Suspensão de post

Quase nunca faço isto… mas desta vez não aguentei. Estava a ficar profundamente enjoado com a discussão í  volta do Benfica e do Porto e de quem é que é o maior e mais isto e aquilo.

Portanto suspendi o post anterior, não há pachorra…

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Mourão

A viagem não agoirava bom tempo. Ou seja, chovia a cântaros, quando entrámos na A2, em direcção a Sul. Três carros: dois Mercedes e um Passat, mostram que a famí­lia evoluiu um bocadinhos nos últimos 25 anos, altura em que a viagem teria sido feita num Fiat 128 e um Dastun Y, com os 12 mânfios igualmente distribuidos e ao colo uns dos outros.

Vómito teria sido o cheiro dominante.

Mas as coisas mudaram, a famí­lia aumentou e as estradas melhoraram.

Da A2 para a A6, sempre a andar bem e depois, pelas estradas nacionais, até Évora, passando por fora para Monsaraz, onde almoçámos.

Não há dúvida que os alentejanos sabem cozinhar e é uma pena não comer porco no Alentejo. por isso mesmo, alambazei-me com secretos e pão.

O pão alentejano devia ser considerado monumento nacional ou coisa parecida e é pena que seja impossí­vel comprar pão daquela qualidade em Lisboa.

Depois de Monsaraz e do almoço, ainda í  chuva, foi altura de fazer o resto do percurso, até Mourão. A paisagem está toda coberta de água do Alqueva, aquilo a que por ali se chama “o grande lago”. E o Guadiana passou de um fiozinho de água, onde flutuámos com ajuda de câmaras de ar, a um lago com ilhas e tudo.

Debaixo de água, a praia onde passámos uns dias e a fábrica de papel. Deve ser interessante mergulhar ali.

Chegámos a Mourão ainda com chuva, situação que não se alteraria muito.

A Marta fez-me um teste de QI, do qual terei resultados em breve e depois dormiu-se uma sesta. Nada como a calma da aldeia.

Seguiu-se um passeio: visitei a minha antiga escola primária, onde terminei a primeira classe e fomos até ao castelo ver os corvos que por lá andam. Na aldeia não havia ninguém na rua e as casas tinham os estores fechados… onde andam os Mouranenses? Em casa a ver a TVI, certamente.

O jantar, na Adega Velha foi dividido: metade da mesa comeu cozido de grão e a outra metade, feijoada, tirando uma sopa de cação e um lombo no forno, excepções í  regra.

O vinho veio em jarros de barro demasiado porosos: desaparecia rapidamente. No final: encharcada simplesmente irresistí­vel.

Levantar é que foi pior… e o caminho de volta í  Casa Esquí­vel foi algo acidentado. O resto da noite passou-se a jogar Uno e comigo a tentar não ficar tão mal disposto que tivesse que ir vomitar. Cantou-se um bocado e fizeram-se palhaçadas q.b.

Dormiu-se mal em colchões durí­ssimos e o pequeno almoço foi ranhoso só tendo servido para, numa dentada inadvertida, eu ter arrancado um pedaço do meu próprio lábio, í  dentada.

Quando parei de sangrar, metemo-nos no carro e rumámos a Almada, em mais uma viagem sem incidentes.

E pronto… Mourão lá está. Fez-me pensar que a pessoa que eu era entre os 6 e os 7 anos, quando lá vivi, já não é, de facto, a mesma que está agora í  beira dos 33. E isso não faz diferença nenhuma…

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Regresso a Mourão

Depois de mais de 25 anos, amanhã, a famí­lia volta toda a Mourão, para um fim de semana na mesma casa onde vivemos há tantos anos, agora transformada em pousada.

Weirdness awaits.

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Work it

Pela primeira vez este ano, fui treinar duas vezes numa semana. Na terça, treino de exame, na quinta, treino fí­sico.

