Aqui há uns tempos atrás começaram a aparecer na TV séries de grande qualidade, rivalizando com o cinema americano da época e mesmo ultrapassando-o. Uma série tem mais tempo para contar uma história, para desenvolver personagens e com o investimento feito na altura, a qualidade das produções aumentou muito e a televisão ganhou um destaque que até então não merecera.
Muito se falou disso e muitas séries foram produzidas.
As pessoas sempre viram séries na TV; quando eu era miúdo víamos o Dempsey & Makepeace, o Devlin Connection, o A-Team (muito antes da TVI existir e passar a versão dobrada), o Blue Thunder, a Galactica, o Space:1999, o Mike Hammer e até mesmo, com desconfiança, o Buck Rogers ou o Knight Rider.
Mas das anteriores destacaria apenas Dempsey & Makepeace, uma série britânica, muito 80s, mas que fica na memória – enquanto as outras são, basicamente, lixo pobrezinhas (já percebi que a palavra lixo estava a atropelar sensibilidades e eu cá também cresci nos anos 80 a ver todas estas séries com muito gozo).
Portanto não admira que, quando surgiram coisas como o X-Files, E.R. ou The Sopranos as pessoas tenham pensado que algo mudara na televisão.
Mas como em tudo, nesta nossa magnífica humanidade, esta história já tresanda. Agora, gente que é gente segue umas 20 séries de TV, conhece outras 20 que planeia ver a seguir e é especialista em todas. O sentido crítico, esse, esvai-se lentamente e, de repente, tudo o que trouxer a etiqueta de “série de TV”, é automaticamente bom.
Eu gosto de ver algumas séries de TV actuais. Gosto do Dexter, House, do Californication e no Nip/Tuck, por exemplo. Também gosto do Big Bang Theory ou do How I Met Your Mother (que é genial), mas isso são sitcoms e sitcoms sempre existiram – gostei de ver o All in the Family na altura em que passou cá e sou fã de Seinfeld.
Mas então e o resto?
Uma das séries que reúne mais consenso é o Lost. O Lost é de um senhor chamado JJ Abrams que sofre de um complexo de génio que é uma coisa doida. É mais ou menos assim: eu sou tão bom que posso fazer o que quiser que vocês mamam. E assim é: o Lost encadeia quase eventos uns atrás dos outros, quase acontecimentos e quase revelações, episódio atrás de episódio e deixa o espectador pendurado no que deveria ser suspense mas que acaba apenas por se transformar em tédio.
Segui o Lost durante muito tempo, provavelmente tempo demais e a sensação com que fiquei foi que as seasons 2 e 3 inteiras eram dispensáveis. E há mais… season 5, season 6… Mas já não tenho pachorra. É o síndrome da série de TV: enquanto dá, vai-se fazendo e para se fazer não se pode mudar nada muito significativamente. Ou seja, na verdade, não convém que aconteça muita coisa.
O Lost podia ser uma grande série de mistério com pós de sobrenatural, feita em duas seasons verdadeiramente épicas. Assim… é uma seca.
Segue-se o Prison Break.
Que grande ideia era o Prison Break! Um gajo tatua montes de pistas no corpo inteiro e faz-se prender para, de dentro da prisão, libertar o irmão inocentemente condenado í morte. Excelente. Para uma season.
Vai na quarta. Vale a pena dizer mais? Lembro-me vagamente que fiz um esforço quase doloroso para ver a segunda season, mas… por favor, se fugiram da prisão no fim da primeira podiam perfeitamente ter acabado com aquilo ali.
Um dos monstros sagrados é o Battlestar Galactica. A série que mudou as séries de ficção científica. Quando vi o piloto fiquei boquiaberto: nada a ver, claro, com o sorrisinho ao lado e o cabelinho í tijela da série original – para quem gosta de FC era algo realmente impressionante. Uma ficção realista, se assim se pode chamar, com grandes batalhas espaciais e uma história que parecia complexa e profunda.
Afinal era só chata. Episódios atrás de episódios de eleições galácticas e a dada altura, o surgimento de uma nova religião que deu azo a que um episódio fosse quase inteiramente dedicado a um gajo a dar missa – não, obrigado. Se não sigo a campanha eleitoral e não vou í igreja, para que hei-de perder o meu tempo com isso numa série de televisão?
Ainda tenho para ali a última season para ver. Da última vez que tentei, sofri ao longo de um ou dois longos e chatos episódios; ao que me dizem, o final vale a pena… não sei, se calhar um dia destes vejo só o último episódio, para me certificar.
Heroes…
A primeira season foi gira. Mas eu já ando nisto há uns anos. Desde puto que leio super-heróis, não é lá porque agora decidiram inventar uma série de TV sobre o assunto que eu vou ficar siderado.
Mas gostei da história e dos personagens e vi a primeira season com agrado. Depois comecei a ver a segunda e percebi que estava perante a primeira season mas com mais personagens e mais efeitos especiais e a mesma técnica de não passar da cepa torta para prolongar a série ad nauseam. Desisti ao fim de dois episódios. Consta que vai na season 4…
E podia ir por aí fora, mas acho que já bati em ceguinhos que chegue. Em suma: eu gosto de me sentar no sofá í noite e ver um bom episódio do Dexter, mas í s vezes prefiro jogar, conversar, ouvir música, escrever, ver sites, tocar guitarra ou mesmo não fazer a ponta de um corno. E se há séries muito boas, também há séries medíocres – não é por haver séries boas que de repente todas são boas.
E além de séries boas e séries medíocres, também há séries que começam bem mas que depois mais valia estarem quietos.
Acima de tudo, é bom é que cada um se entretenha com o que gosta e eu, por exemplo, gosto do Spongebob Squarepants!
PS – Este post é dedicado ao Huguinho.