Esclarecimento adicional

Aqui vai um esclarecimento sobre a minha filosofia sobre o direito de voto.

Eu vivi 10 meses em ditadura, não tenho a mí­nima noção de como é a vida sob um ditador. No entanto, conheço na teoria o que é uma ditadura e pelos dados que me estão disponí­veis e uma experiência de dez meses em que não podia mijar a fralda sem ter a PIDE í  perna, posso dizer que ditadura igual a mau.

Portanto dou muito valor í  democracia que, como alguém dizia, é o pior sistema que conheço, mas infelizmente, é o único.

Votar é importante. E eu voto. Mas no meu ponto de vista, o voto branco e/ou nulo é tão ou mais importante que o voto num partido ou candidato.

Tenho ouvido pessoas perguntar-me porque desperdiço um voto, votando nulo. Eu não desperdiço voto nenhum, aí­ é que está. Eu voto contra todos os candidatos que me são apresentados. Quando voto nulo, estou a dizer que, por mim, podem ir todos para a polinésia esculpir pirogas que nós por cá, ficamos melhor.

Pensando melhor, preferia ir eu para a Polinésia viver da construção de pirogas…

Mas divago… o importante a ter em conta aqui é que o voto nulo é uma forma de votar como qualquer outra. Não me revejo em nenhuma candidatura nem manifesto eleitoral. Quando concordo com ideias expressas em programas eleitorais imediatamente a seguir penso que não passam de teorias que nunca serão postas em prática.

E invariavelmente é assim: quando um partido chega ao governo, de repente, as promessas eleitorais tornam-se coisas complicadas e que não podem ser bem assim e não foi bem isso que nós dissemos. E toda a gente sabe isto.

Então pergunto-me: porque é que toda a gente continua a votar nos mesmos partidos e nas mesmas pessoas?

Imaginam o que seria se todo o paí­s votasse nulo nas próximas eleições?

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Escravo do meu intestino

Quem me conhece sabe que já vivi várias aventuras í  custa do meu intestino. Houve a vez que tive uma diarreia explosiva na casa de banho do estúdio fotográfico de um potencial cliente. Houve aquela outra em que tive que parar na estação de serviço a meio da auto-estrada para ir a uma casa de banho nojenta. E outras aventuras, algumas das quais do conhecimento apenas de um selecto grupo de pessoas. Digo só isto: ainda bem que já vendi o Fiat Punto.

Hoje foi novamente dia de sofrimento colónico.

Ontem resolvi assar umas magní­ficas castanhas que a minha mãe me deu, vindas da minha avó e que, ao que constava, eram uma maravilha. Recebi um aviso sábio da minha mulher: amanhã vais estar cheio de dores de barriga e tens que ir trabalhar.

Tudo bem – pensei eu – como só algumas. Decidi então fazer 24 castanhas, precisamente 12 para cada um. Mas como adoro castanhas – e aquelas tinham um fantástico aspecto – optei por 30 castanhas, 15 para cada um.

Por problemas recentes com os dentes e as gengivas, a Dee não conseguiu comer muitas castanhas, pelo que eu pensei… 15, 16… 18, qual é a diferença? Não são muitas.

Mas castanhas não são precisas muitas.

Hoje, saí­ para almoçar com os meus amigos Gustavo e Fernando. O Gustavo precisava de comprar uma coisa na Worten, pelo que nos metemos no Golf do Fernando e fomos até ao Vasco da Gama. Fomos, comemos um bife na Portugália, o Gustavo comprou o que tinha a comprar. Até aqui tudo bem.

Tudo óptimo enquanto ainda estava dentro de um raio aceitável de uma casa de banho pública. Foi apenas quando o carro deixou o parque de estacionamento subterrâneo que a dor me atingiu. Tentei levar a coisa nas calmas, fiz uns comentários sobre gases e soltei uma amostra para por toda a gente í  vontade com a possibilidade real de eu me borrar todo a meio do caminho.

