Fim de semana marcial

Este fim de semana foi quase exclusivamente dedicado às artes marciais e terminou com o meu exame final do primeiro nível de Shaolin.

No sábado de manhã tivemos um treino físico que me provocou um ligeiro ataque de asma. Comigo é assim: quando não é uma ciosa, é outra…

Seguiu-se um intenso treino para o exame. Shang xia zhi, para ser mais exacto. Treinei com o Tritão e recebi diversas correcções dos colegas mais graduados que estavam a dirigir o treino.

Não fiquei assim 100% covencido de que tinha treino para passar, mas sabia que não ia conseguir muito melhor até ao exame (no dia seguinte, portanto).

À tarde fui até ao Nitrorium ver como ia a desgraça e deparei com um cenário deprimente. O tecto já tinha caído num grande círculo em torno da zona que pinga, o chão estava completamente alagado, com água já a chegar ao masmas.

Voltei lá à noite, em vez de ir, por exemplo, até casa dos meus pais ver o Benfica recuperar de um 2-0, para ganhar 2-6 ao Vitória de Setúbal. A situação estava ainda pior e quando saí, deixei quase todos os computadores e tomadas em cima das mesas, menos o meu e o masmas e desliguei o quadro, porque, no geral, segundo sei, electricidade e água não combinam bem.

Cheguei ao fim do dia com uma disposição pouco simpática.

Hoje dormi bem de manhã, para descansar e estar ok para o exame. Doía-me um pouco o joelho direito, mas nada de preocupante.

Preocupante foi o oceano que encontrei no nitrorium quando lá fui fazer a vistoria da manhã. Já estava uma verdadeira sopa a um dos cantos. Tirei o masmas para cima da mesa e a minha máquina também e estive a dar ao braço com a esfregona em punho, para tentar retirar toda a água que se acumulara no canto durante a noite.

Depois de comer um tostazinha mista, parti para a Academia onde tivemos uma aula de 3 horas de Taijiquan. Basicamente demoráms 3 horas a executar a primeira parte da forma clássica Yang. As correcções e detalhes foram múltiplos.

Foi uma aula-estágio, dada pelo Pedro Rodrigues, que é director da escola em Portugal e que normalmente lecciona na filial da Amadora.

O Taiji terminou às 18 e os exames ficaram marcados para as 18:30.

Depois de alguns colegas terem tido a sua oportunidade, fui eu chamado. Aproximei-te com o Tritão e fiz o exame. E passei.

Ao fim de três anos e três meses, finalmente, passei para o segundo nível de Shaolin. E isto não significa que seja agora alguma espécie de especialista nas matérias que completei do primeiro nível. Significa apenas que agora tenho a responsabilidade de as aprender ainda melhor.

Ao mesmo tempo terei a oportunidade de aprender coisas novas. Nomeadamente, segundo o manual, cinco técnicas de pontapés, três bases fundamentais, cinco qin nas, cinco fighting forms, dez técnicas de “short defense”, a Gong li quan (sequência de potência) e a Qi mei gun (sequência de bastão). Penso que será isso, mas saberei quando começar, finalmente, a treinar o segundo nível.

Comentar

Raindrops keep falling on my head

A chuva não pára e não parando a chuva, não se podem fazer as reparações necessárias para que deixe de chover no nitrorium.Hoje começou a cair o tecto.

Hoje foi o primeiro dia de trabalho oficial nas novas instalações de Almada da Nitrodesign.

O Tritão foi o primeiro a chegar, fazendo disparar o alarme :-)

A situação resolveu-se.

Eu fui levar a minha vacina (já ando nisto há quase um ano) e parece que, definitivamente, já aguento 1 ml. da coisa de cada vez sem ter reacções adversas.

Juntei-me então ao Tritão e à Dee para o nosso primeiro dia de trabalho em conjunto no novo escritório. Ainda há muitas coisas por acabar… a rede tem que ser montada como deve ser, o chão ainda não está bem limpo, uma das paredes ainda deve vir a ser azul e… claro, o tecto, o tecto está a cair.

O senhorio mostrou-se bastante compreensivo e fez-nos uma proposta de redução da renda como compensação, o que, creio, pelo menos mostra alguma boa-fé. Agora temos que esperar que pare de chover para verificar que realmente aquilo é mandado arranjar.

Mas por azar, cada vez chove mais.

Hoje ainda fiquei a saber que, apesar de ter deixado passar a data de inscrição do exame, vai ser possível apresentar-me no Domingo. Vou fazer exame de sheng xia zhi, para terminar a minha graduação no primeiro nível de Shaolin.

Já lá vão mais de três anos que comecei…

Agora vou ver se durmo, porque amanhã vou treinar para o exame.

