Para que fique registado

Durante os primeiros tempos de banhos, valia tudo, depois, o Tiago ganhou aversão a água na cara, o que me impediu de lhe dar duche e tornou incontáveis lavagens de cabelo num verdadeiro pesadelo.

Algumas vezes, enquanto o deitava para trás para lhe molhar ou enxaguar a cabeça, chegava a gritar desesperado que não conseguia respirar. Fobias…

Ainda não suporta água na cara, é verdade, mas em Junho deste ano começou a aceitar o duche e agora, já consigo lavá-lo todo com o chuveiro, incluindo o cabelo, desde que lhe passe uma toalha para que seque imediatamente a cara.

Para mim, que já lhe dei bem mais de mil banhos, é um alí­vio. Gasta-se menos água, menos tempo e dá-me menos cabo das costas.

Portanto, aos 4 anos, em Junho de 2011, o Tiago tomou o primeiro de, certamente, muitos duches, da sua vida.

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Apreciar o que de mais fino tem a vida

Nathan Drake contra um gajo que acha que se vai safar porque tem um escudo

 

No fim de semana, estávamos os dois sentados no sofá, ele a assistir, eu a jogar Uncharted 2.

No meio de uma batalha complicadí­ssima, eu despejava a Kalashnikov num dos vilões e quando acabou a munição e para não perder tempo a trocar para a pistola, atirei uma granada na direcção de um mercenário escondido atrás de uma balaustrada.

A coisa explodiu e o pobre diabo saltou pelos ares e aterrou aos pés do Nathan Drake que já se entretinha a disparar a sua .45 contra mais dois biltres barricados.

E o Tiago, de olhos bem abertos, comenta esta excelente manobra (e foi uma excelente manobra, devo dizer) e o seu eficaz resultado: “Liiiiiindooooo…!”

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Pergunta sacramental

Hoje, a lanchar no relvado do Parque Urbano em Almada, aproveitei para explicar ao Tiago onde era o liceu onde andei, que é mesmo ao lado do parque e depois de lhe explicar por alto o seu eventual percurso escolar, decidi fazer aquela pergunta número 36:

– Já pensaste o que queres fazer quando cresceres, filho?

– Quero trabalhar com carros.

– Ah é? Fazer carros, conduzir?

– Não, arranjar!

– Ah, queres ser mecânico?

– Sim, mecânico!

Agora, se o puto se especializar em Mercedes, fico com a vida facilitada.

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Primeira ida ao cinema

Só para que fique registado, durante quatro anos e uns meses não foste ao cinema. Até que um dia, em Junho de 2011 pediste para ir ver o Panda do Kung-fu 2.

Como pediste, eu levei-te.

Fomos os dois ao cinema Zon Lusomundo do Almada Forum, pagámos 11 euros pelos dois bilhetes e jogámos duas partidas de matraquilhos, cá fora, antes do filme. Eu ganhei, 3-1, mas a mesa era uma porcaria e tu marcaste pelo menos dois golos que não entraram porque o tampo era inclinado.

Paguei um euro por cada jogo e no fim, ganhámos 4 bolinhas de borracha, duas por jogo.

Fomos í  sessão de dia 20 de Junho, segunda-feira, í s 13:10. O que seria aceitável se  o cinema não passasse meia hora de publicidade antes do filme começar. Escolhi a versão dobrada, para que percebesses tudo e optei por uma sessão digital, por oposição ao 3D, já que era a tua primeira ida ao cinema e eu esperava o pior: qualquer coisa tipo ida ao oceanário, ou seja, nós pagamos as entradas, tu sobes a rampa, entras, vês o tanque e queres sair.

Na cadeira ao teu lado sentou-se outro rapaz, talvez um ano mais velho, que te ofereceu água e pipocas, que devoraste com prazer. Foram ambos de uma civilidade acima da média, trocando o pacote de pipocas entre os dois como cavalheiros.

Tendo em conta a expectativa que eu tinha e que descrevi no penúltimo parágrafo, tudo correu extremamente bem.

Vimos cerca de metade do filme, depois começaste a bater com a cabeça no encosto, levantaste-te para brincar com a mola da cadeira, mudaste de lugar para a minha direita, depois mudaste de fila, para mais perto do ecrã e depois disseste que estavas cansado e fomos embora comer um gelado.

Correu muito bem, eu fiquei foi curioso para saber como é que o Po derrota o Mestre Shen, mas não há azar, o pai já resolve isso…

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A verdade das coisas

Na cama, a jogar um bocadinho na PSP antes de ir dormir:

Tiago: Sou fantástico!

Eu: Ah é?

Ele: Sim, não sou bonito… sou fantástico!

Eu: Boa

Ele: A mãe é que é bonita.

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