Num carro com três homens, um peido é motivo de grande diversão e esta chegou para me descontraí­r, pelo menos durante a passagem por Chelas. Quando chegámos í  Alemeda, comecei a ver a luz ao fundo do túnel, mas já era tarde.

Apesar de pertí­ssimo do nosso destino, em Picoas, o meu intestino não ia dar-me tréguas. A dor aumentou significativamente e comecei a sentir que não ia conseguir controlar o esfí­ncter que controlo há mais de 30 anos.

Os meu amigos, como bons amigalhaços que são, aproveitavam para gozar comigo í  grande e í  francesa. E eu só lhes pedia que se calassem. Mas claro… não se calaram. Eu teria feito o mesmo.

Ao passar o Técnico, fez-se luz na minha alma torturada: um restaurante!

Comecei a gritar com o Fernando para que parasse o carro e ele, sem perceber bem o que é que eu ia fazer quando ele parasse, lá encostou. Saí­ a correr para o tal restaurante que, reparei quando entrei, era uma espelunca minúscula e suja. Numa parede dizia “WC” e, por baixo, tinha um lavatório. Pensei que estava acabado… o WC ali era simplesmente um lavatório e eu ia borrar-me pelas pernas abaixo.

Perguntei ao velhote atrás do balcão, já com pouca esperança, se tinha casa de banho… ao que ele me disse que sim, era lá em cima. O meu mundo ressuscitou! “Mas vai lá aquele senhor”, acrescentou o velhote.

Olhei, horrorizado, enquanto um septuagenário subia lentamente a estreita escada de caracol que levava í  minha salvação. O que fazer? Vou atrás dele… espero, só mais uns segundos!

Subi, atrás do homem que se arrastava pelos degraus e lá em cima recuperei a esperança: havia duas casas de banho: homens e mulheres. Entrei rapidamente na das mulheres, acendi a luz, baixei as calças e… Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaleluia! Só quem nunca passou por isto é que não compreende o alí­vio que é. Independentemente do aspecto ranhoso da espelunca, independentemente do chão da casa de banho molhado com uma substância mais ou menos gelificada, apesar de ter dois colegas de trabalho no carro, lá fora, a pensar que eu não bato bem da cabeça, senti-me como se estivesse no paraí­so.

Foi então que percebi que não havia papel higiénico.

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Rudolfo

Meti-me num barco hoje de manhã e resolvi ir descobrir qualquer coisa. Sempre foi assim e não sei porque é que isso teve que acabar!

Os descobrimentos foram uma moda que passou e agora já ninguém quer descobrir nada, o que é bastante desanimador.

Então meti-me no meu barco, icei as velas e fiz-me ao mar, numa direcção qualquer, porque estas coisas são mesmo assim.

Por volta das onze e meia descobri um novo continente, como não podia deixar de ser. Desembarquei e chamei-lhe Rudolfo. O nome é temporário, mas por agora serve.

Aspirei os ares marinhos de Rudolfo e passeei um pouco nas suas praias, antes de voltar a meter-me no barco para regressar e escrever a fabulosa crónica da minha nova descoberta.

Já vinha a meio caminho quando reparei que me tinha esquecido do padrão. Que chatice! Tinha-me eu metido no barco, logo de manhã e navegado aquilo tudo e depois não tinha espetado um padrão na minha nova descoberta.

Não tarda muito está Rudolfo cheio de espanhóis a chacinar a população local.

Mas pronto, como sou português já estou habituado a esta coisa de fazer tudo bem na primeira parte e deitar tudo a perder na segunda.

Vim para casa.

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Puézia

Garafanha a algimunda!
Interpreta assiduamente a corcunhança
Fustiga com seriedade a albertina!
Alfarda, alfarda, por rebelo, alfarda!

Reboreda constantemente o alfarreco
Eleva naturalmente a entreabertura costal
Seguramente encontrarás fagistancia
E com almancidade concomitarás o estupanço.