Comentar

Uma pergunta

Porque é que as pessoas deixaram de “ver” e passaram a “visualizar”?

Porque é que as pessoas usam a expressão “é um must”, mesmo referindo-se a coisas que não são necessariamente um “must”?

Porque é que de repente toda a gente é, conhece, ou conviveu com um pedófilo?

Porque é que está tanto frio?

Porque é que os cartões de crédito tem cores? É assim tão importante toda a gente saber que eu tenho uma grande linha crédito no meu banco assim que abro a carteira, porque o meu cartão é dourado?

Porque é que os políticos em Portugal não se demitem mesmo depois de toda a gente já ter visto claramente que são vigaristas? (estou a falar do paulo portas).

Porque é que estamos em “crise”?

Porque é que toda a gente tem uma opinião sobre a guerra com o Iraque, se ninguém sabe realmente o que se passa?

Porque é que um jogador de futebol ganha €250 mil por mês?

Porque é que pagam impostos, se metade da população não paga?

Porque é que não pagam impostos, se metade da população paga?

Porque é que é mais importante ter-se um bom carro do que ser-se inteligente?

Porque é que é mais importante ser-se exibicionista do que talentoso?

Porque é que não existe o “Seinfeld” em DVD?

Porque é que ninguém percebe nada de medicina, engenharia ou arquitectura, mas toda a gente percebe de design?

Porque é que não há serviços de qualidade em Portugal?

Porque é que não há alternativas políticas viáveis aos partidos do costume?

Porque é que não me sinto mais seguro por ver um polícia na rua?

Porque é que ninguém sabe conduzir?

Porque é que toda a gente tem a mania que sabe conduzir?

Porque é que as coisas difíceis são tão difíceis e as coisas fáceis não dão gozo nenhum?

Porque é que os homens gostam tanto de mulheres e as mulheres gostam tanto de outras coisas?

Porque é que há pessoas que gostam de cães e pessoas que gostam de gatos e porque é que isso se reflecte tão obviamente nas suas personalidades?

Porque é que ninguém vê o óbvio?

São tudo coisas muito preocupantes.
Vou dedicar-me a pensar sobre elas até ter respostas concretas.

Comentar

Cabo, Linux marado e uma parede azul

A parede da zona de reunioes do nitrorium

Hoje fui para o Nitrorium logo de manhã. Fiquei agradavelmente surpreendido com o fabuloso trabalho que a Dee fez com a pintura do nosso logo na parede da zona de reuniões.

Surpreendido porque ainda não tinha visto e não pensei que pudesse ficar tão bem, especialmente sendo a parede texturada. Mas ficou bestial!

Os tipos da TV Cabo era suposto aparecerem entre as 9:30 e as 13. E apareceram de facto. E não tiveram grandes problemas… seguiram o circuito da antena de tv do prédio, desligaram a dita e ligaram o sinal deles. Ficámos rapidamente com sinal de tv cabo na tomada que já lá tínhamos, anteriormente ligada a uma qualquer arcaica antena de tv colectiva.

Depois disto foi um longo e frustrante tormento com o Linux, como já vem sendo habitual. E não consegui que o dhclient apanhasse um ip. Ou seja ficámos com rede, mas ainda não distribuida, o que não permite ainda trabalhar no escritório. Já passou um mês.

Para ajudar um pouco mais as coisas, o tecto passou a tarde toda a pingar, numa infiltração que segundo o senhorio seria “antiga”, mas que pelos visto está bem fresquinha… O escritório está a ficar impecável, mas, sinceramente, um balde no meio da sala para apanhar a água quando chove… Amanhã tenho que ligar ao senhorio.

À hora de almoço ainda houve tempo para ir com a Dee ao BES assinar a formalização do nosso crédito à habitação, que vai agora começar a entrar no maravilhoso mundo das repartições e registos notariais.

Which is… not so nice.

Comentar

Longo dia com massa no fim

Hoje o dia começou cedo, bom, pelo menos cedo para mim. E terminou com uma nova experiência culinária. Which was nice.

Levantei-me às oito, rotina do costume: banho, vestir, casa de banho, pequeno almoço, casa de banho, sair.

Acontecem-me sempre duas coisas quando tenho estes dias a começar cedo. Por um lado tenho uma fome devoradora e por outro cólicas insuportáveis.

É incompreensível para mim, talvez porque me falhem os conhecimentos fisiológicos necessários, mas posso levantar-me ao meio-dia, sentar-me ao computador, ou a ver televisão na sala e só me lembrar de comer qualquer coisa quase às três da tarde, mas se acordar às oito da manhã, alguns minutos depois de me levantar da cama, tenho uma fome perfeitamente avassaladora, começo a ficar com dores de estômago e mesmo, por vezes, alguma tontura.

