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Finalmente, a crítica que três ou quatro pessoas esperavam.
Comprei um iRobot Roomba 560 há cerca de seis meses, no final de 2007, para lidar com os intervalos entre vindas da minha fantástica mulher a dias. Com o Tiago pequeno e seis gatos em casa, aspirar era essencial, para manter o chão limpo para o bebé, mas pouco prioritário na nossa lista de tarefas cada vez maior.
O Roomba parecia a solução ideal. Vi e revi sites, vídeos e comentários e fiquei convencido que era um bom investimento, apesar do preço elevado. Vejamos então, em detalhe:
Dimensões e autonomia
O Roomba não é muito grande nem muito pequeno, se o segurar com as duas mãos contra o peito, tem mais ou menos a largura do meu tórax. Também não é pesado e transporta-se facilmente com um só dedo enganchado por baixo de uma das cavas das rodas. (Nota: o Roomba tem uma pega, no topo, que eu ainda não tinha descoberto, obrigado ao comentador que o apontou)
A base de carregamento e transformador são quase desprezáveis em termos de espaço ocupado, mas é preciso ter em consideração que o robot precisará de um espaço para estar “em repouso”. Não é algo que se meta numa prateleira e, porque deve estar sempre ligado í corrente, não é prático guardá-lo numa despensa onde habitualmente não há tomadas.
A autonomia anunciada do iRobot Roomba 560 é de três quartos. Ou seja, a unidade é suposto aspirar três quartos antes de precisar de ser recarregada. Esta é uma medida difícil de confirmar, visto que poucas vezes usei o aspirador com o objectivo de aspirar três quartos de seguida, mas diria que me parece aceitável acreditar no que diz o manual.
Pelo menos dois quartos de seguida, aspirados de ponta a ponta, já confirmei que faz, sem ficar descarregado.
Potencia e capacidade
O aspirador é bastante potente e apanha bem o lixo. Evidentemente, não se pode esperar que aspire objectos grandes, mas com pó, cabelos, areia e toda a espécie de pequenos detritos é excelente. Depois de uma passagem, o quarto fica com um aspecto limpo como com qualquer outro aspirador.
Poderão haver locais menos bem limpos, mas isso geralmente significa que o robot não lhes conseguiu aceder devidamente. Cantos com batentes de portas são sítios complicados, por exemplo, embora ele consiga na maior parte dos casos, passar por cima do batente.
A capacidade é que não é muita, como seria de esperar de um aspirador pequeno. O compartimento do lixo não leva saco e é bastante pequeno. Se a casa não estiver muito suja, isto não é grande problema, mas se houver muito pó e pelos de animais no chão, é possível que o robot tenha que ser vazado a meio da limpeza.
Vazar o compartimento do lixo não é muito prático, uma vez que assim que se remove a gaveta, esta está aberta e podem cair detritos com muita facilidade. Convém ter alguma forma de abrir o compartimento já sobre um balde de lixo, por exemplo.
Navegação e resolução de problemas
Aqui é que o Roomba começa a ter sérios problemas. Este aparelho é extremamente eficiente numa sala completamente vazia, sem quaisquer obstáculos e essa eficiência vai caindo a pique, conforme os obstáculos vão aumentando em número ou complexidade.
Parece óbvio, mas não deixa de ser um pouco frustrante; pelo seguinte: já seria de esperar que o Roomba não conseguisse dar a volta a certos obstáculos, mas o que é realmente mau é que o robot não é muito difícil de encravar.
Temos cá em casa uma mesa com um pé central de base cónica que o robot sobe, ficando inclinado. E, embora tenha vários métodos para tentar safar-se de tal situação algumas vezes não consegue voltar a descer o plano inclinado e desliga-se, ficando í espera de ajuda.
O mesmo acontece com um suporte para guitarra que tem um pé inclinado e com fios eléctricos que ocasionalmente ficam enrolados nas escovas.
Tapetes finos também não são da preferência do Roomba, que os leva í frente, dado não terem peso nem atrito suficiente para ficarem no sítio.
