Este ano, as compras de natal ficaram todas despachadas na primeira semana de Dezembro. Todas? Não! Pois uma pequena aldeia gaulesa… ah, não, não é isso…
Como não podia deixar de ser, ficaram a faltar umas prendinhas e hoje era o dia para as comprar. Não tenho mais tempo nenhum, uma vez que ando a sair do escritório í s nove da noite e o Natal é já para a semana.
Portanto, enchi-me de coragem e rumei ao Almada Forum, como não podia deixar de ser. Eu até já sabia o que queria comprar e também sabia que ia ter que aturar o trânsito e a dificuldade em estacionar.
Mas nada nunca me pode preparar para aturar a estupidez das pessoas. Eu mentalizo-me e acho que vou conseguir, mas nunca consigo.
As pessoas são estúpidas. E sim, estou a excluír-me do grupo “as pessoas” e sim, também sei que não são 100% das pessoas, mas também sei, ainda, que anda lá perto.
Não é só serem mal educadas, egoístas e incapazes de ter precepção do espaço público, são mesmo estúpidas, têm um QI baixo. Não vale a pena tentar convencer-me do contrário: eu sou, definitivamente, mais inteligente do que a esmagadora maioria das pessoas.
E não digo isto por nenhum incidente em particular – embora me tenha pegado com uma vaca que se atravessou í minha frente no parque de estacionamento, olhando para o lado para fingir que não me tinha visto a tentar entrar – mas apenas por uma observação geral e, diria mesmo, desinteressada.
Não é preciso ser-se muito observador para chegar í s conclusões que eu chego sempre que tenho que estar no meio de grandes concentrações daquilo a que, vulgarmente, se chama “público”.
E o problema é mesmo esse: é que se uma pessoa é estúpida, pode até ser simpática ou, pelo menos, aturável, mas quando várias dessas pessoas se juntam em grupos muito grandes, a estupidez activa-se, como se um grupo fosse um catalizador de idiotice, e a coisa complica-se muito. E isto é só sem que abram a boca, porque se tivermos que as ouvir falar, o caso fica mesmo sério.
Se os velhos fascistas e as velhas mal-humoradas já são bastante maus; se os casais adultos ignorantes e exibicionistas já são péssimos; os adolescentes e jovens adultos estúpidos ainda são os que mais me deprimem. É óbvio porquê: são os portugueses do futuro, como tantas vezes ouvimos lembrar.
E é assim que posso já prever o futuro de Portugal: é estúpido.