Domingo fiz 33 anos.
É uma bela capicua e – como toda a gente sabe – a idade do senhor. O que muita gente não se apercebe é que, há dois milénios atrás, ter 33 anos devia ser o mesmo que hoje em dia ter 99, ou coisa parecida.
Conclusão: Jesus era um velho.
Mas eu não. Em 2006, um gajo de 33 anos – com sorte (ou azar?) – vai a pouco mais de um terço da vida. Cá para mim, é-me indiferente: 28 ou 35, who cares.
O dia de anos começou apenas uns minutos depois da meia noite (na verdade só nasci 50 minutos depois da meia-noite, mas ok). Recebi um mms da Mana e companhia, desafiando-me para ir ter com eles a um bar.
Fomos.
Demos com uma bela figura. Um bar manhoso em Cacilhas, pronto, quando digo manhoso quero dizer “típico”. Bandeiras de Portugal por todo o lado, algumas de pernas para o ar e o símbolo de dois clubes de futebol: Benfica e Sporting, claro. No ar: música espanhola cantada em português.
Espaço suficiente para um balcão, com um casal por trás e vários bêbados pela frente.
Entre os bêbados contavam-se a minha irmã e o flip, o mário, a prima’nês e o gugas, nova aquisição familiar.
Já estavam, portanto, demolhados.
Para não me atrasar muito, pedi uma imperial e alguém se foi encarregando de pedir outras até começar a ter dificuldade a distinguir as três dimensões umas das outras.
Aí por volta das duas e tal, saímos e dirigimo-nos para casa. A Dee – a única pessoa sóbria ali – sempre dotada de grande paciência, ia dando conversa aos bêbados e tentando apaziguar as suas dúvidas emocionais.
Nesta altura e sem saber bem porquê, achei que era boa ideia trepar ao mastro de bandeira da Junta de Freguesia de Cacilhas. Pensei que não ia conseguir, mas dei por mim í altura do primeiro andar do prédio da Junta.
Como consegui descer sem partir as pernas, mas não tinham sido tiradas fotos, subi novamente. Entretanto, a prima lavava os pés na mangueira do funcionário da Câmara que lavava as ruas e pensava certamente para consigo: “maldito turno da noite”.
Chegámos a casa, sem mais incidentes e eu fui – claro – vomitar.
Deitei-me, pouco ciente da minha própria existência, convencido de que ia adormecer profundamente.
Errado.
Não consegui adormecer e sentia-me profundamente mal disposto.
Uma ou duas horas depois voltei a levantar-me. Tontíssimo da bebedeira, deitei-me no chão da casa de banho amaldiçoando o álcool e uns segundos depois lá vinha mais uma descarga de restos do jantar – fusili a la arabiatta.
Depois começaram as cólicas… e a diarreia.
Comecei a desconfiar que isto não era só de umas imperiais e uns shots manhosos em copos que não eram lavados há 20 anos.
A noite prosseguiu, sem sono e com viagens diversas í casa de banho até se me acabar o vómito e o imodium me parar o intestino.
Passei o dia todo mal disposto. Tive que cancelar o almoço de aniversário. E a meio da tarde comecei a ter febre.
Foi portanto um belo dia de anos. Uma combinação de restos de uma bebedeira, com uma directa, com uma ressaca, com um qualquer devaneio gastrenterológico.
Ao fim do dia recebi a visita dos meus pais, que me animou um bocado, como sempre. Depois vi Portugal a jogar mal í brava e a ganhar por pura sorte a Angola, por 1-0 e fui dormir, ainda bastante enjoado.
Parabéns a mim.