No treino fí­sico de ontem aproveitei para me libertar de algumas frustrações acumuladas durante a semana, já que hoje entro de férias. Quem sofreu foram as minhas mãos que ficaram um bocado maltratadas num exercí­cio com impacto em plastrons.

Na saí­da, a voltinha do costume para deixar o Gus na estação, com um ligeiro desvio para parar e vomitar. Vomitei só água, í  falta de melhor, mas não me posso queixar.

Tenho que começar a planear melhor a minha refeição pré-treino, porque obviamente que não está a funcionar bem. A meio do treino já estava cheio de fome e, depois do esforço final, o estí´mago não aguentou.

Agora é esperar que deixe de me doer mexer os dedos.

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Extremismo e fundamentalismo

Os portugueses, especialmente os que se sentem culpados, gostam da palavra “fundamentalismo”, também gostam de “extremismo”, mas preferem, decididamente, “fundamentalismo”.

Há temas quase mágicos que fazem despoletar esta palavra. Vegetarianismo, que até rima com fundamentalismo, é uma delas.

Os portugueses que não são vegetarianos, não concebem um vegetariano (novamente, generalizo, mas é para bem do tempo, que isto não é um ensaio, é só um blog idiota), pelo que, imeditamente, o rotulam de “fundamentalista”.

O mesmo se passa entre fumadores e não-fumadores, como já se viu. Um fumador, rotula o não-fumador que se queixa, de “fundamentalista”. Não que o não-fumador não chame coisas piores ao fumador, evidentemente.

A definição de fundamentalismo vem, mais do que obviamente, da palavra “fundamental” e tem raí­z na religião. O fundamentalista é aquele que defende um determinado conjunto de crenças religiosas tidas como fundamentais para a sua religião.

Para um fundamentalista islâmico, é fundamental que a mulher cubra completamente o corpo e que o homem não beba álcool. Conversados.

Mas pode ser-se fundamentalista sem se ser extremista?

O que é afinal um extremista? É alguém que… bom, defende ideias extremas.

Suspeito, portanto que seja possí­vel ser-se fundamentalista – acreditar que se deve jejuar na sexta-feira de páscoa – mas não andar com uma kalashnikov a obrigar todos a jejuar no dito dia. Aqui terí­amos um fundamentalista não extremista.

O contrário seria um fundamentalista extremista.

O dicionário que consultei, é bem claro na ligação que faz entre fundamentalismo e religião e como ser vegetariano não é uma religião, fundamentalismo parece-me um termo desadequado para um vegetariano.

O vegetarianismo pode ser ditado pela doutrina de determinada religião, budismo, por exemplo. E aí­, talvez possamos considerar uma pessoa vegetariana, fundamentalista… mas pela sua dedicação í s crenças ortodoxas budistas e não necessariamente pelo seu vegetarianismo.

Quanto a extremismo: como definir o que é extremo?

É extremo um fumador irritar-se com um não-fumador e chamar-lhe nomes em público? Ou será apenas extremo se o fumador puxar uma passa e seguidamente empurrar o não fumador para a linha do metro?

Será apenas extremo se o fumador urinar nos restos trucidados do não-fumador que lhe tinha mandado apagar a beata num tom pouco amigável?

O extremismo tem ní­veis, o que nos leva ao termo “extremismo radical”. O extremismo radical é o extremismo mais divertido de todos e não há nada melhor que um fundamentalista extremista radical.

Este é o cidadão modelo que está absolutamente convicto que Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados (fundamentalismo), e que na sua interpretação mal-guiada acredita que todos deví­amos ter o mesmo destino (extremismo), e que, portanto, anda de porta em porta a pregar os vizinhos a postes (radical).

Não sou extremista, nem radical. Sou amigo dos animais, mas não consigo tornar-me vegetariano. Enjoa-me o capitalismo desumanizante, mas gosto muito dos meus bens de consumo. Não gosto de cigarros, mas não me afasto dos amigos que fumam só por isso. Mas quanto a uma coisa sou fundamentalista: o Benfica é o maior!

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