De há alguns dias para cá que decidi comprar três marcadores. Isto não parece nada de excepcional, certo?
No entanto, é uma tarefa complicada. Quero comprar três marcadores cinzentos, graduados, para desenhos rápidos. De facto não são três Paper Mates, mas também não é plutónio… Existem diversos fabricantes deste tipo de marcadores – chamemos-lhe “artísticos”, coisa que no estrangeiro é normal (“art markers”, por exemplo), mas que em Portugal soa a presunção.
Os que eu quero mesmo, mas mesmo, mesmo, são os Copic. A Copic tem uma linha de marcadores largos que são igualmente bestiais para preencher rapidamente formas e para desenhar linhas (com o canto da ponta de feltro).
Depois há os Letraset Tria, que também existem em gamas de cinzentos quentes, frios ou neutros, graduados (de 0 a 9, normalmente). Os Prismacolor Art Markers, que – ao que parece – é uma marca que nem se vende na Europa. Ou, por exemplo, os Touch.
Enfim, são quatro exemplos de fabricantes de marcadores que oferecem gamas de cinzentos graduados.
Dirigi-me í Papelaria Fernandes do Almada Forum, que tem uma prateleira inteira dedicada í Crayola, na sua secção de arte. A Crayola está também í venda na Pré-Natal, para terem uma ideia. Marcadores profissionais: nem vê-los.
Mas ok, já estou habituado í fraca qualidade da maioria das lojas do Almada Forum, que parece que só têm os restos das lojas de Lisboa.
Hoje saí mais cedo da PT e fui í Baixa, convencido de que não sairia desfeiteado.
Fui í Papelaria Fernandes da Baixa e fiquei triste. O primeiro piso, que antigamente brobulhava de material artístico, está reduzido a uma escolha paupérrima, que me deprimiu. Lembro-me de ir passear para a Fernandes, quando andava na Faculdade ali perto, só para olhar para todos os materiais brilhantes e coloridos que eles vendiam. A coisa começou mal.
Fui í Progresso, ali ao lado, só para constatar que está fechada há vários meses. A Progresso tinha um primeiro piso também bem recheado de material artístico. Já não existe.
Fui í Moderna, ali ao lado também, que não costuma ter uma oferta tão interessante, mas que ainda assim tem uma secção de material de pintura e desenho. Não vi marcadores e como a hora de fechar se aproximava, perguntei í senhora em vez de andar í procura nas prateleiras.
Ela chegou-me um cestinho raquítico com umas canetas de feltro. Fiquei sem saber se havia de lhe deixar uma moedinha no cestinho ou levar canetas.
Saí então em busca da casa Ferreira. A Ferreira não é uma papelaria como nenhuma das que anteriormente referi: é uma casa de materiais para arte e era a minha última hipótese do dia, visto que as sete horas se aproximavam galopantemente.
Não encontrava a loja, portanto liguei ao Nelson que costumava ir lá comigo e lá acabámos por dar com aquilo. Com aquilo, quer dizer… com a carcaça daquilo. A Casa Ferreira da Baixa, fechou. Está deserta, esventrada, suja e abandonada, com um significativo aviso na montra: “vendem-se dois balcões e uma estante”.
Mas nem tudo são más notícias: sei que há outra boa loja no Camões, de que não consigo lembrar-me do nome; e sei que a Casa Ferreira da Rua da Rosa ainda está aberta.
Planeio novas incursões, qual Indiana Jones em busca dos meus marcadores graduados!
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