London Town

Estive em Londres.

Esta era uma viagem que já queriamos fazer há muito tempo e por diversas razões acabámos por só fazer agora. And there was much rejoicing.

A viagem começou com um mau presságio. Como saberão, os aviões costumam ter todos uma matrícula, enfim, não conheço as regras, mas a matrícula do A320 onde viajámos para o UK era G-BUSH. :P

Mais tarde percebi que isto era mesmo uma coincidencia, quando vi outros Airbuses em Heathrow com matrículas como G-ASHD, G-SFDH ou G-JUUE. Portanto G-BUSH, não era uma referência ao cowboy-palhaço, mas antes, uma combinação de letras randómicas de resultado infeliz.

Evidentemente a viagem correu bem e ofereceu-me uma ideia que podia ser posta a uso pelos EUA, para poupar dinheiro: aviões comerciais de guerra.

O comandante podia dizer qualquer coisa como “ladies and gentlemen welcome to flight 504 from Lisbon to London, we’ll be passing shortly over Northern Iraq to bomb some terrorist training camps before resuming our intended course. We ask you please remain seated and keep your seatbelts securely fastened.”

Assim, certos vôos podiam bombardear o Iraque, o Afeganistão, ou mesmo outros países só para os manter atentos, antes de seguirem o seu rumo original.

A visita a Londres consistiu em andar e depois andar mais um bocado. Parar. Entrar em choque ao ver o preço das coisas, sobretudo culpa do valor ridículo da Libra. Andar mais.

Faz logo impressão ao chegar a Londres, a maneira como as pessoas que trabalham nos serviços públicos e nas lojas são simpáticas e prestáveis. É algo a que não estamos habituados. Provavelmente também há ingleses bem antipáticos, mas não encontrámos nenhuns. Aliás, para ser franco encontrámos poucos ingleses.

Encontrámos muitos asiáticos e brasileiros. A maioria dos turistas com que nos cruzámos eram italianos. Alguns eram espanhóis. Portugueses: muito poucos. Felizmente! :)

A última coisa que eu quero é viajar para um país estrangeiro e passar os dias rodeado de portugueses.

Na segunda noite, fomos acordados às cinco da manhã pelo alarme de incêndio do hotel que tocou talvez durante dois segundos, parando de seguida.

Ficámos com a sensação que aquilo era um engano qualquer, mas não foi nada agradável… É que o hotel tem 1700 quartos… são muitos quartos, a vista de um corredor é quase ridícula de longo que o dito é.

Com um alarme por quarto, isto implica que soaram, de uma só vez, 1700 alarmes de incêndio, fora os que estão colocados nos corredores a intervalos regulares. Isto, não é uma maneira agradável de acordar.

Como sou um paranóico, vesti-me e saàpara o corredor. Parecia-me ouvir um alarme ao longe e comecei a dirigir-me lentamente na direcção do som, que já não sabia bem se era real, se eram só os meus ouvidos a tinir. Foi nesta altura que os tais mais de 1700 alarmes começaram novamente a tocar e desta vez não pararam.

Voltei rapidamente ao quarto para buscar a Dee, que já se estava a vestir. Metemos o que pudemos nos bolsos e saímos porta fora.

Claro que era um falso alarme.

Com quatro horas de sono nos cornos, porque obviamente não voltei a pregar olho essa noite, o dia seguinte foi difícil e acabou por ajudar a ditar a nossa desistência da viagem de combóio a Cambridge.

Isso e, claro, as dores insuportáveis que sentia no calcanhar esquerdo cada vez que dava um passo. Uma lesãozinha de há dois anos, no gongfu, que eu pensava que já tinha ultrapassado, mas ao fim de apenas dois dias a andar por Londres, ei-la.

É sempre bom. Mas a viagem não ficou estragada, decidi fazer como os ingleses: stiff upper lip e para a frente. Claro que custa um bocado ter a sensação que nos estão a cortar o tendão de aquiles com um alicate de arame a cada passo que damos, mas é um bom exercício mental, ignorar este tipo de coisas e continuar a andar.

Mas calma lá, não pensem que não me queixei como uma menina!
Um gajo, no mínimo, tem o direito de gemer e dizer asneiras cada vez que dói um bocado mais.

A viagem teve, portanto só dois azares: o incidente do alarme de incêndio e o meu tendão.

Mas em contrapartida teve montes de coisas boas, como o frio que nos acorda e nos dá energia; o “biggest ever sale”, na HMV, que ainda permitiu comprar uns CDzinhos a preços simpáticos (a única coisa barata em Londres); o “A woman of no importance”, do Oscar Wilde, no Royal Theatre Haymarket com actores tão bons que nos esquecemos que o são; passear à noite no west end; ver coisas que nunca tinha visto em Londres, apesar de já lá ter estado duas vezes e mesmo assim não ter ido rever o Big Ben, nem Westminster, nem St. Paul, nem Buckingham e sem sequer ter visto o Thames nem qualquer das suas pontes; parar e olhar para as coisas só porque sim; ter um esquilo no joelho, em Russel Square; dezenas de pubs sensacionais por fora e proibitivamente caros por dentro; o cuidado com a caligrafia e a composição gráfica dos quadros pretos à entrada dos pubs, aquilo que em Lisboa são pedaços de carolina amarela a dizer “à caracóeis e tramoces” a marcador preto, com as últimas três letras enganchadas umas nas outras porque não cabiam; falar inglês com ingleses; falar português just because I can; ligar a tv à noite no hotel e ver comédias em em vez de telenovelas; comer um whopper com Leicester Square à frente; dormir por pura exaustão; ver Londres do ar, à noite, quando o avião se inclinou para rumar a Sul, milhões de luzinhas até perder de vista e voltar para casa quando começavamos a ter saudades.

