O verbo muraguar.

Hoje venho ensinar-vos um novo verbo.

A lí­ngua portuguesa é muito antiga e precisa do ocasional empurrão. Palavras como “lóbi”, “dossiê” e “stresse” são simplesmente imbecis e não fazem falta nenhuma. O que nós precisamos é de palavras novas que sejam verdadeiramente portuguesas.

Como o verbo muraguar.

Muraguar é a minha sugestão para a resolução de problemas com nações incómodas. Conflitos internacionais, disputas territoriais ou simplesmente populações desagradáveis, são tudo problemas que se podem resolver com um simples muraguar.

O que é, então, muraguar?

É simples: quando um território, paí­s ou região se torna incómodo, basta isolá-lo por meio da construção de um grande muro em redor das suas fronteiras, que posteriormente se enche com água. Esta simples acção resolveria imensos problemas que o mundo atravessa actualmente.

A descrição desta acção é normalmente simplificada na frase: “O Iraque? Epá… muro, água!”, de onde nasce, então, o verbo muraguar.

Não só muraguar poderia resolver inúmeros conflitos globais, como criaria grandes áreas balneares que potenciariam enormemente o turismo das regiões fronteiriças í  área muraguada.

Terminemos então, conjugando o presente do indicativo do verbo muraguar.

Eu muraguo
Tu muraguas
Ele muragua
Nós muraguamos
Vós muraguais
Eles muraguam

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Conversas sobre Jesus Cristo e outra maquinaria industrial

Há algum tempo atrás – não muito – interrogava-me porque seria que eu, ateu relativamente convicto, usava exclamações como “meu deus” e “ai jesus” ou “valha-me o cristo” ou a minha preferida: “jesus, maria, josé!”.

Pronto, esta última na verdade não uso muito, mas digam lá que não é uma exclamação fantástica.

Apercebi-me então que a cultura cristã, ou judaico-cristã, está de tal forma embebida no tecido da nossa sociedade (ou será o dito tecido que está embebido na tal cultura?), que me é impossí­vel não soltar um “meu deus”, ou mesmo um “oh deus!”, quando tenho um orgasmo.

Mais uma vez estou a mentir, mas queria mesmo usar a palavra “orgasmo”, neste artigo, porque acho que me dá um ar adulto e desinibido.

Bom, a minha conclusão do tal tecido embebido na tal substância cultural, não é propriamente original, nem algo em que não tivesse pensado antes, mas o que é facto é que me levou a concluir que a história de Jesus, o Cristo (porque Cristo não era apelido, era tí­tulo), se tornou uma lenda que quase toda a gente (senão mesmo, toda a gente), conhece.

Se não conhecem a história completa, conhecem pelo menos as notas da contra-capa: José e Maria uma noite param num pardieiro, nasce um menino sob uma estrela; vêm três reis magos trazer presentes (por isso é que temos prendas no Natal); depois de crescido, o menino é pendurado numa cruz, morre e depois ressuscita e vai para o céu porque era filho de deus.

Toda a gente sabe isto.

E o que me parece, é que toda a gente sabe isto porque a coisa se tornou, como eu dizia mais atrás, uma lenda.

Esta é a altura em que eu seria apedrejado por padres e beatas em fúria, apesar de estarem a ir contra um dos pecados mortais (raiva) e um dos dez mandamentos (não matarás). Mas a verdade é que a história de Jesus, o Cristo, com mais ou menos detalhe, começa a confundir-se um pouco com a do Rei Artur ou a de Robin Hood.

Senão vejamos: discute-se se Jesus existiu, também não é certo que o Rei Artur tenha sido um verdadeiro rei e ninguém acredita lá muito no Robin Hood. Todos tinham super-poderes: Jesus transformava água em vinho; o Rei Artur arrancou a espada da pedra e o Robin Hood acertava num mosquito a 3 km, apesar de ser vesgo. E todos eram bons e justos: Jesus pregava o amor ao próximo; o Rei Artur era, tipo… huh… fixe; e todos sabemos que o Robin Hood roubava aos ricos para dar aos pobres – operação que devia repetir no sentido inverso quando os ricos ficavam pobres e os pobres, por via do saque, ricos.

Concluí­ndo: acho que, retirando a obscura obsessão eclesiástica com o poder e eliminando a religiosidade exacerbada de toda a história, “as aventuras de Jesus, o Cristo”, poderia ser um grande êxito juvenil, sendo também uma agradável leitura para adultos.

Tendo em conta que tanta gente lê o Harry Potter, não me custa nada a acreditar.