Finalmente, aconteceu já algumas vezes o Roomba conseguir entrar para baixo de um móvel por um lado e depois ficar encravado do outro, porque com os anos, a madeira abaulou e no ponto por onde o robot tentou sair, o móvel está mais baixo que por onde ele entrou.
A verdade é que, para um funcionamento perfeito, o Roomba envolve algum trabalho: há que remover o máximo de obstáculos do chão, sejam brinquedos, almofadas, livros ou revistas, garrafas, poufs, etc. Quando quero uma limpeza como deve ser, gasto sempre 5 ou 10 minutos a tirar o máximo de objectos do chão e colocá-los em cima da mesa, ou do sofá, para abrir o maior espaço possível para o robot andar em paz.
Light-house/Virtual Wall
Estas pequenas unidades funcionam muito bem. São pequenas torres de plástico, mais ou menos do tamanho de uma caneca de louça, que levam pilhas e “acordam” sempre que o Roomba é colocado em andamento.
Em modo light-house, criam uma barreira entre áreas (um quarto e o seguinte, por exemplo), gerindo o tempo de aspiração do robot. Quando uma área está aspirada convenientemente, a light-house deixa o Roomba passar para a área seguinte e impede-o de regressar í anterior. Até estar tudo bem aspirado, a light-house não deixa o Roomba passar.
Já usei este modo para aspirar dois quartos e o hall que os liga, colocando uma light-house em cada porta de quarto e depois o robot a aspirar num dos quartos. Ele limpa o quarto, quando está limpo, a light-house deixa-o passar para o hall e depois, a segunda deixa-o passar para o último quarto.
Ou seja, as light-houses funcionam em sequência: quarto 1, quarto 2, quarto 3, não havendo risco de o robot estar sempre a passar entre os dois quartos que já estão limpos.
Em modo Virtual Wall, a unidade funciona apenas como barreira de onde o robot não passa.
Estes pequenos aparelhos têm um alcance regulável através de um interruptor (3 distâncias diferentes, conforme o espaço que queremos bloquear – a distância mais curta serve bem para a ombreira de uma porta), e a configuração do modo Virutal Wall ou Light-House, via um segundo interruptor.
Durabilidade
É aqui que tudo vem por água abaixo, pelo menos com o meu 560.
Ao fim do primeiro mês de utilização, a escova rotativa que empurra o lixo para baixo da unidade, já tinha perdido três dos seus braços e teve que ser substituída (o 560 trás uma escova extra). No entanto, é verdade que a escova de substituição continua intacta passados cinco meses, mas o que se passou com a primeira não foi bom augúrio.
Mas o pior mesmo é que, recentemente, depois de seis meses de vida, o Roomba começou a queixar-se da roda esquerda (por vezes o robot pára ou recusa-se a iniciar e uma voz gravada ou uma série de bips informa-nos de qual é o problema). Depois de verificações e limpezas í dita roda e um funcionamento intermitente do robot, a roda esquerda deixou mesmo de funcionar e agora o robot limita-se a rodar sobre si mesmo com a roda esquerda como eixo.
Confesso que o aparelho me parece bastante bem construído e bem pensado: todas as peças são modulares e facilmente desmontáveis. Cada roda tem o seu próprio motor e portanto é fácil de substituir, tendo um simples encaixe eléctrico para receber corrente da unidade central.
Das duas uma: ou tive azar com o meu robot, ou o Roomba não foi feito para lidar com uma casa com seis gatos e uma criança de um ano. Seja como for, fiquei um pouco desapontado e resta-me agora esperar para ver o que faz o apoio técnico da iRobot, com quem já contactei e aguardo resposta.
