Bom, não é bem esse o nome do filme, mas de certa forma, podia ser.
Devo confessar que saí do cinema desapontado com o novo Indy. Depois de anos de espera e de três filmes que marcaram a minha juventude, esta quarta aventura sabe a muito pouco.
A história parece retalhada, sem grande fluidez e é muito contada num tom de “vamos ali, tá bem, vamos! agora vamos ali! ok, bora!”; não sei se me faço entender, mas é a sensação com que fiquei.
Senti muita falta das piadas brutas do Indiana Jones: o árabe da cimitarra que leva um tiro, o nazi careca que é decapitado pela hélice… neste filme sorri-me algumas vezes, mas nunca me ri.
Fico com a sensação que a melhor cena do filme é a da vilazinha dos manequins e o frigorífico. Completamente inverosímil, mas com um bom estilo Indy.
No entanto, parece desencaixada do filme e mais uma vez contribui para alguma falta de fluidez da história.
Depois, a maneira como o Jones resolve os puzzles que se lhe deparam é, no mínimo, despachada: identifica rapidamente a língua de uns escritos, decifra imediatamente pictogramas e em cinco segundos está a sacar informação do personagem do John Hurt porque o vê abanar a mão e percebe-se que tenta escrever… fraco.
Mas para mim o mais desapontante no filme foi mesmo que nem por um minuto temi pela vida do Indiana Jones. Excepto talvez na tal cena que já referi e que não vou adiantar mais para não estragar o filme a ninguém, a verdade é que não existe uma cena no filme como a do Temple of Doom em que ele está numa sala com um tecto com espigões que desce sobre a sua cabeça; ou amarrado numa cadeira com a sala toda a arder, como no Last Crusade.
Parece que o Indiana Jones se safa sempre na maior, raramente está em verdadeiro perigo e não precisa de fazer grandes esforços para encontrar o “x that marks the spot”.
Finalmente, o final do filme deixou-me muito “mnhé”. O que raio de coisa rebuscada foram eles inventar. Eu sei que o misticismo e paranormal fazem parte do Indiana Jones, mas a solução do enigma deste filme é, penso eu, levada longe demais. Mais uma vez, não revelo o que acontece, mas deixou-me indiferente, confesso.
Mas é um filme divertido que até vale a pena ver. Está cheio de referênciazinhas pequenas por todo o lado, incluíndo ao Star Wars e tem algum humor, aventura e porrada q.b. Talvez eu estivesse a depositar demasiada esperança naquele que foi o meu herói de miúdo.
Eu já não tenho 11 anos e todos os gajos que fizeram os filmes originais já têm direito ao passe social para reformados…