Acho portanto, que está na altura de escrever um livro que relate a vida de Jesus, o Cristo, sem religião! Será um grande desafio: punha-se um ateu a re-escrever os novos testamentos.

O ponto de partida é que Jesus, o Cristo, era um gajo cheio de ideias, que acabou lixado por um amigo que se vendeu para pagar uma dí­vida de jogo. Seria preciso contar toda a história, mas retirando todas as referências a deus, milagres e truques de ilusionismo duvidoso: nada de falar com os peixes, nada de transformar pedras em pão e sobretudo, nada de ressuscitar os mortos.

No final, verí­amos se ainda achavam assim tanta piada a esse fulano…

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Poesia oral

Hoje ao almoço discutí­amos cunnilingus, tema habitual, quando me ocorreu que falta alguma poesia í  coisa. Lembrei-me das artes marciais e como golpes ou movimentos, por vezes violentí­ssimos e causadores de múltiplas fracturas, têm nomes tão simpáticos e inspiradores como: “Senhor feudal convida para jantar”, “Empurrar a canoa” ou “Pescador carrega o peixe”.

Então resolvemos que era altura de alguém se encarregar de dar nomes a técnicas que são tão úteis no nosso dia-a-dia. Sei que apenas me preocupo com grandes causas da Humanidade e que, sem dúvida, este estudo virá a beneficiar as gerações futuras. Mas o que querem? Eu sou assim: um génio cientí­fico generoso.

Deixo í  experiência de cada um identificar as técnicas pelo seu nome poético, evidentemente… não tinha graça nenhuma fazermos isto demasiado explí­cito, assim vos deixo a lista:

  • Elefante derruba a árvore
  • Moí­nho de maré roda com a corrente
  • Lí­ngua de lagarto fareja o ar
  • Serpente explora a toca
  • Crocodilo percorre os vales
  • Urso lambe o mel da colmeia

Como podem ver, a lista não é curta. Mas também não está completa e não me privarei de a rever e aumentar no futuro mais próximo.

Talvez até escreva um livro…

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Problema semanal

Toda a gente que tem uma rotina não-diária, mas frequente, a cumprir, já se deparou com este problema: a semana é í­mpar!

Se eu quiser, por exemplo, alternar o meu shampoo Kérastase para couros cabeludos sensí­veis com o meu Schwartzkopf anti-caspa, dia sim-dia não, não consigo, porque uso um í  segunda, quarta, sexta e domingo e o outro í  terça, quinta e sábado; o que significa que vou usar um shampoo quatro vezes por semana e o outro apenas três!

Tudo seria muito mais simples se a semana tivesse um total de dias que se traduzisse um número par. E não é difí­cil: Eliminamos a Segunda-feira!

Sem a segunda-feira, a semana fica com seis dias: um número par. Assim, já podí­amos alternar as nossas actividadades í  vontade: natação í s terças, quintas e sábados e passeios no bosque í s quartas, sextas e domingos!

Três dias para cada actividade é mais do que suficiente e esta proposta elimina o dia que menos pessoas gostam: a segunda-feira.

A outra possibilidade é aumentarmos a semana num dia. O ideal seria acrescentar um dia depois de Domingo. Poderí­amos chamar-lhe: Petrus, em minha honra, já que a ideia foi minha.

E já que a ideia foi minha, declaro Petrus um dia de descanso. Desta forma, poderí­amos estudar Alemão í s segundas, quartas, sextas e domingos e saltar í  corda í s terças, quintas, sábados e petrus.

Agora… digam lá que não gostavam de me ver como Primeiro-Ministro…

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Técnicas avançadas de dormir na casa de banho

Nos tempos modernos, as corporações estão viradas para a produtividade. Os departamentos são geridos na ponta da buzz word e os profissionais são activos e não só trabalham dia e noite, como ainda praticam exercí­cio fí­sico regular.

Então e nós, pessoas normais? Os leitores interrogar-se-ão, e com razão: “como posso combater este malvado sono que tenho o dia inteiro?”. Agora, deixou de ser preciso aumentar o seu ní­vel de stress com um cansaço insuportável, porque chegou este magní­fico manual de técnicas avançadas para dormir na casa de banho do seu escritório, o mais confortavelmente possí­vel.

Atenção: estas técnicas não foram testadas noutras casas de banho públicas, como as de cafés, restaurantes e repartições, pelo que desaconselhamos a sua prática nestas instalações.