Fagita a algundisse dos outros
Empirra-te com transmundância subtil
Mas não te gurpites sem veres
Pois o estal-vancimento do rebanho é protuberante!

Fagita a algundisse dos outros
Empirra-te com transmundância subtil
Mas não te gurpites sem veres
Pois o estal-vancimento do rebanho é protuberante!

Delembica a supermilia
Acosta o orbitâncio contumescente
Não eleves obtusamente o generranho
Topinca, irmão, topinca!

Quando te quiserem gratilar o alcestício
Eleva a gramitência ao precipício
Durante a pontundência omissiva
Despeja a biliância torrestiva!

Fagita a algundisse dos outros
Empirra-te com transmundância subtil
Mas não te gurpites sem veres
Pois o estal-vancimento do rebanho é protuberante!

Fagita a algundisse dos outros
Empirra-te com transmundância subtil
Mas não te gurpites sem veres
Pois o estal-vancimento do rebanho é protuberante!

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História exemplar

Era uma vez um homem, que vivia numa cabana no meio do mato e comia cogumelos e pinhões que apanhava de manhã, todos os dias, mesmo ao nascer do Sol.
Um dia, bateu-lhe í  porta um Macaco com um alicate, que se ofereceu para lhe arranjar o esquentador. Mas por ironia do destino, ou talvez por não ter gás nem tão pouco água corrente, o homem, não tinha esquentador.
Então o homem e o macaco sentaram-se í  mesa a comer cogumelos com pinhões e a pensar que uso podiam dar ao alicate. Foi então que decidiram torturar o Zebecas da Ponte. Nada como um alicate para uma boa sessão de tortura! E lá partiram os dois em direcção í  Ponte, para enontrar o Zebecas.
Pelo caminho deram com o Yuri, o porco-espinho mecânico de automóveis, que se ofereceu para se sentar em cima do Zebecas, oferecendo mais variedade í  tortura. E foi assim que os três amigos acabaram por chegar í  ponte.
Lá, o Zebecas, dormia descansadamente, na sua guarita, com a espingarda com que guardava a ponte, pendurada num cabide. O homem, o macaco e Yuri, o porco-espinho, acharam aquela situação um pouco espinhosa… pois se o Zebecas tinha uma espingarda, a coisa podia tornar-se algo chumbosa.
E foi enquanto pensavam no que fazer que o macaco deixou cair o alicate e acordou o Zebecas, que imediatamente alforreou o castanho! Os três amigos alimbaram a carranca e atrufilaram pelo campestre adentro. Mas o Zebecas estava alarmado! E com armandidade, sacou da espingarda e acortizou alambiantemente atrás dos outros três.
O homem acortizava em lambistas acerdas e atrás dele o macaco e o Yuri, algo esfuranciados, tentavam não se perder. Subitamente, viram-se perante um precipí­cio enorme! Estavam ombuciados!
O Zebecas aproximava-se a passos largos e já aculcanhava a espingarda com fúria e otrindade! Em breve estavam frente a frente!
“Por Gorinder, o Deus do Caril, o que raio fazem vocês aqui?”, gritou o Zebecas, armilhajando a espingarda ameaçadoramente. “Vinhamos… vinhamos…”, hesitou o macaco.
“Vinhamos pedir-te arroz emprestado”, atirou o homem, deixando o Zebecas ardafulhado.
“Arroz?”, perguntou o Zebecas.
“Arroz”, afirmou o Homem, desta vez mais ranancioso.
Então o Zebecas levou os três, í  frente da espingarda, de volta até í  ponte, deu-lhes uma chávena de arroz e mandou-os embora.
O homem, o macaco e Yuri, o porco-espinho, regressaram a casa do homem, cozinharam um excelente arroz de cogumelos e comeram pinhões í  sobremesa.
E assim todos aprenderam uma lição! Nunca se deve alforrear um guarda de uma ponte, porque ele pode garafinhar-se e depois é uma garamunda!

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