Aqui há uns dois anos atrás resolvi andar a passear por Almada a tirar fotos ao eixo central da cidade (aquilo a que os forasteiros chamam “aquela avenida grande”), composta por avenidas sucessivas, entrecortadas pelas omnipresentes rotundas. A ideia era captar o aspecto da cidade pré-metro, seguido de uma série de fotos das obras e depois, uma da coisa acabada.
As fotos não sairam grande coisa, para ser sincero e decidi que mais tarde repetiria a experiência. O problema é que passou tanto tempo (na altura era suposto as obras começarem em breve), que me esqueci completamente da ideia e nunca mais tirei novas fotos. E agora?
Bom, agora uma colossal escavadora Hyundai está a dilacerar a Av. 25 de Abril e já não há “antes” para fotografar. Pois é. As obras do famoso metro de Almada (e arredores), começaram finalmente.
Segundo os responsáveis, vão durar 18 meses o que em linguagem corrente significa três anos, claro. A zona onde moro está já virada do avesso, com mais de dois terços dos lugares de estacionamento suprimidos e as pracetas transformadas em zona de estacionamento para residentes (só agora, ao fim de mais de 10 anos!), onde há – para aí – vinte residentes para cada espaço de estacionamento.
Felizmente, tenho garagem para o Mercedes. Infelizmente, o Smart vive na rua.
A coisa já é complicada e, como não poderia nunca deixar de ser, o portuga ainda a complica mais. Os carros amontoam-se em recantos, o estacionamento criativo é palavra de ordem e ninguém respeita o sinal que diz que a avenida é para ser usada apenas para “acesso local”. Continua, como era de esperar, a ser usada como ponto de passagem entre Cacilhas e Almada.
O mais interessante é que me lembro de uma altura em que pensei que o metro seria óptimo para as minhas deslocações casa-trabalho. Entretanto passou tanto tempo, que já não trabalho no mesmo sítio. Pensando bem, mudei de emprego há três anos e sou quadro da PT.com há praticamente ano e meio e ainda não há sinal de circulação do MST. O mais triste mesmo é que sempre que o assunto é mencionado, é-o sempre em guerras mesquinhas de culpabilização.
A CMA culpa o Governo. O Governo culpa a CMA.
E os almadenses andam a pé…
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