quais não tenho sequer experiência. Invento histórias e momentos na minha cabeça, simplesmente porque não consigo evitar fazê-lo.
Há dias em é mais fácil fazer parecer que nunca aconteceu nada e outros é que é bastante mais difícil, mas nunca há um único dia em que não pense no meu bebé.
Tenho saudades tuas, puto.
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