Tiálogos XXI: Olá pá!

Filho, és Português.

Não to digo como uma má notí­cia, mas como uma constatação inegável.

No teu universo de 20 e picos palavras, pautam algumas frases a mais importante das quais é, sem sombra de dúvida, esse tão lusitano cumprimento: “Olá pá!”

E não é uma tentativa de dizeres “olá papá”, porque isso dizes tu muito bem quando necessário. Assim que evoluirás para um “Atão pá!” ou um “Isso vai, pá?”, o teu treino estará completo – como diria Darth Vader.

Estás agora com dois anos e pouco mais de um mês e acabámos de descobrir que dizes mais coisas do que nós pensávamos. Burros, os teus pais estavam convencidos que se não dissesses palavras em português, não contava.

Dizias, então: mamã, papá, sim, não, olá e uma mini-frase que certamente tu interpretarás como palavra: já tá.

E então a Pediatra lá explicou que a tua linguagem não tem necessariamente que ser universalmente entendida e se não haveria mais som nenhum que tu fizesses para identificar algum objecto. E há, de facto.. Ao fim e ao cabo, os putos dizem as coisas mais incrí­veis para se referir í s coisas e muitas vezes só os pais e mais um ou outro familiar chegado os compreendem.

Pusemo-nos então a fazer a lista e chegámos a umas vinte e picos e até nos apercebemos que estavamos a deixar de fora algumas que soam bastante parecidas com palavras em português, como o caso de nananá para banana.

Temos então vários sons de animais como “uf uf” para cão, “cócócó”, para galinha, “brrrrrr”, para elefante.

Não dizes fome, mas tens um som para fome, não dizes água, mas tens um som para sede… enfim, criatividade não te falta e já percebemos que há mesmo algumas palavras com sí­labas bem formadas que nós simplesmente não compreendemos, como é o caso de “fufu”, que já pensámos que podia ser “azul”, mas honestamente, temos dúvidas.

E tem sido assim, divertido, tentar compreender-te melhor.

E de resto?

Bom, neste momento és um oceano de mimo. Chega a ser perigoso porque muitas vezes, as tuas roçadelas amistosas acabam em cabeçadas que abrem o lábio ao teu pobre pai ou quase partem o nariz í  coitada da tua mãe.

Sempre disposto a beijinhos e abraços, colo e brincadeira. É um show estar contigo e compensa amplamente as duas ou três birras que fazes durante o dia por coisas pequenas.

Continuas a gostar de música, de dançar, do Pocoyo e do Rato Mickey e, claro, és do Benfica… mas eu já escrevo um Tiálogo especial a explicar isso.

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Tiálogos XX. Tialogando

Temos esperado que fales, puto. Já sabemos a coisa dos ritmos diferentes e mesmo assim, quando escrevemos sobre o assunto, a tua a mãe e eu, lá recebemos os conselhos (sempre bem intencionados), do costume: cada um tem o seu ritmo, fala quando estiver pronto, vais ver que depois diz tudo.

Não temos grandes stresses sobre o assunto, o que nós temos é muita vontade de te ouvir falar! Não só porque é giro, mas também porque dá imenso jeito.

Agora a coisa começa a compor-se. Já dizes “mamã” e “papá”, esses dois pilares básicos da conversa de qualquer criança e também começaste a dizer “ná”, acompanhado de veemente abano de cabeça, significando, evidentemente, “não” essa peça-chave do arco ogival do discurso de qualquer puto de dois anos.

E o jeito que isso dá! Saber quando não queres qualquer coisa é-nos extremamente útil, nem imaginas. Espero que daqui até a “deixas-me levar o carro?” ainda passe tempo suficiente para todos podermos gozar a tua nova capacidade de comunicação sem conflitos complicados de resolver.

Embora em termos de palavras que nós compreendamos ainda só vamos nestas três e num ou outro “olá”, “água”, “xixi”, enfim, umas assim soltas, em termos da lí­ngua oficial da Tiagolândia, a coisa vai lançada. Raramente te calas e nós raramente compreendemos o que estás a dizer.

“Tá p’tá”, é uma das expressões favoritas, geralmente dita com diferentes entoações enquanto apontas para objectos desenhados nos teus livros favoritos. Desculpa lá não perceber a tua lí­ngua, se houver algum curso rápido em que me possa inscrever, avisa aí­ a malta… manda-me um tá p’tá, que a gente combina.

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Tiálogos XIX. Bintedois.

Vai para três dias que completaste 22 mesitos, miúdo. E o que singifica isto? Bom, que estás quase com dois anos, evidentemente. Que estás cada vez mais interactivo e até mesmo comunicativo.

Já é possí­vel falar contigo e tu ouves com atenção e muitas vezes até fazes o que te pedimos. Na creche dizem que até vais mais longe: fazes sempre o que te pedem.

Nós sabemos que é mesmo assim, as crianças comportam-se melhor na escola do que em casa; em casa é que podemos ajavardar e fazer o que nos apetece sem nos preocuparmos com as pressões sociais.

