Nunca mais tive tempo de sacar as fotos ranhosas que tirei com a Olympus enquanto montava a Fame e portanto, ainda não escrevi nada sobre a dita, mas aqui vai…
A Fame DD-602 vem num caixote pouco maior que um anão alto e pesa 30 kg.

Como é do conhecimento de pessoas que pertencem a gatos, estes sentem uma imediata atracção por cartão prensado, pelo que a montagem da bateria pode ser grandemente dificultada pela presença de felinos. Especialmente quando se vive com seis.
Dentro do caixote, vem tudo muito bem organizado o que pode não ser imediatamente aparente se, como eu, abrirem o caixote de pernas para o ar.

Mas também não há assim muito azar… até porque o pior mesmo, são as instruções. Vejamos… abrindo a caixa pelo lado certo daria de caras com vários caixotinhos mais pequenos, onde estão embaladas as diversas peças. A primeira instrução do manual é abrir o caixotão e retirar todos os caixotinhos para se ter acesso í s tubagens… ora… não seria mais fácil fazer o que eu fiz – se bem que por acidente – e abrir o caixotão pelo outro lado?
É óbvio que sim. Tive imediatamente acesso í s tubagens, sem ter que tirar 132 caixotinhos que não teria onde empilhar.
O caixotinho dos acessórios, onde estão os cabos, chaves, um par de baquetes e dois manuais: o do computador e o de montagem que é menos que brilhante:

As instruções de montagem são más. Sejamos honestos.
Vêm ilustradas com fotografias a preto e branco onde praticamente não se distinguem os pormenores que de facto interessam e de alguns passos para outros a única instrução mais valia ser: “monta essa merda e faz-te homem”.

Um bom exemplo é a foto acima. Evidentemente, estes são os dois pés de toda a estrutura. O menos evidente é que um tem dois encaixes e o outro tem três e o manual não explica em lado nenhum qual é de que lado.
Mas eu descobri: o que tem três encaixes fica í esquerda porque precisa de um encaixe extra para a tarola. Não sei se os canhotos tocam com a tarola í direita… mas nunca vi ninguém fazer isso.

Consegui chegar a este ponto, apesar do manual não explicar em lado nenhum como montar os contra-fortes. Não há azar… apesar de tudo, eu brinquei com meccano quando era puto.
A fase seguinte de montagem foi onde a falta de instruções como deve ser mais chatice deu. A bateria vem com quatro espigões: três são em “L” e um é recto. O manual diz qualquer coisa como: ah e tal, encontre os espigões e introduza nos orifícios dos drum pads como na figura tal e tal.
Um gajo olha para a figura (uma foto a preto e branco quase sem contraste), e vê o espigão recto a ser introduzido no orifício de um dos drum pads, mostrando claramente que deve ficar apenas a ponta metida.
Os leitores masculinos podem agora parar uns minutos para remover as imagens pornográficas da cabeça, antes de continuar a ler sobre este assunto seríssimo.
Obrigado.
Ora… o manual não diz nada sobre o facto de uns espigões serem em “L” e o pior é que, tentando meter os espigões, a coisa funcionou assim: um dos “L” entrou todo, dos outros dois só consegui meter a pontinha e o recto, conforme o manual indicava, só entrava também uma ponta.
Scratch, scratch.

To cut a long story short, a foto acima mostra a bateria muito mal montada e quase impossível de tocar. O problema é que eu nunca tinha tocado bateria na vida e portanto, para mim, a total e completa impossibilidade de manter um ritmo era devida apenas a essa minha grande falha musical.
Mas não, não era nada disso. Era assim: os orifícios dos drum pads estavam mal cortados e por isso é que os espigões não entravam completamente.
Mais: o espigão recto que – de facto – só entra na pontinha, é para o computador e não para drum pads. Na foto consegue-se perceber que o computador está na ponta de um espigão, muito alto. Tá mal!
Com o espigão recto é possível colocá-lo baixinho, mesmo rente ao braço de suporte.
E com a ajuda de umas das limas de precisão da Dee, alarguei os orifícios e consegui meter os três espigões em “L” nos drum pads que ficaram muito mais fáceis de orientar.
Job well done.

No dia seguinte, quando voltei do trabalho, vinha a fervilhar de ajustes a fazer e consegui finalmente tocar um ritmo básico de rock 4/4: quatro tempos no prato de choque, primeiro e terceiro no bombo, segundo e quarto na tarola. Simples… mas muito satisfatório.
O computador é muito simples de operar e vem com 31 kits de bateria diferentes, um pontapé de sons de qualidade aceitável e várias “canções” que se podem tocar sem a bateria, para podermos acompanhar. Evidentemente, inclui um metrónomo e tem saída áudio mono ou stereo e MIDI (com entrada também).

Os pads são muito sólidos, com uma superfície rígida com um ressalto simpático para as baquetes, como não sei qual é a sensação de tocar numa pele de uma bateria acústica, não posso comparar, mas estou a gostar.

Quanto a ruído, faz pouco. Basicamente, é possível estar a tocar na sala (de phones, claro), e não se ouvir no quarto. O que ainda deve fazer mais barulho é o meu pé descontrolado no pedal do bombo, mas de resto, para uma bateria, é bastante silenciosa.
Agora tenho que a tirar da sala e instalar no escritório, para me poder fechar a praticar e também para a poder ligar ao Nuendo e brincar com as possibilidades dos ports MIDI da coisa.
Em suma: mau manual de montagem, boa qualidade de construção, bons pads, bom som e um brinquedo muito divertido.
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