Depois de uma noite passada entre uma azia brutal e os prazeres inconfessáveis do sexo suado, acordei cedo e bem disposto.
O estí´mago parecia ter passado as minhas três horas de sono a tratar da digestão que não tinha conseguido completar antes e já pedia mais qualquer coisita que se comesse.
Lá comi, alimentei o bisonte, vi algum porno online e depois pus rexona nos sovacos e preparei-me para sair.
Vesti o casaco e depois vesti o casaco novamente, peguei no ipod e escolhi a minha selecção de músicas do Tony Carreira para ouvir no caminho. Foi nesta altura que senti um borbulhar na área intestinal e resolvi que, tendo em conta a indisposição da noite anterior, seria boa ideia ir testar as águas antes de sair.
Durante uns minutos, nada. E depois… algo… um som, um rugido antigo. Por momentos – não sei bem porquê – pensei no Balrog de Moria e subitamente, surgiu-me no pensamento o Hideo Nakata: foi nessa altura que se deu a explosão.
Fui completamente apanhado de surpresa, larguei o Zuma e agarrei-me aos bordos da sanita com todas as minhas forças; foi preciso um esforço sobre-humano para não ser projectado para a banheira, enquanto as minhas entranhas se liquefaziam e entravam em erupção. No ar, o estranho odor a óleo de atum, sem dúvida produto da minha refeição da noite anterior que tanto tinha dado que fazer ao meu sistema digestivo.
O processo demorou longos minutos em que cheguei a temer pela minha vida e a de todos os meus vizinhos num raio de 18 Km. Até que, finalmente, parou.
Exausto e desidratado, bebi alguma água e deitei-me na cama.
Sol de pouca dura, já que breves minutos mais tarde estava novamente na casa de banho a precipitar violentamente.
Tomei um imodium e decidi que não era seguro sair. Avisei que não ia trabalhar e amochei um bocado.
O dia não melhorou muito, voltei a ter episódios de desaguamento implacável e alguma febre, mas se tudo correr bem, hoje não acontecerá o mesmo.