Há uns anos atrás (2 ou 3, não me lembro), o Cunhado e os meus sogros ofereceram-me um despertador da Oregon Scientific, que é uma empresa croma de produtos electrónicos igualmente cromos.
O despertador tem barómetro e termómetro, tem backlight, projecta no tecto a hora e a temperatura exterior e, para obter essa temperatura exterior, comunica via rádio com um sensor de temperatura que eu, convenientemente, pendurei do lado de fora do prédio.
Mas não é só.
Além de tudo isto, o magnífico despertador ainda se acerta sozinho, mediante um sinal de rádio enviado por uma estação em Frankfurt (na versão que eu tenho, outras versões ligam-se a outros países). Ora, para o relógio receber a hora certa, tem que estar a 1.500 km de Frankfurt. O que basicamente significa que esta feature nunca funcionou.
O símbolo de antena que indica o nível de recepção do sinal de sinronização limitava-se a piscar, frustrado. Portanto, sempre acertei o relógio í mão e pronto, mantendo a feature de procurar o sinal desligada, para gastar menos bateria.
Mas na segunda-feira í noite, quando deixei cair o relógio e as pilhas cairam, fazendo reset í coisa, algo de surpreendente se passou: o despertador recebeu sinal de sincronização!
Era de facto estranho eu ter adiantado o relógio uma hora inteira, sem reparar no engano. Mas não foi isso que aconteceu, o que se passou foi que eu acertei o relógio correctamente e passado uns minutos, sem eu dar por nada, ele sincronizou-se com a estação (em Frankfurt? Antena nova? Talvez uma nova estação mais próxima?). O problema é que se sincronizou para CET. E CET é uma hora a mais do que a nossa hora.
Isto servia para um daqueles pormenores insondáveis de um crime inexplicável resolvido pelo Jonathan Creek.