Pequena ode à Vitoriosa Pilinha

Vitoriosa Pilinha, nesta mão que é minha,
Conquistas continentes, pões-nos contentes.
E com a ventura que é tua,
Lambuzas-me a pintura, deixas-me inconsciente!

Esta é uma ode
À vitoriosa pilinha
Como macaco no seu galho
Este garboso caralho

Vitoriosa pilinha, que a tantos deslumbras
Alevantas eternamente
O esplendor da minha gente

Esta é uma ode
À vitoriosa pilinha
Como um poste de alabastro
Este estupendo mastro!

Esta é uma ode
À minha bela pilinha
Potente como uma grande bomba
A ejacular-te na tromba!

Grandiosa pilinha
Para sempre eternamente
Serás toda minha
Mas de toda a gente

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Dúvidas existenciais sobre melão

Não sou apreciador de melão. Há algo de enjoativo no seu sabor adocicado e prefiro frutas mais ácidas como uma boa maçã Granny Smith ou um ananás açoreano. Mas há três questões que não me saem da cabeça no que toca ao melão:

  • Porque é que nunca ninguém descasca um melão? Descascam-se maçãs, laranjas, abacaxis e há mesmo quem descasque uvas. Mas melão? Nunca vi ninguém descascar um melão.
  • Porque é que uma coisa que normalmente se chama “fatia”, passa a ser chamada “talhada” quando se trata de melão? O melão é mais ou menos que as outras comidas passí­veis de serem fatiadas por ter direito a ser talhado?
  • Porque é que as pessoas que acham nojento ter ananás na pizza, geralmente gostam de melão com presunto? E quem foi que um belo dia se lembrou que uma fruta mole e doce iria bem com umas fatiazinhas de porco fumado salgado?

O melão será sempre um mistério.

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Coisas que me incomodam

Portas, chapéus de chuva, ruiquexós e louceiros. Greves e manifestações, golf, mosquitos e derrocadas. Calor, pregos ferrugentos, torradeiras, livros desmanchados, dentes podres e tosse. Camiões de areia, beatas de cigarro, poeira cósmica, lâmpadas de 40 watt e cantos de placas de alumí­nio. Cardos, tábuas soltas no chão, cadeiras desconfortáveis, salas de espera, folhetos, canivetes suí­ços e contentores de lixo. Pickup trucks, candelabros, pacotes de cimento, contra-placado e clips grandes demais. Gengivas ensanguentadas e dentes podres, órbitas geo-estacionárias, prefuradoras de petróleo, farinha de milho, xarope para a tosse que não saiba exclusivamente a xarope para a tosse, cascas de batata, esferográficas que não escrevem, pacotes de manteiga e pentes. Engarrafamentos, vómito (especialmente de vinho tinto), erros de ortografia, buzinas, espinhas de peixe, poças, cantos urinados, caixas de distribuição de sinal, igrejas montadas em centros comerciais e sirenes. Herpes, atropelamentos, enjí´os, boy bands, cola para madeira, molduras de talha dourada, cães muito feios, tâmaras, mãos sujas, cheiro a peixe frito, decoração excessiva, capachinhos e barulho. Câmaras de televisão, ruibarbo, castanholas, gritos, portões, alambiques, relógios de pêndulo, hospitais, acordar e deitar cedo, fome e unhas cortadas.

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Algumas pessoas que não fazem cá falta nenhuma

Cientologistas, gangsters, bombistas suí­cidas, papas, presidentes e prospectores de petróleo. Labregos, campistas, automobilistas, dirigentes de futebol, alarmistas, governadores de bancos e mulheres que usam calças curtas com botas. Gajos que escarram no chão, trapezistas, palhaços e anões de circo. E, na verdade, circos no geral. Pessoas que são famosas por serem conhecidas e pessoas que são conhecidas por serem famosas. “Personalidades da tv”, “individualidades” (especialmente “altas individualidades”) e “celebridades”. Taxistas, camionistas, empregadas de mesa que fingem que não vêem os clientes, empregados de balcão com unhas porcas. Funcionários de repartições públicas, telemarketers e evangelistas. Músicos de rua, pedintes, passadores de droga, ladrões e assassinos. Bombeiros que não estejam a combater fogos, polí­cias de trânsito, jogadores de ténis, estudantes universitários de traje, estudantes universitários mesmo sem traje. Pessoas novas demais, pessoas velhas demais, homens barrigudos de bigode com pulseiras de ouro e mulheres feias baixas e gordas com varizes. Homens de boina com menos de 50 anos, brancos vestidos í  preto e pretos vestidos í  branco, administradores de empresas, condutores de SUVs, pessoas que inventam nomes como “SUV”, tipos que ainda se vestem í  metaleiro, 20 anos depois, putos vestidos í  hippy como se fosse uma coisa nova, qualquer pessoa que use botas de cowboy e não seja cowboy. Cowboys. Fascistas, comunistas, anarquistas, monárquicos e distribuidores de publicidade. Polí­ticos. Pessoas estúpidas, pessoas feias, pessoas com mau gosto (as últimas três têm tendência para se juntar numa só). Ladrões, vigaristas e mentirosos. Intelectuais, carregadores de móveis, calceteiros, entrevistadores televisivos e padres. Judocas, montanhistas, turistas e jornalistas. Gajos que não lavam as mãos depois de ir í  casa de banho, qualquer pessoa que me toque e eu não conheça de lado nenhum. Algumas pessoas que me tocam e eu conheço razoavelmente bem. Velhas que não andam nem desandam, pessoas que vivem de comentar a vida dos outros, homens que não conseguem conversar se o tema não for futebol e alcóolicos. Mormons, tipos que usam termos ingleses em reuniões porque lhes parece cool, apesar de não saberem sequer escrever “timing”, pessoas barulhentas, gordos, fumadores inflexí­veis (e alguns dos flexí­veis), pára-quedistas e ciclistas. Qualquer pessoa que trabalhe na bolsa, qualquer pessoa que compreenda a bolsa, gajos que nunca tiram o boné. Hooligans, adolescentes, pessoas que gostam de pombos, tipos que usam camisas azuis com colarinho e punhos brancos, toda a gente no metro de Lisboa e adeptos do tuning. Pescadores, o Harry Potter, toda a gente que adora o “Amélie”, caçadores, o Roberto Benigni e presidentes de organizações sem fins lucrativos. Analfabetos, vendedores, agricultores, pessoas que lêem o “24 Horas” e pessoas que vêem a TVI. Criadores de cães, meninas que andam a cavalo, retornados das ex-colónias que não se calam com histórias de como “em ífrica é que era bom”, egocêntricos e guardas nacionais republicanos. Drogados, cristãos, militares, modelos e publicitários. Tipos que vão para o cinema falar ou comer ou ambos. Pessoas que levam recém-nascidos para o supermercado, pessoas que estejam num raio de 100 metros í  minha volta, gajos que mexem em tudo e não voltam a por no sí­tio, pessoas que fazem demasiadas perguntas, mulheres excessivamente maquilhadas, homens com o casaquinho pelos ombros, louras ao volante de Mercedes, qualquer pessoa que conduza um jipe para subir passeios, gajos que acham que sabem tudo. Condutores de autocarro, pessoas que estacionam mal de propósito, gajos que enganam as mulheres e tipas que enganam os maridos, pessoas que não páram de falar ao telemóvel. Jogadores de futebol, poetas e pessoas sem sentido de humor.