Em Resumo
Prós do iRobot Roomba 560
- Pequeno e não muito pesado, cabe entre pernas de cadeiras e debaixo de móveis
- Simples de operar: pode aprender-se a usar tudo, ou simplesmente carregar num botão e já está
- Eficaz: é um bom aspirador, suficientemente potente para limpar uma sala suja
- Autónomo: aguenta limpar três quartos de seguida e se tiver a doca í vista, vai carregar-se sozinho
- Não é muito barulhento: é possível ter uma conversa na mesma sala onde o Roomba está a aspirar
- Seguro: desliga-se, quando não consegue resolver um problema ou sair de um canto
- Prático: quando corre tudo bem, é óptimo podermos sair de casa e saber que voltamos e está tudo aspirado
- Modular: desmonta-se tudo com facilidade, para limpar e fazer manutenção
- Flexível, sobretudo com o programador de calendário e os “light-houses”
Contras do iRobot Roomba 560
- Não é tanto “click and go”, como possa parecer: convém remover obstáculos do chão primeiro, ou ter uma casa tipo revista de decoração
- Compartimento de lixo muito pequeno: dá para o gasto, mas apenas se a casa não estiver muito suja
- Dificuldade em lidar com alguns obstáculos: cuidado com superfícies inclinadas e cabos eléctricos
- Não muito fácil de vazar: um deslize e lá vai o lixo todo parar ao chão
- Caro: 300 euros é o preço de um aspirador manual topo de gama (de algumas marcas…), convém ver o Roomba como um investimento, sobretudo para quem não tem tempo, paciência ou mulher a dias, para aspirar.
- Pouco durável: as escovas partem-se e no meu caso, o robot avariou (roda esquerda), ao fim de seis meses.
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Vou esperar pela resposta do apoio técnico e ver como resolvem o meu problema, após o que actualizarei este post com essa informação que creio ser importante. Todos os aparelhos podem sofrer avarias: alguns assim que se compram, outros meses depois, alguns… anos mais tarde. O importante é saber como o fabricante lida com essas avarias e como trata os clientes.
Espero ter sido útil a quem esteja a pensar comprar um aparelho destes e estou aqui para responder a quaisquer perguntas que tenham.
Apoio técnico para o iRobot Roomba 560
O apoio técnico para o Roomba, na Europa, é acessível num site de uma empresa alemã que procede í s reparações. A empresa chama-se Digitest e basta preencher um formulário para reportar a avaria do robot.
Toda a experiência de requisição de reparação é complicada e difícil de usar sobretudo porque os textos são automaticamente traduzidos para português e chegam a tornar-se completamente incompreensíveis.
Depois de se conseguir preencher o formulário, recebe-se um número de RMA e um e-mail que nos pede para enviarmos cópia da factura de compra do robot para um número de fax. Não sei em que planeta vivem os senhores da Digitest porque eu não vejo uma máquina de fax há mais de 5 anos.
Das duas vezes que precisei de recorrer ao serviço, respondi ao primeiro e-mail dizendo que não tenho acesso a fax e perguntando se posso enviar a factura por e-mail. Este mail não obteve resposta de nenhuma das vezes, mas um dia ou dois depois recebi um novo e-mail informando (em português auto-traduzido), que a minha etiqueta de devolução UPS está pronta.
Há então que imprimir a etiqueta, embalar o robot na caixa original com a cópia da factura com o RMA escrito, lá dentro. Por fora, cola-se a etiqueta da UPS.
Depois, no site da UPS requisita-se uma recolha e vem um condutor da UPS buscar o robot que segue, alegremente, para a Alemanha.
Nada disto é pago, todos os custos são suportados pela Digitest—pelo menos até agora, visto que o meu robot ainda está na garantia.
Depois de reparado, o robot é devolvido também via UPS. Todo o processo é muito rápido e eficaz, embora a comunicação com a empresa que procede í reparação seja extremamente ineficiente.
Não sei o que acontecerá com robots fora da garantia, mas tendo em conta que o meu já se avariou duas vezes em ano e meio, creio que vou acabar por descobrir.
Apoio técnico para o iRobot Roomba 560 em Portugal
Ao que parece, a Cleverhouse já presta apoio técnico aos Roombas, em Portugal, publico aqui a informação deixada por João Castro:
Os pedidos de recolha de unidades para reparação deverão ser efectuados de uma das seguintes formas:
– sup.tec@cleverhouse.pt
– Tel: 228 310 796
Junto com a unidade de reparação (que deverá vir completa com todos os acessórios e caixa de origem) deverá ser enviada ficha com os seguintes elementos:
– Identificação da loja
– V/ nº de processo
– Cópia do documento de venda (com data legível)
– Identificação da avaria
– Nº de série da unidade a ser reparada.