Não compreendo.

Enfim, parti para Lisboa com o Tritão, para uma reunião com um cliente na Rua dos Bacalhoeiros, ali ao Campo das Cebolas… isto sim, são nomes de ruas! Juntou-se-nos um dos comerciais da Ciberguia, para apresentar a plataforma.

A reunião correu bastante bem. Almoçámos um lombinho de porco assado, uma comidinha portuguesa, bem confeccionada e provavelmente, por ser aquela zona, perto do rio e da Casa dos Bicos etc., paga ao dobro do preço.

Mas ok.

À tarde tivemos nova reunião, desta feita na Travessa da Espera, no Bairro Alto, que agora é bem chamar-se apenas “O Bairro”, de preferência com uma voz nasalada.

O Bairro Alto é só putas e paneleiros, pardon my french, mas esta era a regra e toda a gente sabia, mesmo quando não se sabiam bem o que eram putas e muito menos paneleiros.

Hoje em dia, o Bairro Alto é in.

Acho muito bem, desde que não tenham estragado o negócio às putas, que são um dos pilares da civilização moderna.

Pode ser que um dia seja super-bem ir curtir a night para Chelas.

Entre-reuniões, nos tempos em que nos deslocámos daqui para ali a butes, como é nosso apanágio, andámos a fugir à chuva que ameaçou o dia todo, mas que, felizmente, já só caiu cerca de 30 segundos antes de eu entrar em casa.

Which is nice.

Cheguei a casa e fui seguir um conselho da Dee, resolvi cozinhar. Eu gosto de cozinhar e cozinho pouco (não, os trocadilhos com cuzinho não têm piada nenhuma). Inventei uma receita e fui para o Jumbo comprar ingredientes.

Fiz uma massa no forno, com carne e molho de natas com queijo que ficou excelente, se bem que um pouco ensonsa.

Não é nada difícil de fazer, é preciso:

– 1 cebola média
– dentes de alho à brava
– 3 tomates-em-rama (ou 3 tomates quaisquer, mas pequenos)
– 500 gr de carne de vaca picada
– óregãos secos
– um bocado de polpa de tomate (guloso ou coisa parecida)
– 2 embalagens pequenas de natas pasteurizadas
– um pedaço de manteiga
– uma colher de chá de maizena dissolvida em água
– 350 gr. de Tagliatelle (por exemplo), ou outra massa, suponho
– Queijo mozzarella dinamarquês em barra e em fios
– Sal e pimenta
– Azeite
– Mostarda

Depois, como diria o Jamie Oliver é easy peasy:

Azeite no fundo de um tacho e cebola e o alho, picados, lá para dentro para refogar.

Juntar a carne, ir virando até ficar castanha, juntar os tomates (aos pedacinhos) e um bocado de polpa de tomate (só para humedecer toda a carne). Temperar com sal e pimenta e os óregãos.

Por a massa a cozer, leva 10 minutos a massa, leva 10 minutos a carne a apurar um bocadinho, em lume brando. Agora é uma boa altura para acender o forno, 200 graus chegam.

Escorre-se a massa e reserva-se (convém deixar um bocadinho de água para não colar).

Num tachinho derrete-se a manteiga, juntam-se as natas, mexe-se bem, junta-se mostarda, mexe-se bem novamente, junta-se a maizena dissolvida, volta-se a mexer. Deixa-se engrossar um bocadinho em lume muito brando. Estamos a falar de um ou dois minutos. Convém salgar. Foi aqui que falhei, esqueci-me de salgar as natas. Pimenta também é bom. Noz moscada, opcional.

E agora a parte divertida: pega-se num pyrex e oleia-se com azeite; depois, no fundo, coloca-se um bocadinho menos de metade da massa (tagliatelle, foi o que eu usei, é parecido com fetuccine), depois cobre-se com a carne, toda, seguido de uma generosa camada de Mozzarella em fatias finas (cortadas da barra) e uma parte das natas (menos de metade).

Tapa-se tudo com o resto da massa, seguido do resto das natas e, finalmente, um pacote inteiro de fiozinhos de queijo mozzarella. Há uns excelentes e caros (ramazotti) e uns que não deixam de ser bons e são mais baratos. Estes últimos não são bem em fios, são mais cubinhos pequenos e dizem geralmente qq coisa como “especial para pizza” ou “especial para gratinar”. Serve.

Vai ao forno, 20 a 30 minutos, até o topo estar a começar a ficar castanho nalguns pontos.

Há mais duas coisas que eu acrescentaria a isto, se a Dee gostasse: cogumelos, junto com a carne e pimento, junto com o refogado. Talvez numa próxima oportunidade.

Claro, resta lembrar que isto dá, à vontade para quatro pessoas… pelo menos.

Comentar