Técnica 1: Assentamento simples com flexão dorsal invertida

Leve para a casa de banho um casaco que use normalmente pelo escritório. Escolha um compartimento em que possa, obviamente, trancar a porta e que tenha uma sanita com uma tampa rí­gida para que não se deforme e/ou parta, dando lugar a acidentes bastante desagradáveis.

Sente-se sobre a tampa da sanita fechada, como se sentaria normalmente, embrulhe o casaco por forma a moldá-lo qual almofada e coloque-o atrás de si, sobre o tanque do autoclismo.

Encoste-se para trás, deixando-se afundar ligeiramente na sua posição sentada, e colocando os seus ombros sobre o casaco enrolado. Se tiver sorte, conseguirá apoiar a cabeça. Apague a luz, ou aguarde que esta se apague, caso seja temporizada. Bons sonhos.

Técnica 2: Assentamento simples com flexão abdominal e apoio braçal duplo.

Esta técnica é um pouco mais avançada que a anterior. Requer mais concentração, treino e flexibilidade.

Aconselhamos que alterne o seu programa de sestas, por forma a ir treinando técnicas mais avançadas. Poderá, por exemplo, praticar a Técnica 1 todos os dias, excepto í  quarta-feira, dia em que deverá praticar uma das técnicas mais avançadas. Ao fim de dois meses de treino, poderá passar a ter dois dias não consecutivos de prática de técnicas mais complexas na sua semana.

Mas passemos ao importante: sente-se sobre a tampa de sanita (leia a indispensável Técnica 1 para saber quais as caracterí­sticas ideais do local a desenvolver o seu trabalho), dobre o seu corpo para a frente, enrolando-se ao ní­vel do abdómen, quase como se quisesse olhar para a sua própria barriga.

Apoie ambos os cotovelos nos joelhos e coloque as mãos cobrindo a cabeça. Com a pressão dos braços nas têmporas, cria-se um apoio para a sua cabeça.

Deixe-se levar nos braços de Morfeu.

Técnica 3: Assentamento perpendicular com apoio simples ou duplo

A Técnica 3 apenas deve ser praticada em compartimentos sanitários com um máximo de 150 cm. de largura. Não arrisque esta Técnica em compartimentos mais largos a menos que tenha já treinado bastante e apresente, de facto, uma compleição fí­sica e capacidade de flexão verdadeiramente acima da média.

Sente-se perpendicularmente ao eixo da sanita, sobre a tampa fechada (nunca é demais lembrar). Encoste-se para trás, colocando as costas contra a parede e os pés contra a parede oposta.

É aqui que a meditação se torna essencial. Primeiro que tudo você terá que eliminar da sua mente a ideia de que as paredes da casa de banho mais não são que um antro de bactérias e germes diversos, caso contrário, não conseguirá nunca dominar esta técnica. Em segundo lugar, vai ter que aguentar a sensação do azulejo frio contra as suas costas durante dois a três minutos, altura em que os ditos aquecem com a sua temperatura corporal.

Se conseguir dominar o aspecto mental desta Técnica, descobrirá que se trata, provavelmente, da mais confortável. Deixe descair ligeiramente a cabeça para um dos lados e convide o João Pestana a entrar na sua vida.

Técnica 4: Assentamento oblí­quo com colocação craniana protegida

Esta técnica parte do princí­pio que, perto da sanita no compartimento sanitário que escolheu para dormir, existe uma caixa de plástico razoavelmente grande, contendo um rolo de papel higiénico de tamanho industrial

Se não for o caso, não poderá praticar esta Técnica. Sublinhamos, porém, que esta técnica não é necessariamente a melhor, mas como por vezes nenhuma das outras três é possí­vel, decidimos incluí­-la para que tenha mais hipóteses de escolha na sua prática e também para tornar este artigo mais completo.

Sente-se num ângulo oblí­quo em relação ao eixo normal da sanita (já sabe: tampa fechada), por forma a posicionar o seu corpo na chamada posição frontal ao rolo de papel higiénico.

Retire papel higiénico suficiente para que, através da dobragem, possa obter uma liliputiana almofada. Deixe então o seu tronco relaxar, dobrando-se ventralmente em direcção ao dispensador de papel. Antes que a sua testa toque o plástico, coloque entre ela e este último a almofadinha de papel.

Como vê, não é uma Técnica muito promissora, pelo menos na teoria…. mas experimente e poderá surpreender-se com os resultados! Apoie os braços cruzados sobre os joelhos, relaxe e deixe que um Oneiroi o possua.

Por trás.

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