Conclusão: não seria de espantar que voltássemos…

No vôo de volta tive outra ideia genial, que acho que devia ser posta em prática desde já em todas as companhias aéreas! A apresentação de segurança devia passar a ser sempre acompanhada do “Baby love”, da Diana Ross and the Supremes. Assim, as hospedeiras podiam fazer a dança das saídas de emergência enquanto tocava a música e os passageiros todos cantavam em coro:

Ooh baby love, my baby love
I need you, oh how I need you
But all you do is treat me bad
Break my heart and leave me sad
Tell me, what did I do wrong
To make you stay away so long

Podia mesmo passar o karaoke nos monitores. Acho que tenho um brilhante futuro no marketing para companhias aéreas!

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Rudolfo

Meti-me num barco hoje de manhã e resolvi ir descobrir qualquer coisa. Sempre foi assim e não sei porque é que isso teve que acabar!

Os descobrimentos foram uma moda que passou e agora já ninguém quer descobrir nada, o que é bastante desanimador.

Então meti-me no meu barco, icei as velas e fiz-me ao mar, numa direcção qualquer, porque estas coisas são mesmo assim.

Por volta das onze e meia descobri um novo continente, como não podia deixar de ser. Desembarquei e chamei-lhe Rudolfo. O nome é temporário, mas por agora serve.

Aspirei os ares marinhos de Rudolfo e passeei um pouco nas suas praias, antes de voltar a meter-me no barco para regressar e escrever a fabulosa crónica da minha nova descoberta.

Já vinha a meio caminho quando reparei que me tinha esquecido do padrão. Que chatice! Tinha-me eu metido no barco, logo de manhã e navegado aquilo tudo e depois não tinha espetado um padrão na minha nova descoberta.

Não tarda muito está Rudolfo cheio de espanhóis a chacinar a população local.

Mas pronto, como sou português já estou habituado a esta coisa de fazer tudo bem na primeira parte e deitar tudo a perder na segunda.

Vim para casa.

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Um teste

Isto é um teste, por favor afastem-se das saídas e tapem o nariz e a boca durante dez minutos.

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629320

Seiscentos e vinte e nove mil trezentos e vinte pontos é o meu novo record no Deimos Rising!

Finalmente consegui bater o meu anterior. Isto tem ainda mais significado quando se sabe que o meu primeiro record foi estabelecido quando, por distracção joguei enquanto corria o SETI@home. Claro que o SETI comeu-me o CPU todo e o jogo ficou lentíssimo e, por isso, muito mais fácil.

Depois de resolvido este problema, comecei a jogar à velocidade normal e, obviamente, comecei por ficar frustrado, porque o jogo não é mesmo nada fácil, sobretudo se gostarmos de pontuações na casa das centenas de milhar. Mas aos poucos fui conseguindo bons scores, mas nunca nada que se aproximasse do record inicial, conseguido com o jogo brutalmente desacelerado, o que me fez crer que nunca o ultrapassaria.

No entanto, foi hoje. Enquanto via uma miserável primeira parte do Portugal-Albânia, em que o nosso brilhante seleccionador Scolari levava a selecção a mais uma derrota humilhante ao intervalo, dei uma coça monumental no Deimos Rising. 629320 pontos.

E ainda não bati o jogo, faltam-me, creio, passar dois níveis.

E pronto, pequenas alegrias são sempre melhores que nenhumas alegrias.

PS: Portugal, estava a perder por 1-2, quando escrevi isto, acabou por ganhar por 5-3, muito graças a alguns frangos verdadeiramente monumentais (autênticos galos!) do guarga-redes Albanês. A verdade é que os portugas ainda levaram três na pá da Albânia, selecção composta maioritariamente de jogadores que jogam nas segundas e terceiras divisões de outros países.

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T-shirt day

Chegou hoje a minha t-shirt do Capitão Snot. Demorou precisamente um mês, de 9 de Setembro a 9 de Outubro, desde o dia da encomenda. O que até nem foi mau. Não paguei taxas aduaneiras nem impostos adicionais, simplesmente recebi a t-shirt num saco, na caixa do correio.

A pedido de várias famílias, seguem-se três fotos, frente, verso e detalhe.
A impressão é bastante boa. Podia ser melhor, mas também podia ser bem pior. As cores podiam ser um pouco mais fortes, mas de resto é muito melhor que aquelas t-shirts feitas com fotocópias a cores.

As fotos são clicáveis para versões maiores, não são grande coisa (as fotos), mas isso já é da nossa máquina digital que não é muito boa.

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