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Porque é que os portugueses têm dificuldades com… o Português

Reparem bem como chamamos aos nossos tempos verbais:

“Presente do indicativo”, ok… “presente”. “Do indicativo” já é só para distrair.

“Pretérito perfeito do indicativo”, lá estão eles a indicar outra vez… claro que é indicativo ou… será que não? E que raio é um pretérito? Ainda para mais perfeito! Isto soa-me a um pouco de falta de humildade do pretérito.

“Pretérito imperfeito do indicativo”. Este pretérito, coitadinho, é imperfeito… Mas isto é muito politicamente incorrecto… não deveria dizer-se “pretérito portador de deficiencia do indicativo”?

“Pretérito mais-que-perfeito do indicativo”… pronto, aqui já estamos mesmo a inventar. “Mais-que-perfeito”, soa mesmo a invenção… precisavam de um nome para um tempo verbal e já não sabiam o que haviam de ir buscar mais. Injustificável. E o mais grave é que “pretérito”, significa “o que passou”, ou… portanto… “passado”. E era tão simples chamar “passado” aos tempos verbais que se referem ao… passado.

“Futuro do indicativo”. Lá estão eles com a coisa do indicativo. “Futuro” soa tão bem, pra quê complicar?

“Condicional”, deve ser engano, porque é demasiado simples para ser verdade.

“Presente do conjuntivo”, é onde a porca torce o rabo, porque então… já tinhamos um presente e era do indicativo, o que só servia para confundir! O que é que o presente do conjuntivo tem que o do indicativo não tenha? Eu caia já aqui, se compreendo…

“Imperfeito do conjuntivo” é outro tempo verbal imperfeito, já é o segundo. O que eu propunha era que nos livrássemos destes tempos imperfeitos, afinal para que queremos nós verbos mal amanhados? Talvez assim a coisa melhorasse.

“Futuro do conjuntivo”, começa a fazer-me pensar que os verbos portugueses têm problemas nos olhos.

O “infinitivo pessoal” é muito útil para falar í  homem das cavernas, por exemplo: “eu agora conjugar verbo!”… O próprio verbo não sabe falar, nem sabe muito bem o que quer, ou como o próprio dicionário define: “Infinitivo: s.m.; modo verbal que exprime a acção, de um modo vago e indeterminado“. Vago e indeterminado, estão a ver? É um bocado como o futuro do nosso paí­s.

“Imperativo” é o meu tempo verbal favorito, devo confessar. Adoro mandar pessoas fazer coisas por mim e sem o imperativo não me safava. Mas é um nome de tempo um bocado antiquado… ao fim e ao cabo os impérios são uma coisa do passado (teoricamente), e hoje em dia já não anda por aí­ o Bonaparte a dizer í s pessoas o que fazer. Podia perfeitamente passar a chamar-se “ordenativo” a este tempo verbal e assim seria fácil explicar í s crianças que é um tempo que se aplica quando, por exemplo, o papá lhes ordena que comam tudo o que têm no prato… “COME! SENíƒO COMES!”

“Gerúndio” é uma palavra que nunca ninguém usa e não serve para mais nada que não para definir essa forma verbal interminável e invariável que é… o gerúndio. O gerúndio não acaba, é permanente e repetitivo e, portanto, muito chato. Continuando…

Termino com o “particí­pio passado” e é para não me meter em formas reflexas, que as pessoas têm mais que fazer e isto já está tudo esbarrondado.

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