A escola, by the way, está a correr muito bem. Quando lá te pusémos, há quatro meses atrás, estavamos com medo que te custasse, que não te adaptasses e ficasses triste. Mas passou-se o contrário: vais para a escola contente, fartas-te de sorrir a toda a gente quando lá chegas, corres de um lado para o outro com os outros putos atrás.

Estamos agora a habituar-nos a falar mais aprofundadamente contigo e explicar-te melhor algumas coisas, porque já concluí­mos que estás preparado para isso. O banho é um exemplo: de repente, começaste a ter medo de molhar o cabelo e, durante uma semana ou duas era um inferno dar-te banho. Até que decidi explicar-te com toda a calma que era preciso lavar o cabelo, que te podias deitar para trás e eu segurava-te, que não deixava as tuas orelhas entrar dentro de água, nem água pingar-te na cara, que te molhava o cabelo num instante e não havia problema nenhum. Depois de te deixar pensar no assunto uns segundos, começaste a ser tu mesmo que te deitas para trás para te poder lavar o cabelo.

Continuas um pouco nervoso durante o processo, mas já me deixas molhar-te e exaguar-te o cabelo, o que demonstra que, de facto, compreendes tudo o que te dizemos, mesmo algumas coisas que me pareciam complicadas de compreender por uma criança com menos de 2 anos como “podes confiar em mim, que não de deixo cair na água”.

Já chamas pelo pai e pela mãe quando não estamos presentes. Embora apenas digas papá em sussurros, não sabemos porquê. E as tuas brincadeiras silábicas já percorrem todo o expectro vocal com a expressividade de um verdadeiro discurso.

Espero que nada disto tenha impacto negativo no teu ego, mas mais acrescento que continuas adorável, um puto giro cumó caraças e que por chateados e cansados que estejamos todos e mesmo que tenhas acabado de fazer uma birra insuportável, ver-te passar a escova e depois a pasta de dentes í  tua mãe, porque não escovas os teus se ela não escovar os dela ao mesmo tempo, é suficiente para nos por bem dispostos.

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Tiálogos XVIII. Um ano…. e meio… e… huh…

Pronto, 21 meses é o que completas hoje, o que é dois anos menos três meses ou ano meio mais três meses ou uma coisa assim.

As duas grandes novidades dos últimos tempos são que começaste a palrar muito mais com ocasionais palavras. É verdade, já todos os teus colegas da creche dizem “Tiago”, mas tu, Moita Carrasco, continuas calado.

Sí­labas e muitas palavras que nós não compreendemos, de facto, têm saí­do em barda mas o mais surpreendente foi há poucos dias quando vieste do quarto a dizer “xixi” e foste í  casa de banho sentar-te no bacio e repetiste: “xixi”.

Não pode ter sido por acaso.

Infelizmente, falta a parte de tirar as calças, mas lá chegaremos.

A segunda novidade são os beijinhos. Começaste a dar beijinhos na palma da mão como forma de despedida e uns dias depois perguntei-te se não davas um beijinho í  mãe e tu deste mesmo, na cara!

No dia seguinte fui eu que tive direito a um beijinho lambuzado de Tiago.

Um gajo tem que apreciar estas coisas porque um beijinho de um miúdo de ano e meio não é bem o mesmo que de um matulão de 16.

Não tens andado a dormir bem, mas as coisas lá em casa andam uma confusão do caraças, com infiltrações para os vizinhos de baixo, problemas com os gases do esquentador dos vizinhos de cima, tomadas queimadas e sei lá mais o quê. Andamos todos de rastos e se calhar nota-se e tens acordado durante a noite um bocado chateado.

Mas não há-de ser nada: vem aí­ o natal e, apesar de todos os problemas e confusões domésticas em curso, estou ansioso para ver a tua reacção í s prendas.

Mais um esforço, miúdo… três meses e estás com dois anos!

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Tiálogos XVII. Vinte meses.

Já começa a chatear um bocado esta coisa dos meses e sinceramente, tem cada vez menos importância. Pronto, tens um ano e meio e mais uns pós.

Existem algumas novidades, desde a última vez que escrevi um Tiálogo? Algumas, mas agora que já lá vão quase dois anos desde que nasceste, as coisas começam a parecer cada vez mais naturais e começo a deixar de saber exactamente em que dia te nasceu o canino superior esquerdo.

Recentemente, começaste a saltar. Agachas-te muito juntinho ao chão e fazes um ar meio concentrado, meio maroto e depois dás um salto no ar. Acompanhado de um grito, claro.

O passo seguinte, como não podia deixar de ser, foi o jump-kick combo.

Primeiro fazes uma torre com os cubos da Unicef que a mãe te comprou, depois agachas-te e saltas no ar, dando um pontapé certeiro na torre, espalhando cubos por todo o lado. Tudo isto acompanhado de um grito de Grou que poria os cabelos do Bruce Lee em pé, não tenho dúvidas.

Onde aprendeste isto, não faço ideia, mas a tua técnica não é nada má!

Mas a minha novidade favorita são os abraços. Até há pouco tempo, quando chegava a casa vinhas ter comigo, sorrias e ias-te embora, agora vens a correr e atiras-te de braços abertos.

E depois um gajo tem que ir para a casa de banho lavar a cara porque lhe entrou uma coisa para o olho!

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